O IPR foi finalista do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2023. / Foto: Divulgação/IPR

A Plataforma GIS CCUS Brasil, desenvolvida pelo Instituto do Petróleo e dos Recursos Naturais (IPR) da PUCRS, em parceria com a Petrobras, foi uma das três finalistas do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2023, na categoria IV – Projetos na área de Meio Ambiente, Transição Energética e Descarbonização (exceto biocombustíveis).   

O prêmio tem como objetivo reconhecer e premiar os resultados associados a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I). Esses resultados devem representar inovação tecnológica para o setor de petróleo, gás natural e biocombustíveis, desenvolvidos no Brasil por instituições de pesquisa credenciadas pela Agência, empresas brasileiras e empresas petrolíferas, com recursos da Cláusula de PD&I presente nos contratos de Exploração e Produção (E&P). No total, 100 projetos foram inscritos, sendo 19 deles na categoria IV. 

A cerimônia de premiação ocorreu em 30 de novembro, no Rio de Janeiro, e o IPR foi representado no evento por Clarisa Melo, coordenadora de Pesquisa do projeto finalista, Daiane Cardoso, pesquisadora do projeto, e Moema Martins, interlocutora técnica da Petrobras. 

“Esse projeto representa o amadurecimento de nossas pesquisas e a compreensão da urgência em consolidar informações nacionais sobre os principais aspectos que envolvem o CCUS. A plataforma foi cuidadosamente planejada, com o intuito de criar uma ferramenta prática e acessível, que possa atender a um público diversificado. Com informações atualizadas, nossa meta é efetivamente impulsionar a implementação de projetos de CCUS no Brasil. Parabéns a toda a equipe por esse reconhecimento, celebra Clarissa. 

Desenvolvimento de plataforma inédita no país 

A pesquisa do IPR desenvolveu o primeiro webmap interativo exclusivo para Tecnologias de Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS) no Brasil, permitindo o mapeamento e a quantificação das emissões de CO₂. As CCUS se destacam como uma estratégia importante na transição para uma economia de baixo carbono. Nesse contexto, a Plataforma GIS CCUS Brasil surge como uma iniciativa inovadora e única no cenário nacional, buscando auxiliar os tomadores de decisão e a população em geral, ao permitir o acesso a dados e informações relevantes dessas tecnologias.  

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A plataforma integra o sistema de classificação SRMS e dados dos projetos Reate e Promar, disponibilizados pela CPRM e ANP, possibilitando uma análise mais abrangente dos recursos de armazenamento de CO₂ presentes nas áreas estudadas. Dessa forma, a plataforma consegue contribuir para a identificação de áreas promissoras ao desenvolvimento desse setor no Brasil. 

Em 2024, o Instituto de Petróleo e Recursos Naturais completa dez anos. / Foto: Giordano Toldo

Essa abordagem preenche uma lacuna existente de informações no país sobre o assunto, e democratiza o acesso a dados e ferramentas essenciais, possibilitando que empresas, instituições de pesquisa, governo e sociedade civil desenvolvam projetos sustentáveis e efetivos para a redução das emissões de CO₂.  A plataforma se destaca por apresentar a localização e quantificação dessas emissões de fontes estacionárias, identificar áreas estratégicas para a captura de dióxido de carbono. Além disso, a plataforma ajuda na implementação de projetos futuros, possibilitando a visualização geográfica da infraestrutura e dos possíveis locais para o armazenamento do CO₂ proveniente dessas fontes.  

A plataforma contribui diretamente para a redução dos riscos do desenvolvimento de projetos, auxilia no planejamento e desenvolvimento sustentável de diversos setores, promove a colaboração entre diferentes atores e dissemina informações, oportunizando o avanço da tecnologia e fortalecendo a governança ambiental. A GIS CCUS Brasil é uma iniciativa que utiliza a tecnologia geoespacial para impulsionar a transição para uma economia de baixo carbono, fornecendo informações precisas e facilitando a tomada de decisões estratégicas para a redução das emissões de gases de efeito estufa. 

Saiba mais sobre o impacto do IPR no Tecnopuc 

O IPR é membro do Tecnopuc desde sua criação em 2014, e o Instituto tem como objetivo fomentar, dar visibilidade e proporcionar um crescimento sustentado das ações da universidade em pesquisa, desenvolvimento e inovação na área de petróleo e derivados, recursos naturais, energia e meio ambiente. O IPR conta com uma equipe multidisciplinar composta por professores, pesquisadores, auxiliares de laboratório, profissionais administrativos e alunos de graduação e pós-graduação da PUCRS. O espaço faz com que os resultados de análises, produzidos com rigor e qualidade, sejam transformados em informações estratégicas e elementos de tomada de decisão para os parceiros do instituto. 

