Pessoas alojadas receberam atendimentos de saúde, doações de roupas e o cuidado de voluntários e profissionais engajados na assistência  

Foto: Lucas Azevedo/Escola de Ciências da Saúde e da Vida

Mais de um mês após o alerta climático que marcou o início da pior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, os municípios gaúchos seguem enfrentando uma série de dificuldades e famílias inteiras buscam forças para recomeçar. Atualmente, na Capital, ainda existem 3.263 pessoas em 71 abrigos temporários, segundo dados da Prefeitura de Porto Alegre no dia 11/6. Durante 34 dias, o Parque Esportivo da PUCRS abriu as portas para abrigar mais de 250 pessoas afetadas pela enchente, resgatadas pela Defesa Civil. O abrigo fez parte de uma operação emergencial, que se estabeleceu em poucas horas e contou com o apoio de muitos voluntários.  

“Começamos do zero e o primeiro passo foi organizar o acolhimento cuidadoso das pessoas. Como se fosse uma avalanche, em poucos minutos, voluntários se apresentavam, doações chegavam aos montes e tudo foi sendo organizado como se tivéssemos as melhores expertises em como organizar um abrigo a vítimas de uma catástrofe, embora ninguém tivesse experiência de como havia sido em outros abrigos”, relembra FranciscoKern, professor e ouvidor institucional da Universidade.  

Enquanto o espaço esteve ativo, as pessoas abrigadas receberam todo o tipo de assistência prestada por um time de voluntários de mais de 300 pessoas, composto por técnicos, professores, estudantes e comunidade em geral. Na área da saúde, foram mais de 500 consultas, mais de 120 atendimentos psicológicos, mais de 40 atendimentos odontológicos e mais de 150 aplicações de vacinas contra a influenza.  

“O atendimento aqui foi muito bom. Os voluntários, o pessoal da limpeza e os médicos estavam cuidando de todo o pessoal. A água lá na minha casa tapou tudo. Tudo o que eu tenho foram os voluntários que deram para a PUCRS, umas cobertas, umas roupas e os colchões para dormir, é só o que eu tenho. E os filhos”, relata Franciane Barbosa Ferreira (37), auxiliar de serviços gerais, para a reportagem da Folha de São Paulo

Todos os dias, as famílias recebiam as refeições diárias, como café da manhã, lanche, almoço e jantar. A alimentação, preparada seguindo as recomendações sanitárias, era feita pela cozinha solidária, uma força tarefa que reuniu professores, colaboradores, alunos, egressos e voluntários de outras universidades, totalizando cerca de 80 pessoas por dia, divididas em escalas. As refeições eram produzidas e supervisionadas por docentes dos cursos de Nutrição e Gastronomia. Nas últimas, o Restaurante Universitário (RU) da PUCRS estava prestando este serviço.  

“O impacto na vida das pessoas acolhidas foi imenso. Muitos chegaram ao abrigo em situação de grande vulnerabilidade, tendo perdido suas casas e pertences. As ações desenvolvidas, como atividades recreativas, culturais, espirituais e educativas, ajudaram a aliviar o estresse e a ansiedade dos abrigados, proporcionando momentos de convivência e esperança em meio à adversidade. Muitos relataram que o acolhimento recebido fez uma diferença crucial em suas vidas, dando-lhes forças para enfrentar e (re)começar”, conta o Pró-reitor de Identidade Institucional da Universidade, Ir. Marcelo Bonhemberger. 

Sandro Daniel Silva de Mattos (42) é autônomo e foi uma das pessoas abrigadas no Parque Esportivo da PUCRS. Em entrevista para Folha de São Paulo, ele descreveu como eram os dias no abrigo, contou sobre os amigos que reencontrou e agradeceu o acolhimento que recebeu dos voluntários. 

“Muita gente solidária me perguntou o que quero, se estou precisando de alguma coisa. Esse carinho e respeito, eu nunca vi em tantas pessoas, mesmo naquelas que nunca se viram na vida. Se tivesse escolhido a dedo, acho que não teria dado tão certo. A chuva nos entristece, mas a gente trabalha no nosso psicológico e está perseverando, porque a gente sabe que aqui estamos bem. Aprender a dar mais valor para o ser humano já está dando certo para mim. Deus botou um monte de anjos perto de mim, eu tinha perdido o celular e documentos, identidade e certidão, e fiz tudo de novo aqui. Vamos recomeçar”, comenta confiante. 

Voluntários com crianças abrigadas na brinquedoteca do Parque Esportivo da PUCRS. / Foto Eduardo Seidl/Famecos

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Uma onda de carinho, atenção e solidariedade 

A rotina no abrigo da PUCRS foi intensa e repleta de desafios. O espaço funcionava 24 horas por dia, com uma equipe dedicada a garantir a segurança e o bem-estar de todos os acolhidos. “Cada dia começava com a organização das atividades e a distribuição das tarefas entre os líderes e voluntários. Havia uma preocupação constante em proporcionar um ambiente acolhedor e seguro, onde cada pessoa pudesse encontrar não apenas abrigo, mas também conforto emocional, apoio, um lar provisório”, explica Ir. Marcelo.  

Para entreter as crianças, a sala onde antes funcionava um laboratório do curso de Educação Física foi adaptada e se transformou em uma brinquedoteca. No espaço, elas podiam podem usufruir de livros, brinquedos, jogos e materiais para desenho e pintura, além de participar de momentos de contação de histórias e outras atividades orientadas por monitores voluntários, tudo sob a supervisão do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da PUCRS e organizado pelo Laboratório das Infâncias. 

