Centro de Pesquisas e Conservação da Natureza Pró-Mata, em São Francisco de Paula, se destaca entre iniciativas de 56 países representados

Professor Júlio César Bicca-Marques, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida, integra pesquisa internacional sobre a importância da conservação de estações de pesquisa de campo / Foto: Matheus Gomes

O professor da Escola de Ciências da Saúde e da Vida Júlio César Bicca-Marques integrou o artigo internacional Tropical field stations yield high conservation return on investment (Estações de campo tropicais geram alto retorno sobre o investimento em conservação) ao lado de outros 172 pesquisadores que representam 157 estações de campo em 56 países. Publicado na revista Conservation Letters, os autores defendem que as estações de pesquisa de campo têm um alto retorno sobre o investimento e são ferramentas essenciais e altamente eficazes para a conservação da biodiversidade

O estudo consiste em uma pesquisa concentrada em estações de campo em países principalmente tropicais e subtropicais, para entender o impacto da pandemia sobre o financiamento e avaliar os benefícios de conservação das estações de campo. As descobertas incluem a melhoria da qualidade do habitat das áreas circundantes, reduzindo o desmatamento nas proximidades, reduzindo as taxas de caça e melhorando a aplicação das leis relativas ao uso da vida selvagem e à extração de recursos. Além disso, 93% contratam moradores locais, apoiando a economia local, além de gerar resultados científicos significativos que informam as políticas de conservação. 

Importância do investimento 

Trilhões de dólares americanos foram mobilizados para a recuperação econômica após a pandemia, mas os autores levantam a preocupação de que os recursos para lidar com a perda de biodiversidade e as crises climáticas sejam limitados em um momento em que são mais urgentemente necessários. A pandemia fez com que aproximadamente metade das estações de campo pesquisadas fechasse parcialmente, e cerca de 25% permaneceram parcial ou totalmente fechados, com a maioria das estações de campo sofrendo uma redução total no financiamento. 

“Um desafio fundamental é que os governos e outras agências de financiamento não estão considerando o verdadeiro retorno sobre o investimento em conservação e não percebem o papel econômico fundamental dos serviços de ecossistema que estão sendo protegidos por essas estações de campo”, diz Timothy Eppley, principal autor do artigo, Diretor de Conservação da Wildlife Madagascar e ex-bolsista de pesquisa de pós-doutorado da San Diego Zoo Wildlife Alliance. 

Eppley e os coautores sugerem que o trabalho das estações de pesquisa de campo geralmente é interdisciplinar. Além disso, alguns dos benefícios diretos e indiretos da pesquisa, da educação e do envolvimento público que ocorrem nas estações de campo têm objetivos de longo prazo que os modelos atuais de análise de custo-benefício não captam. 

Atuação da PUCRS é destaque 

“No contexto da realidade que identificamos nas estações de pesquisa de campo ao redor do mundo, o investimento de longo-prazo da PUCRS no Pró-Mata se destaca e orgulha a comunidade científica e conservacionista gaúcha”, comenta Bicca-Marques. 

Além de conter uma importante Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), área de proteção ambiental do Sistema Nacional de Unidades de Conservação que contribui com a conservação da biodiversidade e a mitigação da emergência climática em sua área, o Pró-Mata é um excelente local para pesquisas científicas. “Sua recente integração ao rol de sítios de estudo do Programa de Pesquisas Ecológicas de Longa-Duração (PELD) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) ilustra a sua importância para a ciência e a conservação da natureza”, comenta o professor, coautor do artigo. 

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Disciplina Empreendedorismo Digita é ofertada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação, da Escola Politécnica. / Foto: Divulgação Tecnopuc

De que forma as pesquisas desenvolvidas nos programas de pós-graduação da PUCRS podem gerar mais impacto na sociedade?  Essa é a provocação central da disciplina Empreendedorismo Digital: Transformando Conhecimento em Desenvolvimento, ofertada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC), da Escola Politécnica, mas que pode ser cursada por estudantes de todos os programas de pós-graduação da Universidade.     

Luiz Gustavo Leao Fernandes, diretor de Pós-Graduação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESQ) explica que acompanhando tendências dos cenários nacional e internacional, os cursos de mestrado e doutorado da PUCRS vêm cada vez mais apresentando oportunidades formativas que aproximem a pesquisa acadêmica da inovação e do empreendedorismo.

