Pesquisa direito penal

Pesquisa propõe o desenvolvimento de um Direito Penal do Cuidado.

A empatia é descrita como a capacidade das pessoas se colocarem no lugar das outras, sentir o que o outro está sentindo ou conseguir entender através de outras perspectivas. Já a compaixão é o desejo de diminuir o sofrimento do outro, ou seja, se motivar e agir para aliviar alguma situação negativa que esteja acontecendo com o próximo. Essas atitudes capazes de enriquecer as relações e as experiências afetivas em sociedade, são historicamente assuntos estudados pela Filosofia e pela Psicologia, porém mais recentemente o professor e pesquisador da Escola de Direito da PUCRS Fabio Roberto D’Avila vem desenvolvendo estudos inéditos que unem as duas características com Direito Penal.

Com sua pesquisa intitulada Empatia e Compaixão no Direito Penal: Estudos a Partir da Neurociência Cognitiva do Fundamento Onto-antropológico do Direito Penal, o docente apresenta descobertas da neurociência cognitiva sobre as noções de empatia e compaixão para buscar desdobramentos para o direito penal nos processos de conformação do crime e da pena.

Para o pesquisador, os grandes problemas penais da atualidade precisam da compreensão que o Direito não é apenas um instrumento, mas também, um legado de direitos e garantias que conformam um dado estado civilizacional. Com isso, a pesquisa conduzida no Grupo de Pesquisa em Direito Penal Contemporâneo do Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais da PUCRS parte do fundamento onto-ontropológico, que recoloca o ser-pessoa no centro do entendimento jurídico-penal e propõe o desenvolvimento de um Direito Penal do Cuidado.

Empatia e Compaixão no Direito Penal

As primeiras investigações neurocientíficas sobre empatia e compaixão foram imediatamente associadas aos campos da economia, saúde, educação e não ao Direito ou ao Direito Penal. Porém, conforme explica o docente, os pontos em contato que unem os estudos de neurociência cognitiva e Direito Penal estão nas resoluções sobre a condição humana e a forma como as pessoas se veem e se relacionam em sociedade.

D’Avila complementa que, enquanto os estudos de neurociência cognitiva se debruçam sobre o comportamento humano, sobre a forma de pensar e agir, o Direito Penal formula proposições e respostas a partir justamente de uma dada compreensão do ser do humano e da sua expressão em comunidade. Desta forma, a empatia e a compaixão surgem como elementos-chave para uma melhor compreensão do ser de estar no mundo e, com ela, de toda uma série de possíveis desdobramentos que afetam diretamente o Sistema de Justiça Penal.

Com isso, a pesquisa desenvolvida na PUCRS parte de descobertas da neurociência cognitiva na abordagem sobre a presença do outro na vivência individual e comunitária, tanto o fenômeno do contágio emocional, quanto as comprovações que afirmam a importância da empatia e da compaixão nas relações sociais. Essas noções foram ponto de partida para o desenvolvimento dos estudos que unem o fenômeno empático com a perspectiva do Direito e do Direito Penal.

Primeiramente, conforme apresentado na pesquisa, entender a empatia e compaixão permite uma nova visão, outra concretude e densidade a toda uma forma de compreender a presença humana no mundo. Entendimento que comprova o esgotamento de determinados modelos explicativos da condição comunitária e reivindica a ascensão de um novo Modelo de Pessoa (Menschenbild).

“Seria um Modelo de Pessoa já não mais centrado em interesses individuais, mas construído a partir de um outro que também sou eu, a inaugurar novos olhares sobre a nossa condição humana em sociedade. Ou seja, um necessário e definitivo passo no caminho de uma melhor compreensão da nossa existência e do sentido que essa existência reclama”, complementa.

Outra conclusão apresentada no estudo explica que a forma pela qual as respostas empáticas do cérebro são moduladas, a denotar defeitos de empatia, lança luz sobre dimensões invisíveis do Direito. Desta forma, o tema se destaca de forma relevante sobre grandes campos da juridicidade penal, como ao processo penal, ao direito penal material, à atuação policial e à questão penitenciária. Conforme explica o professor, em todos estes campos, observa-se pontos especialmente sensíveis a fatores inibidores da resposta empática, a colocar riscos relevantes ao bom funcionamento do Sistema de Justiça Penal.