“Neste período, exercitamos uma escuta ativa qualificada e buscamos fazer com que todos se sentissem seguros e confortáveis, mesmo estando fora das suas casas. Criamos laços que ficarão e que foram essenciais no cuidado a estas famílias”, recorda a professora Andrea Bandeira, decana da Escola de Ciências da Saúde e da Vida.  

A professora destaca que o trabalho em equipe foi essencial durante os dias de trabalho no abrigo. Profissionais e estudantes de diferentes áreas colaboraram para que as famílias recebessem todo o apoio e acolhimento necessários. Este movimento foi organizado em conjunto com a Secretaria Municipal de Saúde, de forma que as pessoas abrigadas pudessem dar sequência aos seus acompanhamentos, onde quer que estivessem, garantindo o direito à saúde e à integralidade.  

“Foi inspirador ver os cursos de graduação e programas de pós-graduação oferecendo soluções criativas e ágeis frente a este momento desafiador. Cada área do conhecimento buscou apresentar respostas pautadas na ciência, o que demonstrou efetivamente o posicionamento da nossa universidade: inovação, geração de impacto e contribuição para a sociedade”, pontua Ir. Manuir Mentges, Vice-reitor da PUCRS. 

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Concretizando valores maristas 

A presença e espírito de engajamento da comunidade, que atuou intensamente no voluntariado e por meio de doações, trouxe dias melhores para um momento tão triste. Ir. Marcelo ressalta que essas iniciativas representam a essência dos valores da PUCRS: 

“O abrigo reforça nosso compromisso com a solidariedade, a presença significativa e a audácia. Em momentos de crise, mostramos que somos uma comunidade unida, pronta para agir e oferecer apoio incondicional. Essas ações não apenas beneficiam diretamente aqueles que foram acolhidos, mas também inspiram todos nós a continuar promovendo o bem comum e a fraternidade. O abrigo e o envolvimento de muitas pessoas foi um testemunho vivo dos valores maristas, reafirmando a excelência do trabalho e a nossa Identidade Institucional”. 

Para a professora Andrea Bandeira, os dias atuando no abrigo renderam aprendizados sobre solidariedade, força e resiliência: “Em tempos tão adversos e desafiadores, estar aqui todo dia e conviver com cada pessoa nos faz ter esperança de dias melhores”.  

“Talvez nunca em nossa história de 75 anos colocamos a missão institucional tão em prática no que se refere à fundamentação dos direitos humanos como nestes 34 dias. O acesso aos direitos fundamentais foi garantido nas excelências da alimentação como primeira necessidade, na vestimenta, na habitação provisória, e todas as outras formas de dignidade e cidadania”, declara o professor Francisco Kern.  

Além do abrigo, a PUCRS montou um ponto de coleta e triagem no estacionamento do Centro de Eventos do Prédio 41, onde recebeu mais de 100 toneladas de alimentos, mais 100 toneladas de ração, mais de 140 toneladas de produtos de limpeza, mais de 40 mil litros de água, mais de 40 mil peças de roupas e mais de 40 mil itens de higiene.  

“Em meio às adversidades, testemunhamos o poder de mobilização das pessoas da nossa Universidade, a resiliência e a solidariedade que caracterizam o jeito PUCRS de ser e servir. Estivemos e ainda estamos unidos a nossos/as colaboradores que foram afetados e a cada pessoa que esteve no abrigo. Cada um e cada uma ajudando como pode. Expresso nosso profundo agradecimento a todos e todas que contribuem com esforços de voluntariado, doações e acolhimento neste momento tão desafiador. Estamos transformando vidas com generosidade e compaixão. Vamos juntos, temos muito pela frente, temos algo grande a (re)fazer”, declara Ir. Evilázio Teixeira, Reitor da PUCRS. 

Foto: Regina Albrecht

Outras iniciativas em diferentes áreas também estão em andamento para seguir ajudando as pessoas afetadas e contribuir para a reconstrução do Estado. Confira! 

Iniciativas para pessoas e negócios impactados: 

Iniciativas de estruturação de conteúdos seguros e verificados: 

Iniciativas de apoio direto à reconstrução do Estado 

Fotos: Eduardo Seidl, Giordano Toldo e Lucas Azevedo

Docente será reconhecida na 23ª edição do Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital 

Foto: Daniele Souza

A professora Soraia Musse, do Programa de PósGraduação em Ciência da Computação (PPGCC) da Escola Politécnica, é a Pesquisadora Homenageada do Simpósio Brasileiro de Jogos e Entretenimento Digital (SBGames), apoiado pela Comissão Especial de Jogos e Entretenimento Digital (CEJOGOS) da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) deste ano. A edição de 2024 acontece em Manaus, no Amazonas, entre 30 de setembro a 3 de outubro.  

Este é o maior evento acadêmico da América Latina nesta área de jogos e reúne professores, pesquisadores, estudantes e empresários que têm os jogos como objeto de investigação e produto de desenvolvimento. Anualmente são recebidos cerca de mil participantes de diferentes regiões do Brasil e de países como Peru, Argentina, Uruguai, Estados Unidos, Inglaterra, Portugal, dentre outros. 

“Eu fui uma das pesquisadoras da área de Computação Gráfica que criou esse simpósio e ele cresceu e se tornou um dos maiores na área. Já organizei o SBGames três vezes, inclusive, em 2014, aconteceu no Centro de Eventos da PUCRS. Através do SBGames, criamos a área de jogos entretenimento digital no Brasil, no que tange desenvolvimento científico, e que causa muito impacto na indústria. E sobre a premiação, eu fiquei muito feliz, orgulhosa e privilegiada de ser a terceira pesquisadora brasileira a receber esse prêmio e a primeira mulher”, comemora a professora da Universidade e coordenadora do VHLab, Soraia Musse.  