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“Os projetos desenvolvidos pelo IPR têm um grande potencial de colaboração com outros atores do ecossistema. A equipe IPR tem participado ativamente de construtivas discussões sobre novas fontes energéticas e o mercado de carbono com empresas e startups da comunidade Tecnopuc que também estão buscando ou oferecendo soluções inovadoras de eficiência energética e neutralização de emissões de carbono. Ter essa área estratégica e de extrema relevância para a Universidade e a sociedade tão próxima de outras organizações no Tecnopuc tem favorecido as trocas e identificação de sinergia que pode resultar em um impacto positivo ainda maior”, declara Daniela Carrion, líder de Comunidade do Tecnopuc. 

O IPR fica localizada no prédio 96 do Parque Tecnológico e conta com compreende 5000 m². O Instituto conta com o Laboratório de Análises Químicas (LAQ), o Laboratório de Caracterização de Rochas (LCR), o Laboratório de Geoquímica e Petrofísica (LGP), o Laboratório de Isótopos e Geocronologia (LIG), Laboratório de Monitoramento Ambiental (LMA) e o Laboratório de Materiais (LMT). ,

Conheça o Instituto de Petróleo e Recursos Naturais

Grupo MALTA conquista 4º lugar no desafio mRALE/ Foto: Divulgação

O laboratório de pesquisa MALTA (Machine Learning Theory and Application Lab) da Escola Politécnica da PUCRS, coordenado pelo professor Rodrigo Coelho Barros, e que faz parte do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação, ganhou mais um prêmio internacional: o laboratório conquistou o 4º lugar no prestigiado desafio mRALE do Medical Imaging and Data Resource Center (MIDRC), na temática “Inteligência Artificial para Predição da Severidade de COVID-19 em Radiografias de Tórax”. A conquista rendeu ao MALTA um prêmio em dinheiro de 5 mil dólares e destacou sua liderança e inovação nas áreas de inteligência artificial e processamento de imagens médicas. 

Organizado pelo MIDRC, o desafio mRALE contou com financiamento do National Institute of Biomedical Imaging and Bioengineering (NIBIB) e teve como sede a Universidade de Chicago. O esforço é uma colaboração entre entidades de renome, como o American College of Radiology (ACR), a Radiological Society of North America (RSNA) e a American Association of Physicists in Medicine (AAPM). 

“É um resultado impressionante e que me enche de orgulho. O MALTA foi a única instituição latino-americana a ser premiada, solidificando sua posição como um centro de excelência na pesquisa de inteligência artificial e imagens médicas. Diversos alunos do grupo de pesquisa possuem formação em física médica na própria PUCRS, o que reforça a qualidade de formação da instituição”, diz Barros.  

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A equipe do laboratório que disputou a competição foi formada por sete membros: professor Rodrigo Coelho Barros (coordenador), o professor Lucas Silveira Kupssinskü (vice coordenador), professor Otavio Parraga, os doutorandos Christian Mattjie e Rafaela C. Ravazio, o mestrando Luis Vinicius de Moura e o graduando Adilson Medronha.  

Não é a primeira vez que o laboratório chama a atenção da comunidade científica internacional. Anteriormente, o professor Rodrigo, juntamente com Luis Vinicius de Moura e Christian Mattjie, foi premiado com o Melhor Artigo em 2020 por sua pesquisa inovadora intitulada “Uma Abordagem Inovadora para Diferenciar Pneumonia da COVID-19 em Raios-X de Tórax”, apresentada na 20ª Conferência Internacional de Bioinformática e Bioengenharia da IEEE. 

MALTA realiza importantes estudos na área de imagens médicas 

Estudos feitos no laboratório buscam avanços tecnológicos na área de imagens médicas/ Foto: Divulgação

Christian Mattjie, que é graduado em Física e possui mestrado em Gerontologia Biomédica. Ele realiza sua pesquisa de doutorado, que está direcionada à identificação de subtipos da doença de Parkinson usando aprendizado de máquina não supervisionado e análise de dados biológicos. Ele se dedica a esse estudo paralelamente à sua participação no MALTA – que tem como um de seus principais focos de pesquisa a saúde e prima pela inovação e aplicação prática de modelos de redes neurais em problemas reais. Nosso trabalho busca não apenas avançar o estado da arte tecnológico, mas também promover a equidade (fairness) e o bem-estar social através da ciência de dados”, destaca ele. 

Alguns dos estudos mais recentes do laboratório incluem dois trabalhos aceitos no 23º IEEE International Conference on Bioinformatics and Bioengineering (BIBE). O primeiro, intitulado “Zero-shot performance of the Segment Anything Model (SAM) in 2D medical imaging”, oferece uma avaliação abrangente e diretrizes práticas para a implementação deste modelo em imagens médicas bidimensionais. O segundo, “Radiomics for predicting oxygen necessity in COVID-19 patients using longitudinal lung computed tomography”, investiga o potencial da radiômica na previsão da necessidade de oxigenação em pacientes com COVID-19, utilizando uma abordagem longitudinal em tomografias computadorizadas de pulmão. 

Além deste, um marco significativo para o MALTA foi a aprovação de um trabalho para apresentação oral no renomado SPIE Medical Imaging 2024, como explica Christian: 

“O estudo ‘Semi-supervised learning for mRALE score prediction in COVID-19 chest radiograph’ detalha a metodologia inovadora que nos levou ao quarto lugar na competição mRALE. Este reconhecimento é uma testemunha do nosso compromisso com a pesquisa de vanguarda e da relevância do nosso trabalho no cenário internacional.” 