“Iniciativas como a disciplina de Empreendedorismo Digital do PPGCC são belas oportunidades de aproximação de diferentes áreas do conhecimento e lançamento de projetos interdisciplinares de empreendedorismo. Juntam-se a esta disciplina outras iniciativas, como o lançamento, em 2023, da possibilidade de os alunos de pós-graduação obterem créditos por atividades de inovação e empreendedorismo durante seus cursos e o Programa Hangar, que oferece a oportunidade para estudantes da pós-graduação stricto sensu aprenderem a transformar suas pesquisas em negócios”, destaca. 

Realizada ao longo de duas semanas durante o mês de janeiro, na modalidade intensiva, a edição de 2024 reuniu mestrandos e doutorandos de quatro programas: Ciência da Computação, Direito, Engenharia e Tecnologia de Materiais e Psicologia. Ministrada pelos professores Jorge Audy e Rafael Prikladnicki, superintendente de inovação e desenvolvimento e assessor da superintendência de inovação e desenvolvimento do Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc), respectivamente, a disciplina contou, ainda, com convidados para abordar tópicos específicos.     

Milene Selbach Silveira, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação destaca que oferecer oportunidades de formação sobre inovação e empreendedorismo permite tanto estimular a criação de novos negócios, quanto fomentar atitudes inovadoras e empreendedoras no dia a dia de mestrandos/as e doutorandos/as.

“Além deste foco, que é o cerne da disciplina, as trocas possibilitadas entre estudantes de diferentes áreas do conhecimento são outro fator fundamental. Cada vez mais temos estudantes de outros cursos em nossas disciplinas, trazendo suas vivências sobre o assunto, o que tem proporcionado discussões riquíssimas em sala de aula e oportunidades de realização de trabalhos conjuntos incorporando estes diferentes saberes e perspectivas”, declara.   

Foto: Divulgação Tecnopuc

Longe de ser uma proposta isolada, a disciplina é exemplo das oportunidades que os estudantes da PUCRS têm de vivenciar uma trajetória de inovação e empreendedorismo na Universidade, bem como de transformar seu conhecimento em impacto social positivo. Dentro dessa perspectiva, estão o Track Startup, que integra as sete Escolas da Universidade, o Laboratório Interdisciplinar de Empreendedorismo e Inovação da PUCRS (Idear) e o Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc) com o objetivo de fortalecer o ecossistema de inovação.

A iniciativa envolve disciplinas nos diferentes cursos; eventos – como a Maratona de Inovação e o Tecnopuc Experience; programas, como o Startup Garage; e atendimentos individualizados pelas equipes do IDEAR e do Tecnopuc Startups. Na pós-graduação, destaca-se o Programa Hangar – direcionado a apoiar estudantes na transformação de seus projetos de pesquisa em negócios.      

Sobre as aulas 

Organizada em oito encontros e com carga horária total de 30 horas-aula, a disciplina Empreendedorismo Digital oferece uma imersão no ecossistema de inovação da Universidade. Mesclando aulas teóricas e práticas, os alunos aprendem sobre inovação e conhecem recursos para explorar suas pesquisas sob a ótica do empreendedorismo e do impacto.   

Na aula com a equipe do Tecnopuc Startups, por exemplo, o grupo aprendeu a montar um Lean Canvas – ferramenta de gerenciamento estratégico adaptada do Business Model Canvas para a realidade de startups, e a fazer um pitch – modelo objetivo e rápido de apresentação de negócios, projetos e ideias. Além da abordagem desses assuntos, realizada por Vinícius Becker e Pedro Lunelli, do Tecnopuc Startups, os estudantes tiveram um bate-papo com representantes de duas startups que integram o Tecnopuc: Débora Engelmann, da Whispers, e Julia Couto, da NoHarmAI. Em comum, ambos os negócios foram originados de pesquisas realizadas na Pós-Graduação.   

Também houve uma visita pelo Tecnopuc, guiada por Daniel Laguna, líder de prospecção, na qual o grupo pode conhecer mais a estrutura do Parque, bem como os programas nele desenvolvidos e as empresas integrantes do ecossistema – de startups a corporates. Já no último encontro, os alunos apresentaram seus projetos de pesquisa em um pitch de até cinco minutos, preparado a partir do Lean Canvas por eles preenchido. Uma banca composta por Pedro Lunelli, Gabriele Jeffman e Jéssica Rodrigues, do Tecnopuc Startups, avaliou as apresentações e destacou as conexões que os estudantes conseguiram fazer entre suas pesquisas científicas e a adaptação delas como propostas para o mercado.   