Sobre a docente  

Possui graduação em Bacharelado em Informática pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (1990), mestrado em Ciências da Computação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1994), mestrado em Cours Postgrade En Informatique Realité Virtuelle – Ecole Polytechnique Federale de Lausanne (1997), doutorado em Doctorat En Science – Ecole Polytechnique Federale de Lausanne na Suíça (2000) e pós-doutorado na Universidade da Pennsylvannia – USA em 2016.  

Sua pesquisa tem ênfase em Processamento Gráfico, principalmente nos seguintes temas: computação gráfica, agentes sintéticos virtuais, multidões de agentes virtuais, percepção visual e visão computacional. Já publicou mais de 60 artigos em periódicos, sendo vários deles de grande impacto. É a terceira pesquisadora mais citada na área de Simulação de Multidões, e a segunda mais citada na área de Simulação de Pedestres, de acordo com o Google Scholar. Na PUCRS, ela orienta alunos de graduação, mestrado, doutorado e bolsistas de pós-doutorado, coordena o Laboratório de Simulação de Humanos Virtuais (VHLab) e participa de outras estruturas de pesquisa. 

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O conteúdo dos guias rápidos foi produzido para auxiliar os voluntários que estão trabalhando na calamidade vivida pelo RS

Os abrigos precisam ser um local de acolhimento que apresente condições dignas e de segurança, observando as especificidades daqueles que mais precisam. / Foto: Giordano Toldo

A Escola de Comunicação, Artes e Design (Famecos) e a Escola de Negócios da PUCRS, em colaboração com pessoas que lideram ações em razão das enchentes, especialistas e outras instituições e organizações, lançaram um projeto colaborativo de comunicação com o propósito de apoiar os voluntários envolvidos nas tomadas de decisões diante da calamidade vivida pelo Rio Grande do Sul. Com isso, quatro guias rápidos para ajudar quem ajuda já estão disponíveis e há outros em elaboração. 

O projeto é uma realização da Famecos e da Escola de Negócios da PUCRS, do Design e da Fabico da UFRGS, do projeto Apura Verdade, da DZ Estúdio, do Fluímos Coletivo e da Paim, com base em documentos e no Plano de Contingências de Proteção e Defesa Civil de Porto Alegre. Confira detalhamentos abaixo e os Guias Rápidos na íntegra.

O primeiro guia foi pensado para a apoiar os agentes de impacto na comunicação e sinalização eficazes e humanizadas de locais como abrigos, centros de triagem e centros de distribuição de doações. Entre os temas abordados, estão a importância da comunicação humanizada, clara e objetiva, a eficácia da sinalização visual, a verificação das informações e a necessidade de cuidado.  

O segundo guia também busca apoiar os agentes de impacto a serem atores ativos contra a desinformação. Ele explora estratégias para evitar a desinformação, destaca a importância de se precaver contra golpes, ressalta que discurso de ódio não constitui opinião e lembra que os voluntários também desempenham o papel de agentes de informação.  

O terceiro guia serve como apoio para os agentes de impacto utilizarem a ferramenta dos grupos de WhatsApp como potencializadora do impacto, facilitando conexões e trocas eficientes em prol das necessidades das comunidades. Dentre os temas abordados, destaca-se a importância da comunicação organizada, estabelecimento de regras claras, modelos e padrões de mensagens, centralização de informações e solicitações, e verificação de notícias falsas.   

O último guia publicado versa sobre colaboração e trabalho em equipe no contexto do voluntariado, abordando boas-práticas e aprendizados sobre como o impacto pode ser potencializado em ambientes colaborativos. 

São objetivos do Serviço de Proteção em Situação de Calamidade Pública e Emergência: 

Os abrigos podem ser edificações públicos ou privadas, adaptadas para habitação temporária dos acolhidos e seus animais. Alguns espaços recebem apenas animais, com uma mobilização de voluntários para identificar os pets que têm donos a sua procura. A emergência ou calamidade pública pede proteção, assistência e cuidado às pessoas e famílias desabrigadas, principalmente aos vulneráveis como crianças, idosos ou pessoas com deficiências.  

As recomendações dos voluntários da Escola de Negócios são que os espaços sejam cobertos, para garantir proteção. Além de haver os setores de cadastro e triagem, cozinha e refeitório, espaços recreativos adultos e infantis, espaço para pets, lavanderia (mesmo que seja apenas tanque) e banheiros equipados com lavatórios, vasos sanitários e chuveiros, em quantidade que seja possível revezar e garantir a higiene das pessoas abrigados nos espaços temporários.  

Passo-a-passo para a organização do abrigo 

Um ponto que é fundamental para o funcionamento e organização do espaço de acolhimento temporário é a divisão de cargos e responsabilidades. A sugestão é que haja um coordenador para cada setor.  

Servir como oficial de ligação do abrigo com as autoridades municipais; supervisionar o funcionamento do abrigo. 

Auxiliar o coordenador geral nas suas atribuições; 

Elabora a escala de trabalho das equipes e voluntários; 

Realizar check-in e checkout de voluntários (incluindo designação de apoio a uma das coordenações do abrigo e credenciamento – crachá, etiqueta). 

Realizar procedimentos de check-in (cadastro, acautelamento de bens, disposição de famílias e animais na estrutura do abrigo) e procedimentos de checkout, visando adequado registro e levantamento de necessidades especiais dos acolhidos (restrições alimentares, receitas médicas, atendimento psicológico, contato/reconciliação com familiares). 

Garantir a organização e funcionamento do alojamento no que se refere a camas e roupas de cama, distribuição de materiais de higiene (sabonete, xampu, escova dental), roupas e agasalhos e limpeza geral. 