Para ele, as pesquisas realizadas pelo laboratório são cruciais na dimensão científica, pois o objetivo constante do MALTA é estreitar a relação entre tecnologia de ponta e aplicabilidade prática em contextos que beneficiem a sociedade. 

“Através do desenvolvimento e aprimoramento de modelos de machine learning e deep learning, estamos contribuindo para o aumento da precisão diagnóstica, facilitando a identificação e classificação de doenças a partir de imagens e dados médicos. Isso não apenas eleva o patamar das pesquisas na área de inteligência artificial aplicada à saúde, mas também tem um impacto direto na qualidade e na eficiência do atendimento clínico, o que pode salvar vidas e otimizar recursos em sistemas de saúde já sobrecarregados”, afirma o doutorando. 

MALTA realiza pesquisas de relevância tanto científica quanto social/ Foto: Divulgação

A dimensão social também é abarcada pelas pesquisas do MALTA, pois vão além do escopo médico. O grupo também desenvolve um trabalho de desenvolvimento de bancos de dados de LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) e modelos de tradução a fim de facilitar a comunicação e inclusão de pessoas surdas. Tal projeto, também coordenado pelo professor Rodrigo, foi o único da América Latina a receber financiamento do Google através do Award for Inclusion Research (AIR), no final de 2022. “Estes projetos não apenas melhoram a acessibilidade e a qualidade de vida da comunidade surda, mas também promovem a conscientização e a importância da inclusão em todos os aspectos da sociedade”, acrescenta Christian. 

Ele afirma que receber a premiação do MIDRC é uma experiência gratificante e motivadora para toda a equipe do MALTA, sendo um reconhecimento do trabalho árduo, da dedicação e da inovação empregados nas pesquisas. 

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“O prêmio reflete não apenas o potencial individual de cada membro da equipe, mas também a força colaborativa de um grupo que está profundamente comprometido com a excelência científica. Para a Escola Politécnica e a PUCRS, este prêmio é uma vitrine de prestígio internacional que ressalta a capacidade da nossa instituição em produzir pesquisas de alto impacto. Demonstra que estamos no mesmo nível de competitividade que outras instituições renomadas globalmente, capazes de inovar, contribuir e liderar em campos desafiadores e altamente técnicos como o de inteligência artificial aplicada à saúde”. 

Prêmio será investido em infraestrutura para o laboratório 

Com esse novo reconhecimento, o laboratório MALTA tem planos ambiciosos para expandir ainda mais seu escopo de pesquisa. O prêmio de 5 mil dólares será investido em novas iniciativas que prometem trazer avanços significativos para o campo da inteligência artificial aplicada à medicina, beneficiando não apenas a comunidade científica, mas a sociedade em geral. Segundo Christian, o principal foco desses investimentos será a atualização e expansão das máquinas de alto desempenho, essencial para as demandas computacionais das pesquisas em deep learning. 

Urge, no contexto das pesquisas do MALTA, a necessidade de um hardware robusto para processar e analisar grandes quantidades de dados médicos – logo, o plano é adquirir e aprimorar servidores com GPUs avançadas e capacidades de processamento acelerado. Isso não só permitirá a realização de cálculos complexos com maior eficiência, mas também reduzirá significativamente o tempo necessário para a execução de algoritmos intensivos e o treinamento de modelos de inteligência artificial. 

“Este investimento reforça o nosso compromisso em permanecer na vanguarda da pesquisa científica e contribuir para o avanço da medicina diagnóstica, ao mesmo tempo em que consolidamos a posição da PUCRS como uma instituição de pesquisa de excelência, capaz de gerar impacto real na sociedade e na comunidade científica global”, pontua. 

Prêmio de Tese Fulbright-Capes

Waldemar em Washington, durante a realização da pesquisa/Foto: acervo pessoal

O doutor pelo programa de Pós-Graduação em História da PUCRS, Waldemar Dalenogare Neto, foi o vencedor do Prêmio Fulbright-Capes de Tese, com a pesquisa Os Estados Unidos e a Operação Condor, realizada sob orientação do professor Helder Gordim da Silveira. Para concorrer à honraria, o departamento de cada Universidade seleciona seus melhores trabalhos e os submete ao prêmio. Os vencedores a nível nacional, como Waldemar, recebem uma bolsa de pós-doutorado nos EUA.  

Para Helder, orientador da tese, essa premiação é importante por representar o reconhecimento nacional e internacional da qualidade e da relevância dos trabalhos de pesquisa desenvolvidos na Pós-Graduação da PUCRS 

Saiba mais sobre a tese 

A Operação Condor foi uma campanha promovida pelos Estados Unidos que esteve intimamente relacionada com as ditaduras militares do Cone Sul, como a brasileira, a chilena e a argentina, promovendo ações de terrorismo de Estado. Embora seja um tema já conhecido, a tese de Waldemar possui um ineditismo:  

“Por muitos anos esses arquivos que utilizei (da CIA, do Departamento de Estado e das embaixadas) ficaram fechados para acesso e eu consegui essa liberação, através de um processo que iniciei já na minha pesquisa de mestrado. Foi um planejamento a longo prazo”, afirma o pesquisador. 