“Criamos essa disciplina após uma provocação e um convite do então coordenador do PPGCC, professor Luiz Gustavo – atual diretor de pós-graduação na PROPESQ. Desde então, sempre nos surpreendemos com a repercussão e o interesse genuíno dos alunos em conectar cada vez mais sua pesquisa com o impacto que ela pode gerar na sociedade. O fato de a cada ano aumentar o número de alunos de diversos programas de pós-graduação da Universidade que se matriculam demonstra o quanto esse tema é importante e necessário. E isso só aumenta a nossa responsabilidade de continuar discutindo inovação, desenvolvimento e impacto na sociedade em todos os níveis de ensino na PUCRS”, avalia Prikladnicki.   

Foto: Giordano Toldo

A avaliação feita pelo grupo de estudantes ao final das aulas vai ao encontro da fala do professor Rafael.

“A disciplina foi extremamente importante para mim, principalmente porque estou no primeiro semestre, ainda definindo o que pesquisarei. Entrei com muitas dúvidas e saio dela com muitas outras perguntas, mas são perguntas muito mais assertivas, que vão me direcionar para o lugar que quero ir. Isso já me ajudou muito. Fora a questão de toda essa mentalidade, desse ecossistema de inovação que a gente vivencia ao longo dessas duas semanas. Isso realmente é enriquecedor e motiva muito para criar coisas novas”, avalia Neverson Santos, que está no início do mestrado em Ciência da Computação.     

Gabriel Hamester, bacharel e mestre em Direito pela PUCRS e doutorando do segundo ano de Direito, compartilha da opinião do colega e destaca a possibilidade que a disciplina deu para os alunos testarem seus problemas de pesquisa de forma aplicável e de se relacionar com estudantes de outras áreas para criar soluções com base em suas descobertas acadêmicas: “Essa disciplina me trouxe certeza daquilo que quero pesquisar e, principalmente, aplicar. E o próprio Parque me dá a oportunidades de construir essa trilha e buscar efetivar esse problema. No meu caso, é um problema que envolve a sociedade e eu preciso buscar parceiros em outras áreas que vão contribuir”, enfatiza.   

Para além da disciplina   

Oferecida desde 2020, a disciplina já teve diferentes formatos: vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação e aberta a todos os pós-graduandos da PUCRS, bem como adaptada para necessidades específicas dos programas das escolas de Negócios, Direito e Medicina. Seus resultados têm sido observados para além dos créditos e desempenhos acadêmicos.   

Júnior César Alves, CEO e founder da Aidron, fez a disciplina enquanto estava no Mestrado em Ciência da Computação. Ele conta que já tinha começado a empreender, mas que as aulas abriram uma série de visões sobre como estruturar o modelo de negócios. Hoje, a startup do Júnior é integrante do Tecnopuc e vinculada ao NAVI – Hub de AI e Ciência de Dados liderado pelo Tecnopuc e pela Wisidea Ventures: “O principal diferencial é o networking que o Tecnopuc proporciona. São iniciativas de fomento nas startups, transcendendo de apenas um local onde me reúno com outros empreendedores. Fora as seções de mentoria que estão sempre dispostos a fazer”, declara o empreendedor.  

FAÇA MESTRADO OU DOUTORADO NA PUCRS

Repositório institucional da Biblioteca Central Ir. José Otão abriga a pesquisa científica e acadêmica da Universidade/ Foto: Bruno Todeschini

Muito além do ensino, a pesquisa acadêmica e científica também é um dos pilares fundamentais de uma universidade. E tão importante quanto os resultados destas pesquisas é o armazenamento e a disponibilização deles para que o conhecimento produzido esteja à serviço dos mais diferentes desafios da sociedade. Para isso, a Universidade possui uma plataforma especialmente destinada a este fim: o Repositório Institucional da PUCRS. Clarissa Selbach, bibliotecária responsável pelo Setor de Tratamento da Informação da Biblioteca Central Ir. José Otão, explica que se trata de um ambiente de armazenamento digital de acesso aberto que abriga e organiza a produção acadêmica, científica e cultural gerada.  