Planejar, organizar e supervisionar os cardápios e refeições do abrigo; Conservar e controlar estoques e observar necessidades de alimentação específicas dos acolhidos (restrições alimentares). 

Observar a segurança de todos no abrigo, acionando sempre que necessário as autoridades policiais designadas; 

Comunicar ao coordenador geral do abrigo qualquer questão de segurança. 

Organizar o funcionamento de espaços de TV ou rádio e acesso à internet; Promover atividades recreativas, culturais e educativas, visando o conforto e bem-estar dos acolhidos; 

Espaços para crianças com jogos, brinquedos, livros e atividades recreativas. 

Observar para que as atividades recreativas não interfiram de forma negativa no descanso das pessoas, atentando para horários de silêncio e refeições. 

Observar necessidades de cuidados aos animais acolhidos; 

Solicitar ao coordenador apoio veterinário, quando necessário; 

Agenciar questões relacionadas à tutela dos animais. 

Apoiar as demais coordenações do abrigo, controlando estoque de recursos materiais e doações, buscando garantir o fluxo adequado de suprimentos. 

Acolher demandas de saúde e assistência psicossocial, atuando no sentido de garantir os adequados encaminhamentos com equipes municipais de saúde, assistência, rede de saúde e voluntários. 

O guia ainda ressalta que as funções definidas na estrutura de coordenação devem idealmente ser desempenhadas por coordenadores revezando-se em turnos. Já o estabelecimento de uma rotina, com horários de refeições, recreação e descanso, pode contribuir com o fluxo de estoques, organização de processos e redução de estresse às pessoas no abrigo.  Recomenda-se também reuniões diárias para avaliar e programar mudanças e atividades.  

Saída dos acolhidos 

Para que as pessoas possam retornar para a casa, é preciso que o acesso esteja livre e seguro. Os voluntários também podem aconselhar questões de limpeza, planejamento financeiro e outros pontos que os desalojados necessitarão de auxílio.  

Confira: Veja como recuperar eletrodomésticos e veículos inundados.  

A edição de 2024 é voltada exclusivamente para pessoas com deficiência motora  

Realizada há 13 anos pelo Tecnopuc, a Aceleradora Inclusiva é um programa de formação básica em tecnologia da informação, coordenado pelo Farol – hub de impacto social do Parque, que conta com parceria da Thoughtworks e da Globo. A edição deste ano é a primeira voltada exclusivamente para pessoas com deficiência (PCDs) motora ou mobilidade reduzida. O programa irá conceder 25 vagas e interessados/as em aprender sobre tecnologia da informação de todo Brasil podem se inscrever até o dia 14 de junho neste link.

Maira Petrini, coordenadora do Farol Social Hub e professora da Escola de Negócios da PUCRS, acredita que capacitar pessoas com deficiência é crucial para promover inclusão social e igualdade de oportunidades. A professora afirma também que este movimento fortalece a autonomia e independência financeira destes indivíduos, melhorando a qualidade de vida e a autoestima.  

“No mercado de trabalho, a inclusão traz diversidade e inovação, ampliando o leque de talentos e beneficiando as empresas. Essa capacitação também combate preconceitos, promovendo uma sociedade mais justa e igualitária. Pessoas com deficiência contribuem para o desenvolvimento de produtos mais acessíveis, beneficiando um público mais amplo”, completa.  

Neste ano, a formação acontece de forma online, a partir de 1º de julho, e tem a duração de seis meses. Os/as jovens selecionados/as receberão uma ajuda de custo de R$ 750 mensais para se dedicarem ao programa. Além disso, os participantes terão a possibilidade de serem contratados pelas empresas que fazem parte da iniciativa.  

Não há necessidade de conhecimento prévio em tecnologia da informação para participar da seleção. Os pré-requisitos são:  

O programa tem como objetivo ensinar, de forma inclusiva, os fundamentos de lógica de programação e tecnologias web, além de trazer para o dia a dia conceitos e temáticas sociais, de maneira interdisciplinar, e oferecer um espaço seguro para o desenvolvimento de empatia ao abordar temas de acessibilidade, justiça econômica e social.  

Conteúdo da formação  

Cronograma 

*As datas poderão sofrer alterações em função do número de pessoas inscritas.

Inscreva-se

Atuação do SAJUG, ampliada devido à calamidade, auxiliará comunidade acadêmica

A partir desta quarta-feira (5), os estudantes e colaboradores da PUCRS terão à sua disposição mais um apoio neste momento de calamidade: o Serviço de Assistência Jurídica Gratuita da Universidade passará a atender demandas da comunidade acadêmica atingida pelas enchentes. Especializado em casos das áreas de Família, Cível e Penal, o SAJUG receberá novas demandas sob agendamento pelo telefone (51) 3320-3532. Os atendimentos acontecerão de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 21h30.

Focado em prestar apoio jurídico à comunidade carente de Porto Alegre e proporcionar aos alunos do Bacharelado em Direito uma experiência real de atendimento jurídico, o SAJUG integra o Núcleo de Prática Jurídica da Escola de Direito da PUCRS.

“Esta é mais uma iniciativa da Escola de Direito em direção ao acolhimento de famílias impactadas pela calamidade. O nosso Serviço de Assistência Jurídica estará à disposição dos alunos e funcionários, promovendo atendimentos e orientações jurídicas”, destaca o professor Marcos Eberhardt, coordenador do Núcleo.

Entre as ações do Núcleo de Prática Jurídica durante este período também estão a assistência jurídica prestada às famílias acolhidas abrigo da PUCRS — realizada em parceria com a Defensoria Pública da União e do Estado e o Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais — e as práticas de Justiça Restaurativa, realizadas no local em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul.