A ideia de Waldemar é realizar um comparativo entre as gestões de diferentes presidentes dos Estados Unidos: os conservadores Richard Nixon e Gerald Ford, que tiveram Henry Kissinger como secretário de Estado, e o governo do democrata Jimmy Carter, que apresentou uma pauta voltada aos Direitos Humanos.  

O pesquisador acredita que sua pesquisa poderá auxiliar nos debates historiográficos na Argentina, no Chile e no Brasil, em especial em relação aos crimes cometidos durante as ditaduras e sobre o papel dos Estados Unidos nesses regimes: “Por muitos anos, a administração dos presidentes Nixon e Ford, em especial o secretário Kissinger, afirmaram nunca ter cometido crime algum nesses países. A partir dessas primeiras descobertas, e existe material para mais pesquisas, outros acadêmicos poderão ser motivados a estudar esse assunto”.  

“É um avanço significativo no conhecimento sobre um tema de enorme importância científica e social para todo o continente americano e para o Ocidente”, complementa o orientador, professor Helder. 

A próxima tese vencedora pode ser a sua! 

Waldemar realizou toda a sua trajetória acadêmica na PUCRS: a graduação, em que obteve láurea acadêmica, o mestrado e o doutorado, ambos obtidos com louvor. “Eu sempre tive apoio da Universidade em todos os meus projetos. Fiz várias viagens para os Estados Unidos durante minha pós-graduação e sempre contei com o apoio da equipe da pós-graduação para conseguir realizá-las. Só tenho coisas boas a falar sobre a instituição que me possibilitou um grande crescimento profissional”, comenta.  

Projeto Institucional de Internacionalização da PUCRS é voltado para estudantes da Pós-Graduação que desejam realizar seus estudos no exterior. Ele possui três temas prioritários que contam com a participação de professores de diferentes áreas do conhecimento: Saúde no Desenvolvimento HumanoMundo em Movimento: Indivíduos e Sociedade e Tecnologia e Biodiversidade: Sustentabilidade, Energia e Meio Ambiente. Com ele, é possível ter uma experiência internacional, ampliando ainda mais os conhecimentos envolvidos em uma pesquisa.  

Se você se interessa por História e, assim como o Waldemar, deseja realizar mestrado e/ou doutorado na área, as inscrições para o programa de Pós-Graduação em História vão até o dia 12 de novembro!  

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Feriados,Letreiro

Foto: Bruno Todeschini

Nesta sexta-feira, 3/9, a 16ª edição do Prêmio Capes de Tese divulgou a lista com os 49 trabalhos selecionados e outros 92 indicados para menção honrosa. Entre os contemplados, cinco foram desenvolvidos na Universidade, nas áreas de Teologia, Educação em Ciências e Matemática, Ciência da Computação, Comunicação Social e Odontologia. 

Originalidade; relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e social do País; qualidade e quantidade de publicações decorrentes da tese; metodologia; redação, estrutura e organização do texto foram os critérios considerados no processo da premiação. 

Conheça os selecionados da PUCRS 

Como prêmio, os autores receberão bolsa de até um ano para estágio pós-doutoral em instituição nacional, certificado e medalha. Já os orientadores receberão um prêmio para participação em evento acadêmico-científico nacional no valor de até R$ 3 mil, além de certificado que também será oferecido aos coorientadores e ao PPG no qual a tese foi defendida. 

Grande Prêmio será anunciado em dezembro 

Dos 49 escolhidos na primeira etapa, três serão agraciados com o Grande Prêmio: um da área de Ciências da Vida; um da área de Humanidades; e um da área das Ciências Exatas, Tecnológicas e Multidisciplinar. Os vencedores serão conhecidos em dezembro. 

Mestrado e doutorado: cursos estão com editais abertos 

Com a melhor pós-graduação do Brasil de acordo com a Capes, a PUCRS está com editais abertos para 22 cursos de mestrado e doutorado em diferentes áreas. As inscrições podem ser feitas até o dia 29 de outubro. Saiba mais. 

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múmia,pesquisa

Crânio mumificado de Iret-Neferet / Foto: Bruno Todeschini

Em Cerro Largo, pequena cidade localizada há cerca de 400 km de Porto Alegre, o Museu 25 de Julho exibia uma múmia egípcia. De acordo com a instituição, ela foi doada por Marcelino Kuntz, que a recebeu como presente na década de 1950. Embora estivesse há mais de meio século na cidade, sua autenticidade ainda não havia sido confirmada, até que, em 2017, pesquisadores da PUCRS a trouxeram à capital gaúcha, onde sua identidade foi confirmada. 