“A ferramenta possui arquivos digitais de artigos, trabalhos em anais, livros, capítulos de livro, teses, dissertações e os documentos institucionais de cunho público produzidos e selecionados pela Administração Superior da PUCRS como, por exemplo, estatutos, anuários, relatórios, entre outros”, explica ela. 

O que um material precisa para entrar no repositório? 

O volume de conteúdo armazenado no repositório não é pouco: atualmente, a plataforma possui mais de 60 livros em texto completo, dez mil teses e dissertações defendidas nos Programas de Pós-Graduação (PPGs) da PUCRS, 500 capítulos de livros, nove mil artigos de periódicos e 3.500 trabalhos publicados em eventos. No entanto, há alguns requisitos necessários para que um material seja incluído no repositório: 

Qual a importância de um repositório institucional? 

O repositório é uma possibilidade de garantir a preservação da memória da produção acadêmica e científica da Universidade em formato digital, por tempo indeterminado. Além disso, é um ambiente seguro e controlado, independentemente de término de vínculo do autor com a instituição ou extinção da área de atuação. O software do repositório garante a estabilidade dos trabalhos, tornando a citação a ele tão confiável quanto um jornal acadêmico.  

Clarissa destaca que o repositório é fundamental para uma instituição como a PUCRS, em termos de visibilidade e acessibilidade, pois os trabalhos são disponibilizados de forma online e com acesso aberto, permitindo que sejam facilmente encontrados por meio de ferramentas de busca e bases de dados (no Google Scholar, por exemplo), contribuindo para a utilização destas informações pela comunidade. 

“Nossa ideia é fomentar esta ferramenta para que os professores e pesquisadores disponibilizem seus trabalhos em acesso aberto para que possamos incluir no Repositório. Quanto mais trabalhos publicados nele, melhor também a posição da PUCRS em rankings universitários. São diversos benefícios para a pesquisa acadêmica e a comunidade científica no geral”, pontua Clarissa. 

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mestrado ou doutorado em área diferente da graduação

Realizar mestrado ou doutorado em uma área diferente da graduação é uma oportunidade de adquirir conhecimentos completares. / Foto: Envato Elements

Sim, é possível ingressar em uma formação stricto sensu em uma área diferente da sua graduação. Realizar mestrado ou doutorado em outra área, além de ser uma oportunidade de adquirir conhecimentos complementares, também pode ser um diferencial para a carreira. Esse foi o caso de Henrique Helms, alumnus de Ciências Aeronáuticas que decidiu ingressar no Programa de Pós Graduação em História, da Escola de Humanidades, para estudar a influência da aviação na proliferação dos vírus da Covid-19.  

Para ingressar em um curso de mestrado ou doutorado em uma área diferente da graduação, o primeiro passo é estar atento aos editais de seleção dos programas de pós-graduação para conhecer quais áreas são estudadas e identificar quais formações são aceitas para a candidatura. Alguns PPGs exigem formação específica em uma determinada área do conhecimento, outros são mais abrangentes.  

Se a sua formação estiver dentro das áreas permitidas para o ingresso no PPG da sua escolha, basta se candidatar normalmente. É importante saber que você não terá desvantagens no processo seletivo por ter realizado a graduação em outra área.  

Como se preparar para o ingresso   

Uma das formas de se aproximar dos temas estudados nos PPGs é buscar informações nas páginas dos programas. Além de dados gerais, elas também apresentam o corpo docente e as estruturas de pesquisa (grupos, laboratórios, núcleos e centros) vinculadas aos professores que atuam no PPG. Conhecer em mais detalhes o tipo de pesquisa, que é conduzida pelos pesquisadores nas referidas estruturas, permite que você adquira maior familiaridade com a área que ingressará. Se apropriar desses conhecimentos também favorece a construção do projeto de pesquisa.  

Essa aproximação ainda auxilia o processo de identificação dos docentes que realizam estudos em temas que você possui interesse. O contato com esses professores pode ser estabelecido via e-mail e posteriormente evoluir para uma ou mais entrevistas, em que o candidato e o pesquisador avaliarão se existe interesse mútuo em prosseguir com a elaboração de uma candidatura.  