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Escola Politécnica oferece dicas de como higienizar os materiais e minimizar cheiros   

As enchentes que causaram estragos em quase todos os municípios do Rio Grande do Sul deixaram milhares de desabrigados, incluindo famílias inteiras e muitos animais de estimação. Além dos estragos materiais e emocionais, a recuperação ou reconstrução são processos complexos e demorados, e a sociedade também precisa se mobilizar para auxiliar quem mais precisa. A Universidade conta com o apoio de professores e estudantes voluntários, reunidos com o objetivo de levar informações relevantes sobre o contexto, perspectivas e ações práticas que possam ajudar.    

Caso seus aparelhos domésticos tenham sido danificados por inundações, neste caso há dois pontos críticos: a parte elétrica e o mau cheiro decorrente da água que ficou estagnada por um longo período. Neste material, os professores da Escola Politécnica buscaram na literatura como minimizar o odor utilizando itens facilmente encontrados. Se o equipamento foi molhado, não ligue na tomada, existem procedimentos técnicos para verificar se o equipamento continua em condições de uso, confira mais informações neste conteúdo: Como recuperar eletrodomésticos e veículos inundados  

No caso do mau cheio, não se esqueça de que é importante higienizar esses aparelhos com desinfetante antes de utilizá-los e de remover qualquer odor proveniente das impurezas presentes na água, principalmente aqueles equipamentos que entram em contato com alimentos (geladeiras, micro-ondas, torradeiras, entre outros). Se possível, utilize luvas para a etapa de higienização de limpeza inicial.   

Principais passos para eliminar mau cheiro 

Esse procedimento de retirada do cheiro deve ser realizado somente após a desinfecção adequada. Lembre-se que antes da higienização, é preciso retirar toda a sujidade em excesso, usando papel toalha, panos úmidos ou esponja (o ideal é usar materiais que possam ser descartados posterior o uso).    

Importante: não usar, inicialmente, água sanitária (somente se no manual do equipamento indicar este procedimento), pois pode danificar partes do objeto. Se não tiver ou conseguir o manual, não use água sanitária, mesmo diluída.   

1) Higienização utilizando Bicarbonato de Sódio   

Misture 2 litros de água com uma colher de sopa de bicarbonato de sódio para fazer a solução. Pegue um tecido molhado na mistura de bicarbonato de sódio para higienizar toda a superfície do equipamento. Seque com cuidado em seguida.  

 2) Limpeza utilizando Vinagre   

Combine vinagre (de maçã ou de álcool) e água. Na proporção de 1 parte de vinagre para 3 de água. Utilize um tecido molhado com essa mistura para higienizar o interior/superfície do equipamento.   

 Existem várias formas de eliminar os cheiros causados pelas inundações, procure aquela que melhor se encaixe na sua realidade e possibilidade.   

1) Carvão Vegetal   

Coloque um pote aberto de carvão dentro do equipamento. Substitua a cada 15 dias. Se o odor for muito forte, substitua o carvão a cada poucos dias.    

2) Maçã   

Pegue uma maçã, corte em pedaços e espalhe dentro do aparelho. A fruta deve ser mantida no equipamento por até 2 dias para eliminar os maus odores.   

3) Limão com cravo   

Corte o limão ao meio e acrescente os cravos. Coloque-o em um recipiente aberto nos equipamentos (pode ser utilizado também em armários ou guarda-roupas).    

4) Café   

Coloque uma xícara de café moído ou grãos dentro do equipamento e substitua a cada duas semanas. Quanto mais fino for o pó, mais eficaz será na absorção de odores. Caso seja viável, esprema um limão e acrescente uma colher de café em pó. Mexa até ficar homogêneo e utilize esta mistura nos equipamentos.  

Veja ainda: Como recuperar livros que entraram em contato com umidade?   

Objetivo foi realizar atividades para redução do trauma causado pelas enchentes no RS 

Além do auxílio às crianças, a Associação da Pedagogia de Emergência também realizou três workshops gratuitos. / Foto: Giordano Toldo

Na última semana, a Associação de Pedagogia de Emergência do Brasil esteve no Parque Esportivo da PUCRS para realizar atividades com as crianças abrigadas no local. Cerca de 15 profissionais dedicaram seus dias para atender, acolher e conversar com meninos e meninas que, desde o dia 4 de maio, enfrentam um evento traumático. 

“Tudo que eles estão vivendo agora, relacionado à desorganização e desestabilização, é algo normal. Diante de uma situação de ameaça, o normal é fugir e enfrentar ou paralisar. Nós sabemos que as enchentes que destruíram cidades, bairros e casas são uma catástrofe absurda, um evento gigantesco que afetou um estado. Se isso desestabiliza os adultos, as crianças são ainda mais impactadas. Elas estão sem escola, sem casa, sem cama, sem os brinquedos”, relata William Boudakian, presidente da Associação de Pedagogia de Emergência do Brasil. 

A Pedagogia de Emergência existe para ajudar a organizar esses espaços, a criar oportunidades de acolhimento, de escuta e de expressão. Por isso, nos atendimentos, as crianças participam de jogos, brincadeiras, trabalhos manuais, atividades de ritmos, música, dança e rodas de conversa. 

As atividades são separadas por idades. Na primeira infância, o foco é a estabilização, levando calma, tranquilidade, lucidez, acolhimento e colo. Já para as crianças acima de seis anos, a Associação desenvolve atividades pedagógicas. “Nós usamos muito as manualidades. É no trabalho com fios que, muitas vezes, eles ficam no repouso mental concentrado, dando um respiro”, destaca. 