Ciências Criminais na PUCRS

O Programa de Mestrado e Doutorado em Ciências Criminais vem se distinguindo, desde a criação do Mestrado em 1997, por inovar profundamente na abordagem dos problemas relacionados ao sistema penal e à violência em sentido amplo. Mais recentemente o curso foi reconhecido pela nota 5 na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Interessados em iniciar uma pós-graduação stricto sensu já podem se inscrever para ingressar na PUCRS em 2023. O processo seletivo está aberto para 20 programas de mestrado e doutorado em diferentes áreas, até o dia 2 de dezembro. mundo precisa de você em uma das melhores Universidades da América Latina, inscrições abertas para 2023/1, acesse.

Cursos de pós-graduação são opção para quem busca atualização em Direito

Cursos estão com inscrições abertas, com opções de formações sobre diversos temas / Foto: Unsplash

Com um mercado cada vez mais exigente e a sociedade se transformando de maneira intensa e muito rápida, estar atualizado é essencial para profissionais da área do Direito. Para acompanhar essas mudanças, é preciso não só conhecer as respostas para os problemas hoje enfrentados no cotidiano forense, mas também ter o olhar atento para os desafios do futuro.

Um dos caminhos possíveis para buscar atualização e se manter em contato com as novidades que surgem é cursar uma pós-graduação. Segundo o coordenador de Educação Continuada da Escola de Direito da PUCRS, professor Luis Alberto Reichelt, esse é um passo praticamente obrigatório para os profissionais da área:

“A inserção no mercado de trabalho pressupõe cada vez mais qualificação – e não só no que se refere à obtenção de um título, mas, fundamentalmente, do ponto de vista da repercussão desse aprendizado na qualidade do trabalho desempenhado”.

O professor afirma que é preciso revisitar constantemente os conteúdos com os quais se teve contato em outros momentos, a fim de compreender o atual olhar dos tribunais e dos acadêmicos estudiosos a seu respeito. “Também é preciso estar atento ao que está por vir em termos de inovações trazidas em decisões judiciais e na doutrina”, pontua.

Tradição e atualização na área do Direito

Os cursos de especialização em Direito da PUCRS estão com inscrições abertas. Há opções de formações sobre diversos temas, entre as já tradicionais, como Ciências Penais, que chega a sua 25ª edição; e novidades que acompanham as atualizações da área, como a especialização inédita em Direito Digital e Proteção de Dados. Esse é um dos pontos destacados por Reichelt: a forte sintonia dos cursos propostos com as inúmeras transformações da sociedade e do Direito na atualidade.

O professor também valoriza o fato de os cursos colocarem os estudantes em contato com professores reconhecidos no mercado, os quais são protagonistas dos principais debates jurídicos nacionais e internacionais. “Isso favorece o diálogo desses alunos com o que há de mais avançado em termos de atuação forense e de pesquisa científica acadêmica. O que eles vivenciam em aulas permite uma efetiva transformação para melhor o mundo no qual eles inserem”, conclui Reichelt.

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Conheça os cursos oferecidos pela PUCRS na área e qualifique sua carreira

Estátua, Justiça, Lei, DireitoReconhecido nacional e internacionalmente, o Programa de Pós-Graduação em Direito da PUCRS mantém sua posição entre os oito melhores programas da área no Brasil, atingindo o conceito 6 na Avaliação Quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) de 2017. Destacado pela sua inserção internacional, impacto regional e nacional na formação de docentes e com teses premiadas, o programa está com inscrições abertas até de 19 outubro. Para o mestrado, são oferecidas 25 vagas para titulares e duas para suplentes. Para o doutorado, são dez vagas para titulares e duas para suplentes.

Fundado em 1988, com o curso de mestrado, e posteriormente com o curso de doutorado em 2001, o Programa tem duas áreas de concentração: Fundamentos Constitucionais do Direito Público e do Direito Privado e Teoria Geral da Jurisdição e Processo.  Nesses 30 anos de experiência, acumula o maior número de prêmios no Direito concedidos pela Capes, que escolhe a cada ano as duas melhores teses das diferentes áreas de todo o Brasil. Além de um Prêmio Capes de Tese e uma menção honrosa, o PPG é o único na área a ter conquistado um Grande Prêmio Capes de Tese, na categoria de Ciências Humanas, Linguística, Letras e Artes e Ciências Sociais Aplicadas e Multidisciplinar, com o trabalho de Amanda Travincas, em 2017.