No último ano, análises bioarqueológicas realizadas pelos pesquisadores Edison Hüttner, da Escola de Humanidades, Eder Hüttner e Bruno Candeias identificaram células intactas na múmia, batizada como Iret-Neferet. Por essa descoberta, receberam, neste mês, o prêmio Descobertas do Ano da revista Aventuras na História. 

“Essa descoberta se torna importante por três motivos: em primeiro lugar, por ser inédito encontrar uma múmia egípcia em uma cidade do interior do Rio Grande do Sul e, além disso, por ela ter suas células extremamente preservadas e, por fim, pela característica interdisciplinar da pesquisa, cada vez mais relevante no âmbito acadêmico”, explica o professor Luciano Aronne de Abreu, coordenador do Grupo de Identidades Afro-Egípcias. 

As pesquisas 

Para descobrir a idade da múmia, os pesquisadores utilizaram um dos principais métodos de datação de fósseis, o radiocarbono C-14, que leva em consideração o decaimento radioativo do carbono 14, presente nos seres vivos, ao longo do tempo. Assim, conseguiram estimar que Iret-Neferet viveu por volta de 768 e 476 a.C., ou seja, entre o final do Terceiro Período Intermediário (1070-712 a.C.) e o início do Período Tardio (712-332 a.C.).  

Também foi encontrado um olho esquerdo artificial, inserido durante o processo de mumificação. Esse elemento é um dos principais amuletos egípcios. Sua origem remonta à mitologia egípcia, a qual conta que o deus Hórus teve seu olho esquerdo arrancado por seu irmão Seth durante uma luta. Foi essa característica que deu origem ao nome da múmia, Iret-Neferet, que significa a mulher de olho bonitoOs pesquisadores contam que por não haver escrita nas faixas que a envolviam e apenas sua cabeça ser conhecida, seria difícil descobrir o verdadeiro nome da egípcia.  

Células encontradas em Iret-Neferet/Foto: divulgação

Recentemente, em outubro de 2020, os pesquisadores divulgaram no Congresso da Associação Europeia de Osteointegração, em Berlim, na Alemanha, a descoberta de células intactas no corpo da múmia. O processo de mumificação – seja o natural ou o induzido – consiste na preservação dos tecidos, causada pela desidratação do corpo antes que as bactérias responsáveis pela decomposição possam atuar, no entanto, a precisão da preservação celular surpreendeu.  

Essa análise, realizada no Laboratório de Anatomia Patológica do Hospital São Lucas da PUCRS, utilizou parte dos ossos cranianos conhecidos como mandíbula e masseter. Neles, foi possível identificar hemácias dentro dos vasos sanguíneosA existência de células preservadas possibilita que sejam realizadas novas análises, como as de DNA, as quais auxiliariam a identificar características físicas, possíveis doenças e o parentesco de Iret-Neferet. 

Sobre o prêmio 

Em comemoração aos 18 anos da primeira revista impressa da Aventuras da História, na época da Editora Abril, foi lançado, em julho de 2021, o prêmio Descobertas do Ano. O seu objetivo é dar visibilidade a historiadores, pesquisadores, jornalistas e jovens influenciadores que usam o seu espaço na internet para educar, informar e alertar as próximas gerações. Além disso, possibilita que esses profissionais, impactados pela pandemia, sejam valorizados.  

Os pesquisadores ganharam a categoria Descoberta do Ano, pela descoberta das células intactas de Iret-Neferet. 

Sobre o grupo de pesquisa  

Grupo de Identidades Afro-Egípcias, responsável pela pesquisa, realiza estudos interdisciplinares sobre essas sociedades. Composto por uma equipe renomada de pesquisa, de diferentes universidades, teve como últimas descobertas uma deusa Nimba da etnia Baga/Nalu feita por descendentes africanos, no município de Santo Ângelo (RS) e a cabeça da múmia Iret-Neferet.  

Professor da PUCRS recebe a mais importante premiação mundial sobre o estudo de peixes - Pesquisador Roberto Reis, docente da Escola de Ciências da Saúde e da Vida, recebeu o Gibbs Award, considerado o prêmio de maior prestígio da ictiologia mundial

Professor Roberto Reis recebeu o Gibbs Award pela sua atuação na ictiologia mundial / Foto: Divulgação

O professor da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS Roberto Esser dos Reis recebeu na última semana o prêmio Robert H.  Gibbs Jr. Memorial Award for Excellence in Systematic Ichthyology, considerado o prêmio de maior prestígio da ictiologia mundial, ramo da zoologia dedicado ao estudo dos peixes. A premiação foi oferecida pela Sociedade Americana de Ictiologia e Herpetologia (ASIH). 

Reis é o terceiro brasileiro a receber o reconhecimento, que desde a sua criação já agraciou 33 pesquisadores. “Todos os premiados antes de mim são expoentes mundiais nas suas áreas e figuras muito importantes na ciência mundial, fico extremamente honrado de estar listado entre eles”, celebra o pesquisador. 

