Ensino

Artigo: “Apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos” 

sexta-feira, 05 de abril | 2024

Artigo produzido pelo professor Deivison Moacir Cezar de Campos, doutor em Ciências da Comunicação e coordenador do curso de Jornalismo da Famecos

A profissão de jornalista passou por profundas mudanças nas últimas décadas, principalmente pela emergência da tecnologia digital. O aumento da velocidade e do volume de informações em circulação gerou novos desafios e, ao mesmo tempo, oportunidades. Mesmo agregando práticas, conhecimentos e áreas de atuação, o jornalismo segue uma forma particular de olhar para o mundo a partir de critérios que transformam fatos e dados em notícias relevantes para a coletividade.  

As transformações sociais e ambientais reafirmam a referencialidade do jornalismo. Seja em momentos de crises extremas, como a recente pandemia, ou fatos que se tornam cotidianos, como os ciclones e suas consequências, as pessoas recorrem aos meios jornalísticos mesmo com uma maior oferta de fontes de informação – muitas não confiáveis. Aponta que, mesmo frente a questionamentos e críticas, o jornalismo ainda oferece segurança e credibilidade. 

Esses questionamentos, por outro lado, produzem instabilidade informativa que se refletem até mesmo na estabilidade democrática. Enquanto o jornalismo se reposicionava, ocorreu um impedimento presidencial, uma investigação que afetou uma eleição presidencial e foi desconstituída, além das tentativas de golpe, materializando a importância do acesso à informação de qualidade à democracia. 

Neste contexto, marcado igualmente pela circulação de Fake News, aprofunda-se o desafio na formação de profissionais jornalistas. Além de aprender a fazer com preocupação ética e a pensar sobre o que faz, inserem-se como práxis básicas estratégia, criação e inovação, a fim de dar conta de hierarquizar toda a informação em circulação. O bom jornalismo está relacionado a um jornalista com formação.  

Inovar, sem abandonar os princípios tradicionais, parece ser a forma mais adequada de projetar a profissão que segue no centro das sociabilidades democráticas cada vez mais midiatizadas. Esse compromisso com o bem comum que faz ser jornalista, seguindo Garcia Marques, a melhor profissão do mundo. 

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