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Tecna recebe gravações de longa-metragem e de seriado

quinta-feira, 23 de novembro | 2017

Set de Necrópolis Foto: Camila Cunha

Set de Necrópolis
Foto: Camila Cunha

Gravação de uma série para televisão, de um longa-metragem e de curtas-metragens, além de workshops, aulas, palestras e cursos de extensão. Já nos meses iniciais, a primeira fase do Centro Tecnológico Audiovisual do RS (Tecna), com sede no Tecnopuc Viamão, abrigou diversas atividades. O Estúdio A, inaugurado em abril de 2017, foi usado por produtoras do Rio Grande do Sul, bem como por empresas localizadas no próprio Parque Científico e Tecnológico, em Viamão (RS), como a Buena Vista, além do Instituto Federal do Rio Grande do Sul. Além disso, professores do Curso de Produção Audiovisual da PUCRS realizaram aulas especiais no ambiente que também foi sede de produções universitárias.

Atualmente, o Tecna recebe a filmagem do longa-metragem Rasga Coração, dirigido por Jorge Furtado com produção da Casa de Cinema de Porto Alegre. O Estúdio A abriga a sua primeira produção de grande porte: a série para TV, Necrópolis, da Verte Filmes e Ausgang. “Concluirmos o ano de 2017 sediando projetos de maior porte marca a contribuição que o Tecna pode oferecer ao setor a partir da inauguração do Estúdio A, ao mesmo tempo em que o mercado pode esperar receber produtos com cada vez mais qualidade vindos dos produtores gaúchos”, analisa a coordenadora do Tecna, professora Aletéia Selonk.

Para 2018, Aletéia indica que as ações de atração de projetos serão intensificadas, estimulando parcerias com o mercado regional e nacional, além de contribuir com o desenho de produção dos futuros projetos que ocuparão o Estúdio A. “Um dos destaques é o Laboratório de Pesquisas Audiovisuais (LaPAv). Os pesquisadores e bolsistas, em conjunto com a equipe do Centro, desenvolveram um projeto que acompanhou os primeiros usuários do Estúdio A e, com isso, mapeou as características de uso do espaço e como os diferenciais do estúdio impactaram o processo produtivo de cada um. Aqui, mantemos nosso compromisso de fazer do Tecna um laboratório vivo”.

 

Rasga Coração

Jorge Furtado

Jorge Furtado dirige Rasga Coração
Foto: Camila Cunha

O filme de Jorge Furtado está sendo rodado no espaço onde era originalmente a capela do antigo Seminário Maior de Viamão, antes da aquisição do local pela PUCRS. “Ali foi possível construir o cenário do nosso apartamento, que é o espaço mais importante do filme”, comenta Furtado. Segundo o diretor, o prédio do Tecnopuc Viamão é um excelente lugar para filmar por toda a estrutura que oferece. “Uma filmagem não se resume apenas ao set, temos que levar todo o entorno em consideração, com muitas pessoas, caminhões, equipamentos. Precisamos de espaço e silêncio e é o que temos aqui”, diz.

Furtado destaca que ter um espaço como o Tecna é uma reivindicação antiga de todo mundo que faz cinema no RS. “Quando comecei na década de 80, tinha que fazer quase tudo no Rio de Janeiro ou em São Paulo: som, finalização, montagem, mixagem. Só se filmava em Porto Alegre. E quando precisávamos de estúdio, era sempre improvisado. O Tecna é um passo para fazermos um cinema todo aqui”, afirma.

Nora Goulart, produtora executa de Rasga Coração Foto: Camila Cunha

Nora Goulart, produtora executiva de Rasga Coração
Foto: Camila Cunha

A produtora executiva de Rasga Coração, Nora Goulart, conta que antigamente as gravações eram realizadas nos armazéns do cais do porto, com o movimento de navios que transportavam agrotóxicos e muito ruído. “Recebíamos o galpão cru. Tínhamos que instalar banheiros, refeitórios, salas de maquiagem, de figurino, de cenografia, de arte, depósito para as coisas de uso da produção. Estar no Tecna, próximo à natureza, é muito agradável. Aqui existem espaços conservados que conseguimos usar de maneira muito eficiente”, afirma.
O longa é uma adaptação da peça homônima de Oduvaldo Vianna Filho e conta a história de Manguari Pistolão, militante anônimo, que depois de quarenta anos de lutas vê o filho Luca acusá-lo de conservador, atravessando 40 anos da vida política brasileira. O cenário principal é o apartamento, que tem dois momentos, os anos de 1979 e 2013. Para o diretor de arte, William Valduga, a arquitetura do Tecnopuc Viamão permite vários desenhos para diferentes situações. “Quando conseguimos trazer um pouco da locação para o espaço, ganhamos verdade. Estamos usando o piso de parquet original da capela, o que traz uma verdade incrível para o cenário”, afirma.