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Inscrições abertas para o mestrado e doutorado na PUCRS

As inscrições para o Mestrado e Doutorado na PUCRS estão abertas. / Foto: Envato

Se você decidiu cursar mestrado ou doutorado, talvez tenha se deparado com um item no edital chamado “projeto de pesquisa”. Esse é um dos requisitos dos processos seletivos de alguns Programas de Pós-Graduação (PPG) da PUCRS. Ele consiste em apresentar uma proposta de pesquisa a ser desenvolvida durante o curso.   

Nesse projeto, a ideia é que o candidato demonstre seu conhecimento na área. Também é preciso apresentar, ainda que de maneira inicial, o problema que se pretende resolver, bem como caminhos a serem investigados para encontrar soluções. Geralmente, os tópicos necessários em um projeto de pesquisa são os seguintes:   

Mais detalhes sobre o formato estão disponíveis no edital de cada PPG.   

Conte com o apoio de professores  

Quem tiver interesse em contar com apoio para o desenvolvimento do projeto de pesquisa pode entrar em contato com possíveis orientadores para conhecer melhor suas áreas de pesquisa, bem como conversar sobre as possibilidades de projetos a serem desenvolvidos durante a pós-graduação. Além de experiência, os professores se dedicam a estudos nos quais podem contar com a contribuição de estudantes. Assim, o candidato pode tentar conciliar seus interesses com as áreas de atuação de um pesquisador do PPG que deseja ingressar.   

Todas as informações necessárias para o desenvolvimento do projeto de pesquisa estão no edital do curso de mestrado ou doutorado, na parte referente às etapas do processo seletivo. Dúvidas podem ser esclarecidas com a secretaria do PPG ou, se forem questões relacionadas ao conteúdo do projeto, com o professor com o qual o candidato optar por estabelecer contato.  

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Ingresse na Pós-Graduação em 2024

Área de concentração e linha de pesquisa são dois aspectos fundamentais na elaboração de um projeto. / Foto: Envato

Saber qual linha de pesquisa você vai querer seguir no mestrado ou doutorado é um passo importante para a elaboração do seu trabalho ao longo da pós-graduação. Assim como a área de concentração, a partir dela serão definidas quais disciplinas e atividades você irá realizar durante a formação. Não sabe qual é a diferença entre as duas coisas? A gente explica:   

Para saber qual Programa de Pós-Graduação se encaixa melhor no seu projeto de pesquisa, compare os objetivos indicados nos editais com os seus. Em caso de dúvidas, entre em contato previamente com o PPG pretendido. O/a próprio/a possível orientador/a poderá lhe ajudar nessa decisão.   

Saiba o que você quer e pode estudar   

Além de decidir qual tema você quer trabalhar na sua pesquisa, confira quais linhas de pesquisa se encaixam com o que você pretende investigar na sua formação.   

Para combinar a sua ideia em uma linha de pesquisa, pode ser uma boa opção fazer alguns ajustes para ter mais chances de conseguir uma vaga ou até mesmo a bolsa dos sonhos. 

Conheça quem vai acompanhar você  

Na página dos PPGs é possível conferir quem compõe a coordenação de cada curso e pesquisar, por exemplo, o currículo de docentes, projetos dos quais a equipe já participou, entre outros aspectos.   

Em alguns casos, a aceitação prévia do/a seu/sua futuro/a orientador/a é um dos critérios de seleção. Aproveite esse momento para tirar dúvidas sobre exemplos de trabalhos já realizados, metodologias, verbas já captadas, materiais disponíveis e outros aspectos para avaliar se seu projeto está condizente.   

Quanto mais informações você tiver, melhor. Afinal, serão anos de convivência e aprendizado em conjunto.   

Leia mais: Currículo Lattes: passo a passo para aprender a utilizar a plataforma  

Posso mudar minha linha de pesquisa se eu me arrepender?   

Mudar de linha de pesquisa pode significar também precisar mudar quem está lhe orientando. Não é o ideal, pois atrasa o andamento no curso até que a sua pesquisa esteja readequada, mas pode acontecer.   

Para evitar isso, prepare-se bem antes de tomar a decisão final: coloque no papel tudo o que você precisa levar em consideração e conte com a ajuda da coordenação dos PPGs para lhe orientar, se necessário.   