Na cerimônia de premiação, que aconteceu de forma online, o presidente da comissão julgadora evidenciou a importante contribuição científica e o alto impacto das pesquisas do professor da PUCRS, destacando os 165 artigos publicados e a descoberta de 129 novas espécies de peixes 

“Ressalto que as excelentes condições de pesquisa proporcionadas pela PUCRS e pelo Museu de Ciências e Tecnologia e a qualidade do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução da Biodiversidade tiveram um papel fundamental no sucesso da minha carreira de pesquisador”, comenta Reis. 

Descobertas contribuem para a preservação 

Os peixes representam o maior grupo de vertebrados na Terra, com mais espécies do que anfíbios, répteis, aves e mamíferos somados. Existem cerca de 34 mil espécies de peixes, sendo metade de água doce. Na América do Sul, atualmente, existem cerca de 6.200 espécies de peixes de água doce conhecidas, mas a estimativa é que o número chegue a nove mil. “Descobrir essa biodiversidade é muito importante para conhecer os recursos que temos e que precisam ser preservados. Além disso, peixes nos oferecem muitos serviços, como esporte, lazer, aquarismo e, especialmente, alimento”, destaca o professor. 

De acordo com Reis, muitas das 129 espécies descobertas durante suas pesquisas foram encontradas no interior da Amazônia, enquanto outras foram registradas em riachos próximos de Porto Alegre. “A parte mais estimulante e aventureira da ictiologia sistemática é o campo, quando participamos de expedições aos locais mais remotos para coletar peixes. Cerca de um terço das espécies de peixes do nosso continente ainda são desconhecidas, e um conhecimento muito detalhado das espécies existentes é necessário para detectar uma espécie nova. Hoje em dia usamos muitas técnicas morfológicas (como estudo de esqueleto e morfologia externa) e moleculares (sequenciamento e comparação de DNA) para delimitar as espécies”, explica. 

Ameaças ao meio ambiente e as espécies 

Professor da PUCRS recebe a mais importante premiação mundial sobre o estudo de peixes - Pesquisador Roberto Reis, docente da Escola de Ciências da Saúde e da Vida, recebeu o Gibbs Award, considerado o prêmio de maior prestígio da ictiologia mundial

Espécies descobertas pelo professor Roberto Reis: Eurycheilichthys luisae (Reis, 2017, localizado no Rio Taquari/RS) e Curculionichthys scaius (Calegari, Gamarra & Reis, 2018) / Foto: Divulgação

Reis aponta que a alteração do meio ambiente, especialmente a derrubada das florestas e a degradação do Cerrado, é a principal causa de ameaça para muitas espécies de peixes e, ao mesmo tempo, a principal causa das mudanças climáticas: 

Ao longo dos últimos 40 anos, meu tempo de ictiologia, notei com muita clareza a diminuição da quantidade de peixes em muitos rios do País. Além disso, houve o desaparecimento de muitos riachos e nascentes que antes tinham peixes e hoje não existem, o aparecimento de muitas espécies exóticas (especialmente da Ásia e da África) que foram introduzidas nas nossas águas e a poluição acelerada de algumas regiões”.

O pesquisador ainda ressalta que as usinas hidrelétricas também representam uma ameaça aos peixes de água doce. Reis explica que a transformação de partes de um rio dinâmico em um lago barra o caminho da piracema (migração reprodutiva) dos grandes peixes da América do Sul. “A regulação do regime hídrico dos rios, desregulando os pulsos de cheia e vazante que são fundamentais na reprodução dos peixes, altera profundamente a composição da comunidade de peixes”, alerta o professor. 

Sobre o pesquisador 

Roberto Esser dos Reis possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestrado em Zoologia pela PUCRS e doutorado em Zoologia pela Universidade de São Paulo (USP). Tem pós-doutorado na University of Michigan e na University of Central Florida, em Orlando.  

É professor na Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS e Regional Chair para a América do Sul do Freshwater Fish Specialist Group da União Internacional para a Conservação da Naturez e Wetlands International. Fundador e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Ictiologia, possui experiência na área de ictiologia, principalmente na descoberta, documentação e descrição da biodiversidade, o estudo das suas relações filogenéticas e a conservação dos peixes de água doce.

mestres e doutores, rede sapiensEm cerimônia online realizada nesta quarta-feira, dia 26 de maio, a Rede Sapiens premiou dez pesquisadores e pesquisadoras do Rio Grande do Sul vencedoras do seu concurso, com  base no número de visualizações dos vídeos de suas pesquisas. Entre os/as ganhadores/as, estão duas doutorandas da PUCRS: Thais Crestani, do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Engenharia e Tecnologias de Materiais (2º lugar) e Clarissa Penha Farias, do PPG em Gerontologia Biomédica (10º lugar). 

A iniciativa  do Pacto Alegre, liderada pela uMov.me Arena, teve o objetivo de conectar o conhecimento produzido por pesquisadores, mestres e doutores com empresas e sociedade. Desde o lançamento da Rede Sapiens, em novembro de 2019, o projeto recebeu 21 mil visitantes únicos em seu site e dezenas de trabalhos inscritos, representando 12 universidades gaúchas, entre instituições públicas e particulares.  