O grupo já trabalhou também nas enchentes que atingiram o Vale do Taquari, no RS, em 2023, e na tragédia de Brumadinho com as famílias que foram vítimas do desmoronamento da barragem. “Nós sabemos como essas catástrofes ficam impregnadas na gente. Por isso, o brincar, a ludicidade e a arte geram a possibilidade de nos reencontrarmos com nós mesmos”. 

Além do auxílio às crianças, a Associação da Pedagogia de Emergência também realizou três workshops gratuitos, em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu) da PUCRS, Secretaria Estadual da Saúde, Secretaria Estadual do Desenvolvimento Social e a Secretaria Estadual da Educação, para apoiar voluntários e profissionais que estão na linha de frente da tragédia no Rio Grande do Sul. “A presença dessa equipe no abrigo da PUCRS nos ajudou a ver uma outra forma de atendimento, de lidar com as crianças e de acalmar. Nós trabalhamos de forma emergencial mesmo, mas eles nos mostraram que podemos atuar de uma forma mais tranquila, acolhendo e sendo o apoio para as crianças se expressarem”, explica Bettina Steren, coordenadora do PPGEdu Educação da Escola de Humanidades da PUCRS, que esteve à frente, junto com a coordenadora do Laboratório das Infâncias (LabInf), Andreia Mendes dos Santos, das atividades com as meninas e meninos no abrigo. 

“A gente entende que, nesse momento, as crianças precisam de primeiros-socorros para a alma, para se reintegrarem e atravessarem esse momento. A nossa intenção é que outros educadores e voluntários possam acompanhar o trabalho e consigam olhar para cada um deles em suas necessidades. Se as crianças já têm feridas, já têm machucados, a enchente foi mais um”, finaliza William. 

Fotos: Giordano Toldo

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Interessados/as podem se inscrever até domingo, dia 9 de junho 

Dando seguimento às iniciativas de acesso à educação superior, a PUCRS abre hoje as inscrições para a terceira edição Programa Raízes. Nesse novo edital, a iniciativa irá destinar uma bolsa integral de graduação presencial para candidatos/as pretos/as, pardos/as e indígenas em 23 cursos da Universidade. As inscrições foram prorrogadas até as 23h59 de domingo, dia 9 de junho, exclusivamente neste link.

Podem participar da seleção pessoas que estejam em comprovada situação de vulnerabilidade socioeconômica, que residam em Porto Alegre ou na Região Metropolitana e que tenham realizado o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) entre 2019 e 2023. Os/as interessados/as também precisam obter aprovação no Vestibular da PUCRS 2024/2 para o respectivo curso pretendido, tendo realizado sua inscrição por meio da Modalidade II (seleção pela nota do ENEM).  

Depois da pré-aprovação da documentação pela comissão de seleção, os/as candidatos/as pré-selecionados precisam se inscrever no Vestibular 2024/2 até o dia 10 de junho. 

Confira o edital

Para concorrer a uma bolsa do Programa Raízes, é preciso:    

Fique ligado/a nas datas importantes:  

Inscrições  

Pré-análise e Vestibular 2024/2 

Avaliação e resultado do Vestibular   

Primeiro contato    

Entrevista  

Resultado   

Matrícula  

FAQ – dúvidas frequentes Programa Raízes  

Quais são os documentos que preciso entregar? Como é o processo?  

O/a candidato/a deverá, de acordo com o cronograma estabelecido, anexar os documentos (em formato digital), no formulário digital durante a inscrição no Programa Raízes. Os documentos são:  

Fique atento/a:   

Como a nota do ENEM é Calculada?  

A pontuação será resultante da média aritmética dos pontos obtidos nas 4 áreas e na redação, divididos por 5, a saber, (N1+N2+N3+N4+N5)/5. Caso o (a) candidato (a) inscrito (a) não seja identificado (a) pelo INEP ou apresente dados incoerentes com os do INEP, sua inscrição na Modalidade II estará automaticamente cancelada.  

Quais cidades da região metropolitanas são contempladas no programa?  

Porto Alegre, Alvorada, Araricá, Arroio dos Ratos, Cachoeirinha, Campo Bom, Canoas, Capela de Santana, Charqueadas, Dois Irmãos, Eldorado do Sul, Estância Velha, Esteio, Glorinha, Gravataí, Guaíba, Igrejinha, Ivoti, Montenegro, Nova Hartz, Novo Hamburgo, Parobé, Portão, Rolante, Santo Antônio da Patrulha, São Jerônimo, São Leopoldo, São Sebastião do Caí, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Viamão, Taquara e Triunfo.  

Como é feito o cálculo de renda?   

O resultado da renda per capta é a soma dos rendimentos da unidade familiar dividido pelo número de pessoas que a compõe, de modo que o resultado, por pessoa, não exceda a 1 (um) salário-mínimo nacional. Considera-se unidade familiar as pessoas residentes no mesmo domicílio mediante comprovação, independente do vínculo ou relação existe entre as pessoas que ali vivem.   

Auxílios do Governo Federal contam na renda familiar?  

Não. O Bolsa Família e/ou auxílio Brasil e Benefício da Prestação Continuada não são considerados componentes da renda familiar.  

Quais cursos são contemplados neste edital? E em quais turnos esses cursos serão ofertados?   