Leia também:  Mestrado e doutorado: inscrições abertas para processo seletivo da PUCRS 

quero ingressar na pós-graduação da pucrs

Para entender melhor o perfil da comunidade universitária da PUCRS, a Pró-Reitoria de Identidade Institucional (PROIIN) sob coordenação do Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista realizou pelo terceiro ano consecutivo a pesquisa “Quem é o Estudante da PUCRS?”. O estudo, que é realizado desde 2020 na Universidade, contou com a participação de estudantes maiores de 18 anos da graduação presencial. 

A pesquisa acompanhou os cenários de alunos e alunas de graduação presencial em meio às decorrências da pandemia e da ressocialização. Além de servir como uma forma de entender melhor as suas particularidades, a pesquisa se tornou mais um canal para que este público apresente suas sugestões para qualificação das estruturas de ensino, aprendizagem, trabalhabilidade, pesquisa, formação continuada e experiências no Ensino Superior. O objetivo central do estudo é acompanhar longitudinalmente, em um período de cinco anos, as variações dos dados sociodemográficos, socioeconômicos, educacionais, culturais e comportamentais da população de graduação da Universidade.  

O relatório deste ano, com dados coletados em 2022, apresenta os detalhamentos da pesquisa, alguns dados gerais da população de estudantes de graduação e os achados quantitativos e qualitativos coletados no terceiro ano de estudo. O documento destaca também análises comparativas com os anos anteriores e aponta insights gerados do estudo global. O documento completo está disponível neste link. 

Os resultados vêm subsidiando estruturas de gestão estratégica e iniciativas das unidades acadêmicas, possibilitando a compreensão das percepções do corpo discente nas suas particularidades e necessidades. 

Foto: Giordano Toldo

Veja alguns destaques da pesquisa: 

Aprendizados e pontos de melhoria  

Além de respostas quantitativas, ou seja, aquelas que focam em números, a pesquisa também busca entender os pontos qualitativos da Universidade. Entre os que merecem mais atenção e são destacados no estudo estão: 

Participe da nova edição da pesquisa 

Estudantes de graduação maiores de 18 anos e com matrícula ativa na Universidade podem responder a quarta edição da pesquisa “Quem é o/a Estudante da PUCRS” até o dia 29 de outubro.  

Clique e responda a pesquisa

Luisa Fernanda Habigzang, professora e pesquisadora da Escola de Ciências da Saúde e da Vida/ Foto: Arquivo pessoal

O Grupo de Pesquisa Violência, Vulnerabilidade e Intervenções Clínicas do Programa de Pós-graduação em Psicologia da PUCRS vem desenvolvendo tecnologias sociais com objetivo de qualificar a atuação de profissionais que atuam com populações em situação de vulnerabilidade social. Crianças, adolescentes, mulheres, pessoas idosas e população LGBTQIAP+ que experienciaram violência familiar e comunitária são o principal público-alvo. 

Segundo a professora e pesquisadora da Escola de Ciências da Saúde e da Vida Luisa Fernanda Habigzang, as tecnologias sociais podem ser definidas como as técnicas e metodologias de transformação social através de processos de inclusão, melhoria da qualidade de vida das pessoas e garantia de direitos, propondo a solução de um problema social. Alguns exemplos de tecnologias sociais podem envolver programas sistêmicos de qualificação de profissionais, intervenções para geração de trabalho e renda, equipamentos de baixo custo para resolução de problema social, intervenções para prevenção de saúde, entre outros.  

Dessa maneira, no processo de desenvolvimento e avaliação das tecnologias sociais para capacitação já existentes, o grupo vem atuando em parceria com o Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Secretaria da Educação e com o Comitê Interinstitucional de Enfrentamento à Violência contra Mulher do Rio Grande do Sul. Assim, está presente em diferentes frentes, entre elas:  

Com isso, professores, enfermeiros, epidemiologistas, sanitaristas, psicólogos e assistentes sociais já foram capacitados pelas iniciativas do grupo de pesquisa, conectando o espaço acadêmico ao social.  

“O investimento em tecnologias sociais é um importante caminho para a articulação e desenvolvimento científico e social, contribuindo com a missão da Universidade de desenvolver pesquisas e tecnologias comprometidas com excelência e transformação social”, comenta Habigzang.  