 

Necrópolis

Outra produção que ganha vida no Tecna é a série para TV Necrópolis, da Verte Filmes e Ausgang. Os diretores Tiago Rezende e Gabriel Faccini contam que escolheram o Estúdio A pela estrutura oferecida e pela possibilidade de montar o cenário, uma sala de necropsia do Instituto Médico Legal (IML), da forma como queriam, com as dimensões necessárias. “Já tínhamos filmado algumas vezes no Tecnopuc Viamão e visitado o Estúdio A. Pelas peculiaridades do cenário principal ser o IML, um prédio público, não teríamos acesso, e adaptar uma locação a isso seria mais difícil. No momento que definimos que iríamos construir a sala de necropsia em estúdio, fizemos uma breve pesquisa do que tinha disponível na cidade e o Estúdio A do Tecna era o único onde conseguiríamos filmar como queríamos. Foi algo muito natural e dentro do nosso orçamento”, diz Faccini.

Tiago Rezende e Gabriel Faccini, diretores de Necrópolis

Tiago Rezende e Gabriel Faccini, diretores de Necrópolis
Foto: Camila Cunha

Para os diretores, o benefício da proximidade com a PUCRS é latente. “Sentimos que as pessoas que estão por traz da concepção e da gestão do Tecna pensaram seriamente sobre como fazer esse espaço atender às produções de forma eficiente e entrar de fato no mercado”, comenta Rezende. “Nossa produtora é relativamente jovem, este é nosso quarto ano seguido gravando séries. O Tecna, com o Estúdio A, ampliou nosso horizonte, pois escrevemos e dirigimos pensando nas possibilidades e limitações de filmagem. Essa estrutura acessível nos permite planejar e pensar em coisas mais sofisticadas e complexas para as futuras produções”, complementa Faccini.

A série de oito episódios acompanha a história de uma equipe de médicos e profissionais do necrotério da cidade e a forma encontrada por eles para resolverem os problemas complexos que aparecem neste ambiente inóspito. A direção também é assinada por Tomás Fleck.

 

Tecna

A coordenadora do Tecna lembra que a inauguração do Estúdio A, em abril de 2017, foi um momento importante para esse projeto, que está em desenvolvimento desde 2011, porém é apenas o primeiro de uma série de ambientes projetados, incluindo não apenas estruturas para a produção, mas também para a pós-produção de conteúdos criativos e audiovisuais. “Após a inauguração, a nossa rotina deu uma atenção especial às visitas de empresários, profissionais, professores e estudantes da área. Afinal, entregamos um estúdio diferenciado e é muito importante que todos os agentes do mercado se apropriem das facilidades e requintes que o ambiente oferece para, desse modo, considerarem que agora os projetos audiovisuais do Rio Grande do Sul podem ser planejados para serem executados ali”, comenta Aletéia.

A gerente de projetos e operações do Tecna, Clarissa Millford, relata que os benefícios do ecossistema do Centro e da infraestrutura disponível podem ser facilmente observados no dia a dia das produções, através de processos mais otimizados, com maior produtividade e eficiência da equipe, com troca de conhecimentos e experiências entre os usuários, além de reaproveitamento e/ou uso colaborativo dos recursos.

O Estúdio A do Tecna conta com alta tecnologia e segue normas internacionais de qualificação. Com investimento de mais de R$ 6 milhões, possui paredes com isolamento acústico, piso acústico flutuante com acabamento em concreto nivelado a laser com sistema antivibração, grids modulares ajustáveis, sistema de elétrica cênica, área disponível para instalação de Switch de vídeo e de áudio acoplados, rede wi-fi, ar-condicionado. São 300 m² de área livre no estúdio, mais áreas de apoio, com espaço para camarim, figurino, sala de reuniões e área técnica. A segunda fase do Centro contará com laboratórios equipados voltados para animação, jogos digitais, efeitos visuais, além de uma renderfarm e um estúdio de mixagem de som.