Administração – Linha de formação Administração de Empresas (noite), Arquitetura e Urbanismo (***), Ciência da Computação (***), Ciência de Dados e Inteligência Artificial (***), Ciências Econômicas – Linha de formação Economia (noite), Comunicação Empresarial (***), Design (manhã), Direito (noite), Educação Física – Bacharelado (noite), Engenharia Civil (noite), Engenharia de Computação (***), Engenharia de Produção (noite), Engenharia de Software (noite), Engenharia Mecânica (noite), Engenharia Química (noite), Escrita Criativa (noite); História – Bacharelado (manhã), Jornalismo (noite), Produção Audiovisual (manhã), Psicologia (noite), Publicidade e Propaganda (manhã), Publicidade e Propaganda (noite), e Sistemas de Informação (noite). 

Atenção: As aulas dos cursos assinalados com asteriscos (***) são ministradas pela manhã e/ou tarde e/ou noite, podendo variar de acordo com o semestre. Portanto, o/a aluno/a deverá ter disponibilidade de horário para cursar disciplinas em qualquer turno.    

O que acontece se eu não conseguir estudar no turno do meu curso escolhido?  

No caso de indisponibilidade para cursar a graduação na opção de turno e linha de formação indicado pela Universidade, o/a candidato/a será desclassificado/a e o/a suplente será chamado/a.  

Existe alguma taxa para participar do processo de seleção?  

Não. O Programa Raízes prevê a isenção da matrícula e a concessão de bolsa integral sobre o valor da mensalidade do curso para o qual o/a candidato/a selecionado/a realizou o vestibular.  

Atenção: Os custos que o/a candidato/a terá durante o seu percurso formativo na Universidade são de sua responsabilidade, não estando incluídas no programa quaisquer despesas que não, única e exclusivamente, a matrícula e as mensalidades do respectivo curso do candidato beneficiário, dentro do prazo ordinário de conclusão do curso. 

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Evento aconteceu de forma online na última sexta-feira

A Escola de Comunicação, Artes e Design da PUCRS realizou a primeira edição do projeto Roda de Conversas Famecos — Viver, pensar e comunicar. O tema inicial foi o questionamento “Como ficamos depois das enchentes de 2024?” e contou com dois painéis: Qual é o lugar da comunicação pública nas crises e A comunicação como valor no enfrentamento ao evento extremo do Rio Grande do Sul. Abaixo, separamos algumas reflexões dos painelistas convidados.  

Qual é o lugar da comunicação pública nas crises? 

Priscila Oliveira, jornalista na assessoria da Vice-Presidência de Relações Político-Institucionais da Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), acredita que a comunicação, neste contexto, deve, em primeiro lugar, garantir a segurança e o bem-estar da sociedade. Ela afirma que a comunicação pública é um instrumento poderoso que serve de guia e orientação.

“Manter todos informados sobre eventos climáticos iminentes é essencial para que possam se preparar adequadamente e tomar as medidas necessárias para se proteger. A transparência e a prontidão na comunicação pública podem salvar vidas e minimizar os impactos negativos das catástrofes”, explicou Priscila.

A profissional também destacou a importância de estabelecer fluxos de comunicação em crise, buscando oferecer à população respostas rápidas; além de manter relacionamento franco e ágil com a imprensa, fortalecendo o enfrentamento à desinformação.  

Roberta Brum, jornalista e coordenadora de comunicação do Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (DMAE), exemplificou que o lugar da comunicação está na transparência e clareza dos conteúdos compartilhados pelos meios oficiais do departamento, bem como no atendimento das dúvidas que chegam, principalmente pelas redes sociais. “Organizei o trabalho por pílulas, como, por exemplo, intitulando ‘O DMAE Responde’, buscando humanizar e simplificar a comunicação para esclarecer tudo o que estava acontecendo, por meio de conteúdos lúdicos, com o intuito de deixar a população o mais informada possível”, exemplificou. Roberta também mencionou a importância de combater a desinformação, explicando que parte da gestão da crise foi direcionada para esclarecer o que era verdade ou falso.  

Cristiane Franco, jornalista e Secretária Municipal de Cidadania e Direitos Humanos e coordenadora de Comunicação Social da Prefeitura de Esteio, destacou a importância da comunicação na contingência. Ela exemplificou que, nos últimos anos, o município vinha enfrentando cheias, o que levou à criação de um plano de contingência que envolveu todas as secretarias municipais, incluindo a comunicação.

“Dar respostas rápidas à comunidade sempre foi a nossa preocupação. Com o histórico das cheias e as informações de que grandes chuvas afetariam o município, revisitamos o plano de contingência, pensando em quem comunicaria o que, quem montaria os abrigos, e quem abasteceria as redes sociais. Então, montamos os abrigos e informamos as pessoas sobre isso. Assim, elas sabiam para onde ir. No início, foram mais de 40 horas de trabalho ininterrupto,” explicou Cristiane.  

Assista

A comunicação como valor no enfrentamento ao evento extremo do Rio Grande do Sul

Arlise Cardoso, publicitária e analista de marketing da Calçados Beira Rio, aplicou seus conhecimentos em comunicação para auxiliar a empresa, cujas fábricas foram afetadas pelas enchentes devido à sua localização às margens de rios, como sugere o próprio nome. Com o histórico de grandes chuvas nos últimos meses, essa questão já estava na pauta de Arlise. Assim, ela conseguiu contribuir em outras frentes, incluindo a organização do projeto “Resgatados RS,” uma iniciativa destinada a conectar pessoas desaparecidas com aquelas que haviam sido resgatadas.

“Com o diploma em comunicação em mãos, pensei: preciso fazer essas informações se encontrarem – que era a de resgatados e a de desaparecidos. Criei um drive com dados importantes, como nome das pessoas, local de resgate e o abrigo em que ela estava, e divulguei que estava abastecendo essa base de dados. Em seguida, comecei a entrar em contato com as prefeituras e outras entidades, conseguindo novas listas dos abrigos. Com a ajuda de outros amigos voluntários, fomos digitalizando essas listas e organizando as informações, sempre buscando outros abrigos para ampliar nossas informações. Em pouco tempo, tínhamos mais de 11 mil nomes nessa lista”, conta a publicitária.