Para que esses desenvolvimentos tecnológicos tenham eficiência social, a professora destaca que é fundamental compreender as demandas sociais através de relatórios governamentais e não-governamentais, políticas públicas existentes e legislações vigentes. Além disso, é importante a escuta de gestores e profissionais que atuam no enfrentamento do problema, acompanhados de pesquisas científicas, bem como a participação do público-alvo e a definição clara de indicadores que avaliem a efetividade do impacto.  

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mestrado e doutorado

Foto: Giordano Toldo

A volta às aulas se aproxima e, com ela, um novo semestre cheio de possibilidades e oportunidades de se aprimorar acadêmica e profissionalmente. A PUCRS possui diversas opções para ajudar você nesse objetivo: internacionalização, empreendedorismo, pesquisa e muito mais. Confira algumas delas: 

Programa Hangar 

O programa é voltado aos doutorandos da PUCRS que tenham interesse em transformar suas pesquisas em negócios, com palestras, workshops, atividades práticas e mentorias. O programa aborda conteúdos como Ecossistema de Inovação, Propriedade Intelectual, Acesso a Capital e Modelo de Negócios. As inscrições podem ser feitas até o dia 8 de agosto. Você pode conferir mais informações aqui. 

Mobilidade acadêmica 

Hora de planejar seus estudos no exterior! Para quem sonha em estudar em outro país, essa é a dica: o Programa de Mobilidade Acadêmica está com inscrições abertas, com 30 opções de universidades em 16 países. O programa permite que você estude em uma instituição conveniada com a PUCRS por até dois semestres – aprendendo um novo idioma, conhecendo de perto uma cultura diferente e aprimorando conhecimentos da sua área. Curtiu? As inscrições vão até o dia 3 e 15 de agosto. 

Mulheres na Ciência 

Estão abertas as inscrições para o I Simpósio Brasil-Reino Unido sobre Mulheres na Ciência. O evento faz parte do projeto Women in Science, financiado pelo British Council, que busca promover a participação feminina nas áreas STEM. Promovido pelas sete universidades envolvidas no projeto (entre elas a PUCRS), o evento ocorre entre os dias 25 e 27 de setembro no Salão de Atos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Saiba mais sobre o simpósio aqui. 

24º Salão de Iniciação Científica 

O 24º Salão de Iniciação Científica da PUCRS, um dos principais eventos de socialização das atividades de pesquisa, também está recebendo inscrições. O evento é um espaço de socialização das atividades de pesquisa envolvendo estudantes da graduação e professores/pesquisadores de diferentes universidades e instituições de pesquisa. A Iniciação Científica busca proporcionar o intercâmbio de conhecimentos e a aprendizagem de métodos de pesquisa. Mais informações você confere aqui. 

XIX Simpósio de Geriatria e Gerontologia 

Focado em atualizar professores e alunos interessados pela área da gerontologia, o XIX Simpósio de Geriatria e Gerontologia acontece nos dias 29 e 30 de setembro, no Teatro do prédio 40 – além do pré-evento que acontece no dia 28. O simpósio debaterá temas como envelhecimento ativo, prevenção e tratamento de doenças geriátricas e qualidade de via na terceira idade. As inscrições podem ser feitas até o dia 28 de setembro aqui.  

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Em 2018, Gelson Weschenfelder foi um dos vencedores do 29º Prêmio de Jovem Cientista da CNPq. / Foto: Giordano Toldo

Os super-heróis de histórias em quadrinhos (HQs) historicamente são representativos para a sociedade. Ao longo dos anos, personagens como Batman, Mulher Maravilha e Hulk capturaram a imaginação das pessoas e se tornaram ícones da cultura pop em todo o mundo. Presentes em filmes, séries, brinquedos e livros, suas narrativas transcendem fronteiras geográficas e barreiras linguísticas, unindo fãs de todas as idades e origens.  

Conforme explica o pós-doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação PUCRS, Gelson Weschenfelder, as HQs tornaram-se referência na formação de opiniões, pois de maneira acessível e perspicaz colocam em debate as questões fundamentais das relações sociais e os valores morais com os quais todas as pessoas se defrontam no dia a dia. O pesquisador cita personagens como o Homem-Aranha como exemplo para abordar questões como responsabilidade, ética e os desafios de conciliar uma vida pessoal com o dever de proteger os inocentes, afinal “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”.  