No evento de premiação, Luís Lamb, o secretário estadual de inovação, ciência e tecnologia do RS, celebrou a conexão entre pesquisa e mercado. “É um resultado muito importante que apresentamos hoje para dar visibilidade à produção acadêmica no Rio Grande do Sul. Eu acredito que essa união entre empresas e academia pode contribuir, e muito, com o desenvolvimento econômico do nosso Estado”, reforça Lamb.

As pesquisas da PUCRS no top 10 

Thais Crestani foi orientada pelos professores Izete Zanesco e Adriano Moehlecke e apresentou sua dissertação de mestrado intitulada Desenvolvimento do Campo Retrodifusor Seletivo de Alumínio e Boro em Células Solares de Silício. Assista o vídeo. 

Já Clarissa Penha Farias foi orientada pelas professoras Jociane de Carvalho Myskiw, Irani Iracema de Lima Argimon e Renata Kochhann e apresentou o trabalho Extinction learning with social support depends on protein synthesis in prefrontal cortex but not hippocampus. Assista o vídeo. 

O ano de 2020 ganhou contornos inesperados e mesmo diante de uma pandemia global decorrente da Covid-19, a PUCRS se manteve firme em seus objetivos. Deu respostas ágeis e assertivas em um cenário de grandes desafios, contribuiu com o enfrentamento da doença com inúmeras iniciativas e, além disso, manteve uma ampla programação cultural e pedagógica e iniciativas solidárias de alto impacto social. A missão de servir à comunidade em que está inserida e de contribuir com a ciência, o desenvolvimento e a inovação para a sociedade ficou ainda mais intensa.  

A relevância do trabalho e a gratidão chegam diariamente na Universidade em forma de necessidades atendidas e vidas salvas, mas também neste dia 15 de abril reconhecimento foi apontado na 23ª edição da tradicional pesquisa Marcas de Quem Decidepromovido pelo Instituto Qualidata e pelo do Jornal do Comércio. O evento, realizado pelo canal do YouTube, reuniu gestores das marcas mais lembradas e preferidas do Rio Grande do Sul e teve como tema “Um novo tempo para se reinventar”, simbolizando adaptação das marcas diante de um ano de pandemia e o início de um novo momento para a economia 

O reitor da Universidade, Ir. Evilázio Teixeira, destacou que os reconhecimentos são reflexo da atuação dos profissionais da Universidade. “Uma conquista que reflete a dedicação diária, o engajamento constante da comunidade universitária da PUCRS na busca da excelência no ensino, nas ações de impacto, na pesquisa, na inovação. Todas essas ações mostram o compromisso de nossa Universidade com o Rio Grande do Sul e o Brasil”, afirmou.  

Líderes no coração dos gaúchos quando o assunto é Educação 

Além de estar entre as preferidas na categoria grande marca gaúcha do ano, a PUCRS segue liderando em lembrança e preferência a categoria ensino superior privado. A Universidade também permanecelíder na lembrança na categoria ensino à distânciae é a marca preferida na categoria ensino de pós-graduação.  

Além do reconhecimento à PUCRS, na categoria ensino médio, os Colégios da Rede Marista foram premiados, em um empate técnico com os Colégios Farroupilha e Anchieta, como líderes na preferência dos gaúchos. 

Carinho: homenagem a profissionais que atuam nos serviços essenciais do Campus

Reconhecimentos são fruto da dedicação diária e do engajamento constante da comunidade universitária. #SeguimosJuntos
Foto: Bruno Todeschini

Compromisso com o cuidado e a promoção da vida 

 Em um ano de muitos desafios, a missão marista também foi reconhecida pela sua atuação na linha de frente no combate à Covid-19. O Hospital São Lucas da PUCRS foi condecorado como uma das marcas mais lembradas na categoria proatividade na pandemia.  

Desenvolvimento e inovação 

Já o Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (Tecnopuc) está entre as favoritas na categoria marca gaúcha inovadoraNo contexto da pandemia, o Parque também se dedicou a dar visibilidade às iniciativas empreendidas por startups e demais organizações integrantes do ecossistema de inovação da PUCRS com o propósito de conectar oportunidades e ampliar impacto das ações. 

Todos esses reconhecimentos materializam a dedicação de Irmãos, colaboradores e colaboradoras de todos os empreendimentos maristas do Estado. São mais de 10 mil pessoas comprometidas diariamente com a missão de educar e promover a vida em diferentes espaços de atuação marista. 

A pesquisa Marcas de Quem Decide 

Sobre o Marcas de Quem Decide A premiação Marcas de Quem Decide avalia simultaneamente os índices de lembrança e preferência de marcas em 71 setores da economia e quatro categorias especiais – Proatividade na Pandemia, Grande Marca Gaúcha do Ano, Marca Gaúcha Ambiental e Marca Gaúcha Inovadora. A pesquisa é feita no Rio Grande do Sul, junto a gestores empresariais e profissionais liberais, distribuídos nos principais municípios com participação igual ou superior a 0,5% do PIB Gaúcho. 