Inserção internacional

De acordo com o coordenador Ingo Sarlet, a inserção internacional é um dos principais diferenciais.  Além de ter muitas parcerias, tanto convênios formais quanto relações efetivas dos próprios professores, no desenvolvimento de projetos de pesquisa, eventos e publicações conjuntas, é recorrente a vinda de profissionais estrangeiros, assim como de outras regiões do Brasil, para a realização de cursos, seminários, palestras, aulas e bancas. “Isso significa não apenas um mecanismo de internacionalização do Programa, mas também a oxigenação do debate interno sobre os temas caros aos seus professores. Assim, os alunos têm acesso a muita informação e a profissionais de peso na área”, explica o docente. Entre os países com trocas recorrentes estão Alemanha, Espanha, Itália, França e Portugal, na Europa, e Peru, Chile, Colômbia e Argentina, na América Latina.

Há também um forte intercâmbio de alunos em doutorado sanduíche no exterior, principalmente nos Estados Unidos, França, Alemanha, Portugal e Espanha. Desde 2001, os doutorandos têm a oportunidade de aprofundar sua pesquisa, a ser defendida no Brasil. “Nós temos tanto discentes de doutorado que vão com o sistema formal da Capes com bolsa, como outros que vão com recursos próprios, com liberação do seu trabalho, mantendo a remuneração, e ficam um período maior ou menor fora”, informa o coordenador. O curso oferece também algo que poucos programas em Direito têm no país: regimes de cotutela, que disponibilizam diplomas em dupla titulação. No Programa, esse acordo já foi estabelecido com Universidade de Sevilha, e mais recentemente, com a Universidade de Zaragoza, ambas da Espanha.

Contribuição Nacional

Justiça

Foto: Arquivo – Ascom/PUCRS

A excelência do Programa atrai discentes de todo o Brasil, principalmente doutorandos e pedidos de pós-doutorado. Entre os estudantes atuais e egressos estão 15 alunos, vindos de Salvador, Maranhão, Santa Catarina, Curitiba, Brasília, São Paulo, Piauí, Pará e Espanha, e outros 12 alunos de Maceió na modalidade Doutorado Interinstitucional (Dinter), caracterizada por formar mestres e doutores do quadro permanente de docentes de instituições distantes dos grandes centros de ensino e pesquisa, de modo a diminuir as assimetrias entre regiões. Com um mínimo de 6 meses de duração, todos os 25 pedidos de estágio pós-doutoral que o Programa recebeu foram aprovados.  Dessa forma, tem papel significativo na formação de professores e pesquisadores, com dezenas de titulados atuando em PPGs em Direito no Rio Grande do Sul e em outros estados da federação.

Perfil do aluno

De acordo com Sarlet, o perfil de aluno é muito heterogêneo. No doutorado, predominam os alunos que já atuam profissionalmente, e, no mestrado, cresce o número daqueles focados apenas na pesquisa acadêmica. “Temos alunos de todas as carreiras jurídicas, como advogados, juízes federais e estaduais, juízes do trabalho, procuradores, desembargadores, etc. Na maioria são pessoas atuantes e até mesmo com destaque em suas áreas”, afirma o coordenador.

SAIBA MAIS
Inscrições até 19 de outubro
Teses defendidas
67
Dissertações defendidas
488
Professores doutores e pós-doutores titulados no exterior
9 doutores
8 pós-doutores
Alunos de fora do Estado
Alunos vindos do Salvador, Maranhão, Santa Catarina, Curitiba, Brasília, São Paulo, Piauí, Pará e Maceió
Alunos de fora do País
Alunos da Espanha
Alunos em estágio pós-doutoral
25
Bolsas de estudo
35 CAPES (mestrado e doutorado)
2 CNPQ (mestrado)
Valor da bolsa integral Capes/CNPq
Mestrado: R$ 1.500
Doutorado: R$ 2.200

tanapauta, escola de direito, trabalho escravo, 3ª edição #tanapauta, pauta, trabalho, setas, mapa, brasilA Escola de Direito promove na próxima terça-feira, 31 de outubro, a 3ª edição do #tanapauta, com o tema Trabalho Escravo. Para abordar o assunto, estará presente Rafael Foresti Pego, Procurador do Trabalho da 4ª Região e Mestre em Direito pela PUCRS. A palestra, aberta ao público e gratuita, será realizada no auditório do prédio 11, das 17h30min às 19h15min, e as inscrições podem ser efetuadas na secretaria da Escola, no 8º andar do prédio 11 (Av. Ipiranga, 6681 – Porto Alegre). A participação é válida como 2 horas de atividade complementar para alunos do curso de Direito, e não serão fornecidos certificados. Para mais informações, entre em contato pelo telefone 3320-3634.