Desde sua graduação em Filosofia, Weschenfelder – que nas redes sociais se identifica como “Filósofo dos Quadrinhos –, notou o potencial pedagógico das histórias em quadrinhos, dedicando então sua trajetória acadêmica de mais de 20 anos em pesquisar e aplicar os super-heróis das histórias em quadrinhos como recursos para a promoção de resiliência para crianças e adolescentes em situação de risco. Reconhecido com o 29º Prêmio de Jovem Cientista da CNPq, o pesquisador desenvolve projetos com Super-heróis em sala de aula, onde procura aproximar os jovens estudantes das questões filosóficas e de autores clássicos da filosofia como Aristótoles, Spinoza e Kant.  

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“Mais do que diversão, as histórias desses super-heróis introduzem e abordam de forma vívida importantes questões enfrentadas no cotidiano de pessoas comuns. São temas ligados à superação de adversidades, construção de identidade pessoal, elementos de ética, moral, justiça, enfrentamento de medos, de situações de violência, entre outros”, destaca o pesquisador. 

Questões éticas e de moralidade  

Criados há mais de 80 anos, os super-heróis das histórias em quadrinhos vêm, desde o seu surgimento, conquistando fãs de todas as idades. De acordo com Weschenfelder, o gênero de superaventura nasceu em 1938 no lançamento da revista Action Comics, que trouxe a história do Super-Homem, criado pelos adolescentes Joe Schuster e Jerry Siegel. Logo depois surgiu Batman, a Mulher Maravilha e Capitão América. Desta forma, a partir daí esses super-heróis começaram a ocupar um espaço cada vez maior desde o início deste século.  

Foi durante sua graduação em Filosofia que Gelson Weschenfelder percebeu o potencial que as histórias em quadrinhos têm de serem pedagógicas. / Foto: Pexels

Para introduzir as questões éticas e morais em sala de aula, o pós-doutorando questiona seus alunos a partir da pergunta “O que o herói faria?”, a partir da metodologia intitulada Pré-Capa, Pré-Máscara, em que aborda as ações que fizeram de fato aquele personagem ser reconhecido como um verdadeiro herói. O pesquisador explica que 97% dos heróis passaram por adversidades na vida, tornando-se exemplos claros de resiliência e superação com suas histórias de vida para jovens e adultos se inspirarem contra as dificuldades no seu dia a dia.  

A partir de suas pesquisas, Gelson propõe oficinas e intervenções didáticas em escolas de Canoas em parceria com a Secretaria da Educação, apresentando heróis da atualidade, da mitologia e da cultura pop em sala de aula, desafiando os alunos a criarem suas próprias histórias em quadrinhos a partir de suas realidades. Como personagens principais em suas histórias, os jovens desenvolvem a criatividade para criar os desenhos e a capacidade de refletir sobre a situação em que estão inseridos.  

“As histórias dos super-heróis estimulam as crianças e adolescentes a encarar seus medos e enfrentar desafios. Mais do que exemplos de força e coragem, estes personagens são modelos morais. Há uma necessidade de uma educação moral para os jovens, pois muitas vezes crianças e adolescentes buscam apoio emocionais e psicológicos enquanto vivem sob circunstâncias adversas”, finaliza o pesquisador. 

Sobre o pós-doutorando e sua atuação na PUCRS 

Fã de história em quadrinhos desde sua infância, Gelson Weschenfelder possui hoje uma coleção de 8 mil quadrinhos catalogados em sua gibioteca (biblioteca de quadrinhos). Realizou seu mestrado e doutorado abordando aspectos educativos das histórias em quadrinhos de super-heróis e sua importância na formação da consciência moral, na perspectiva da ética aristotélica das virtudes. 

Supervisionado atualmente pelo professor e pesquisador da Escola de Humanidades Alexandre Anselmo Guilherme, o pós-doutorando amplia suas pesquisas no tema sobre as histórias em quadrinhos de superaventura como recursos para competências socioemocionais uma proposta de formação docente. Autor dos livros Filosofando com os Super-Heróis (Editora Mediação), Homens de Aço? Os Super-Heróis como tutores de resiliência (Appris Editora), Aristóteles e os super-heróis (EducaPop) e Vamos Usar quadrinhos em Sala de Aula? Os super-heróis invadem a escola (editora Fi). 

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