Foto vencedora do prêmio em 2020, de Edgar Kanaykõ Xakriabã

Estão abertas as inscrições para o 10º Prêmio de Fotografia – Ciência & Arte, que tem como objetivos fomentar a produção de imagens com a temática de Ciência, Tecnologia e Inovação,; contribuir com a divulgação e a popularização da ciência e tecnologia e ampliar o banco de imagens do CNPq, em consonância com as determinações expressas na Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lei 13709, de 14 de agosto de 2018).  

Podem se inscrever estudantes tanto de graduação (maiores de 18 anos) e pós-graduação, docentes e pesquisadores. As inscrições podem ser realizadas até as 18h do dia 29 de abril de 2021 pelo site. 

  

O prêmio se divide em duas categorias entre as quais é preciso escolher no momento da inscrição 

1 – Imagens produzidas por câmeras fotográficas: ambiente natural e antrópico.  

2 – Imagens produzidas por instrumentos especiais (ópticos, eletrônicos e eletromagnéticos): lupa, microscópio, microscópio eletrônico, telescópio, imagem de satélite, raios-x, ultrassom, ressonância magnética, endoscópio, colposcópio, PET Scan e tomografia computadorizada. 

O prêmio será de R$ 8 mil para o primeiro colocado, R$ 5 mil para o segundo e R$ 2 mil para o terceiro. Além disso, o/a vencedor/a de cada categoria receberá passagem aérea e diárias para participar da 73ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontecerá em julho de 2021, em data e local a serem definidos. Mais informações sobre o regulamento podem ser conferidas no site oficial do concurso. 

 

Cadeia

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Mestre pelo Programa de pós-graduação em Ciências Sociais (PPGCS) da Escola de Humanidades, Marcelli Cipriani Rodrigues recebeu o prêmio de melhor dissertação do Brasil em concurso realizado pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpoc), que selecionou a melhor tese e dissertação em Ciências Sociais em 2020. Sob orientação do professor Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, Marcelli estudou a relação entre o aumento dos homicídios em Porto Alegre e a queda desses crimes na Cadeia Pública da capital. 

A dissertação intitulada Os coletivos criminais de Porto Alegre: entre a “paz” na prisão e a guerra na rua já havia sido premiada na etapa regional do concurso , em dezembro, representando o Sul e o Centro-Oeste. Posteriormente, foi escolhida por um júri internacional como a melhor dissertação do Brasil na área.  

“O prêmio conquistado por Marcelli é consequência direta da excelência do trabalho da pesquisadora. Isso também evidencia a qualidade do trabalho desenvolvido pelo nosso PPG – representado aqui pelo professor Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo, orientador de Marcelli  – na formação de mestres e doutores. Finalmente, cabe destacar que essa conquista é mais um indicador consistente da presença da PUCRS no âmbito da pós-graduação brasileira”, afirma o coordenador do PPGCS Rafael Madeira. 

  

Movimentos de guerra e paz 

  

Em sua pesquisa, Marcelli teve o objetivo de investigar a coexistência entre a progressiva redução dos índices de mortes, motins e rebeliões ocorridos na Cadeia Pública de Porto Alegre – a “pacificação” – e o considerável aumento de homicídios ocorridos nas ruas, durante o período que ficou conhecido como “a guerra das facções”. “Pude apurar que a guerra resultou de uma reordenação das dinâmicas do crime no município, que passou a se articular não meramente em grupos criminais, mas mobilizando suas ações, primordialmente, de duas formas: frentes de aliança compostas por vários grupos e redes de favores e serviços que marcam, por oposição, quem são os inimigos 

Com isso, os confrontos adquiriram outra dimensão, passando da escala micro local – enfrentamentos pontuais entre um e outro grupo – para outro nível, que agrega uma gama de aliados e inimigos. Além disso, como conta Marcelli, a guerra não estava associada, inicialmente, a disputas territoriais, mas à afirmação do poder e à necessidade de desqualificar os rivais, o que fez com que os homicídios adquirissem um caráter simbólico, tornando-se um meio de possível provocação ao rival.  

“Apurei, também, que, para consolidarem-se nas ruas, os coletivos lançam mão do espaço prisional, onde grandes trocas comerciais são firmadas e alianças estratégicas são estabelecidas. Durante o conflito, esse recurso possibilitou a entrada de novos adeptos às organizações das facções fora da prisão, projetando essas alianças no território urbano”, explica Marcelli.  

Entretanto, para assegurar a autonomia e o controle das galerias prisionais, os presos devem contribuir na manutenção do sistema em “paz”, além de serem incorporados em inúmeras funções e atividades necessárias à operacionalização cotidiana do presídio. Assim, a “pacificação” tornou-se vantajosa tanto aos grupos criminais quanto à administração: os primeiros se fortalecem e expandem cada vez mais suas alianças, enquanto a segunda assegura o funcionamento da prisão com tranquilidade, apesar do baixo investimento no sistema prisional e do índice galopante de aprisionamentos.