Depois disso, Arlise estabeleceu parcerias com outras pessoas que estavam realizando iniciativas semelhantes, visando unir dados e tornar o processo mais eficaz.  

Danielle Mattos, relações-públicas e gestora da Equipe G, uma empresa de gestão de eventos, e responsável pelo Centro de Eventos da Associação Médica do RS (Amrigs), ocupou outro lugar importante no enfrentamento da crise ao liderar um centro de doações/distribuições, localizado, inicialmente, na própria Amrigs. Suas responsabilidades envolviam a organização de cadastros de voluntários e a estruturação de setores de trabalho, como os de triagem e recebimento de doações. Além disso, com o auxílio de outros voluntários, coordenou uma equipe para identificar e atender às necessidades das pessoas que precisavam das doações, garantindo também o eficiente envio dos recursos arrecadados. Foi necessário também organizar cadastros de motoristas voluntários para fazer essa ponte. Dias depois, o centro de doações foi transferido para o Clube Farrapos, para que a Amirigs pudesse direcionar seus esforços para outras áreas, especialmente relacionadas à medicina.

“Não tínhamos ideia do tamanho que isso tinha tomado, pois começamos a ser um centro de distribuição de referência da própria prefeitura, e doações grandes, como carretas vindas de São Paulo, por exemplo, começaram a nos contatar. Começamos a receber em torno de oito carretas por dia. Foi montada uma operação logística muito grande. Somos voluntários de diferentes áreas e, dia após dia, vamos aprimorando nossos processos”, explica Danielle.   

Lara Ely, jornalista e especialista em Gestão Ambiental, está atualmente cobrindo as enchentes para o Metrópoles e a Agência Pública, trazendo ao debate o lugar da imprensa nesse contexto. Recentemente, Lara estava realizando um doutorado sanduíche na França e retomou suas atividades profissionais neste cenário, o que a aproximou ainda mais do campo da reportagem.

“Observando todos os movimentos que a Arlise e a Danielle comentaram, assim como os esforços voluntários e as mobilizações, coloquei minhas habilidades a serviço do que fosse útil dentro do que eu consigo fazer, e prontamente a reportagem me chamou. Comecei fazendo uma reportagem ambiental, ouvindo especialistas, e logo depois comecei a fazer reportagens diárias. Histórias de resgate, de animais, histórias emocionantes, até histórias duras e sofridas, eu me emocionei muito com essas histórias e pude perceber que estava adormecido em mim esse espírito de repórter. A minha escuta seria de alguma forma útil para aquelas pessoas para que a história delas fosse reconhecida em todo o país”, explica Lara.   

A Roda de Conversas da Famecos é um projeto contínuo que contará com próximas edições ao longo do mês. A proposta é que o projeto continue aproximando profissionais, professores e estudantes para refletir sobre diferentes temas. Os painéis na íntegra estão disponíveis no YouTube (link). 

Confira

Esta será a temática da primeira edição do projeto Rodas de Conversa – Viver, pensar e comunicar

A conversa irá acontecer em dois turnos e não é preciso inscrição prévia. / Foto: Palacio Piratini

A Escola de Comunicação, Artes e Design – Famecos da PUCRS está lançando o projeto Rodas de Conversa – Viver, pensar e comunicar. O objetivo é reunir estudantes, profissionais e pesquisadores para refletir sobre o lugar da comunicação em diferentes contextos. Na primeira edição de diálogos, que ocorre online, o tema será: Como ficamos depois das enchentes de 2024? As primeiras atividades estão marcadas para sexta-feira, 31 de maio. O primeiro encontro ocorre no turno da manhã, das 9h às 10h30 e, o segundo, à noite, das 19h15 às 20h30. 

A primeira edição terá como painel inicial o tópico Qual o lugar da comunicação pública nas crises?, previsto para ocorrer às 9h. Entre os painelistas estão a jornalista Roberta Brum, coordenadora de comunicação do Departamento Municipal de Água e Esgotos de Porto Alegre (DMAE); Priscila Oliveira, jornalista na assessoria da Vice-Presidência de Relações Político-Institucionais da Atricon e do gabinete do conselheiro ouvidor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS); e Cristiane Franco, jornalista e Secretária Municipal de Cidadania e Direitos Humanos e a coordenação da Comunicação Social e Eventos Institucionais da Prefeitura de Esteio. O coordenador do curso de jornalismo da Famecos, Deivison Campos, será o mediador.  

O segundo painel, previsto para ocorrer às 19h15, terá como tópico A comunicação como valor no enfrentamento ao evento extremo do RS, com a participação de Arlise Cardoso, publicitária e analista de marketing da Calçados Beira Rio. No contexto de calamidade no RS, fundou o Resgatados RS, um banco de dados destinado a mapear resgatados e abrigados; Danielle Mattos, relações-públicas, gestora da Equipe G, empresa de gestão de eventos, e do Centro de Eventos da Associação Médica do RS (Amrigs), e que no enfrentamento à crise passou a coordenar o Centro de Distribuição Farrapos; Kessler Almeida, advogada e Gerente de Gente & Gestão na Ambev; e Lara Ely, jornalista e especialista em Gestão Ambiental, que atualmente cobre as enchentes para Metrópoles e Agência Pública. A coordenadora do curso de Relações Públicas e Comunicação Empresarial da Famecos, Denise Pagnussatt, será a mediadora.  

Os painéis não requerem inscrição e irão ocorrer via Zoom.  

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