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Na companhia das suas filhas, Rafael está em casa / Foto: Arquivo pessoal

Enquanto grande parte do mundo ainda mensurava os efeitos da pandemia do novo coronavírus, Rafael Lisboa Muller, de 45 anos, se deparava com o maior desafio de saúde da sua vida. No dia 29 e março, após argumentar com a esposa que precisava de ajuda médica por achar que “poderia morrer” de tanta dificuldade em respirar, ele ingressou apressado no Hospital São Lucas da PUCRS. O que o representante comercial não sabia ainda é que aquela seria a sua segunda casa pelos próximos meses.

Com baixa oxigenação no corpo devido ao diagnóstico de Covid-19, Muller logo precisou ser entubado na UTI. “Foi tudo muito rápido. Vim para o hospital, recebi o diagnóstico e avisei meu irmão para vir buscar o carro, pois não sabia quanto tempo ficaria”, relata. Não houve tempo para despedidas e a partir daquele momento, sua esposa Sheila, e as filhas Rafaela e Giovana, de 15 e 13 anos, respectivamente, tiveram que lidar com o acompanhamento a distância.

Foram 42 dias inconsciente, 50 na UTI e a constante sensação de medo e insegurança. “Meu maior choque foi acordar e perceber que não conseguia me mexer. Ali eu entendi que precisaria de ajuda por um tempo. Não era mais autossuficiente”, pondera. O carinho familiar imprescindível veio algum tempo depois, em forma de esperança. “Passei 63 dias sem ver as minhas filhas e naqueles breves 20 minutos que tivemos para nos encontrar no Hospital, passamos praticamente o tempo todo chorando”, recorda.

É a partir dessas lembranças que o empresário se reconecta com o dia a dia do hospital, onde viveu uma rotina jamais esperada. Até a sua alta oficial, no dia 16 de junho, o processo de recuperação era acompanhado de perto por Fabiano Ramos, chefe do Serviço de Infectologia do HSL, e toda a equipe de atendimento. Com gratidão, Muller lembra de todos que de alguma forma tentavam animar seus dias, cuidando, trazendo as notícias que vinham de fora e ajudando com algumas vontades simples, como o banho fora da cama. “É difícil citar todo mundo que foi especial nesse período, mas destaco o Jason e o Henrique, da Enfermagem, como duas figuras muito importantes no dia a dia”, comenta.

A grande batalha contra o vírus

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Família novamente reunida / Foto: Arquivo pessoal

Durante a batalha contra a Covid-19, o porto-alegrense precisou lidar ainda com quatro bactérias que estenderam a sua internação. Ainda viu o irmão André ficar na mesma jornada contra a doença, mas a recuperação finalmente chegou, trazendo desafios e responsabilidades para a retomada da vida normal. “Pela inatividade do corpo, precisei de fisioterapia para voltar a andar, o que só foi possível uma semana depois da alta”, relembra. O estilo de vida ativo permanece no horizonte. Muller só retornou ao trabalho no dia 18 de julho. Os oito quilômetros diários de corrida, ainda são um desejo distante.

Mesmo reconhecendo as limitações temporárias, ele sabe que o pior já passou, deixando importantes lições que o fazem enxergar a vida de outra maneira. “O que eu posso dizer é que não tenho mais problemas. Depois que você passa por uma experiência dessas, não tem mais pressa. Ser feliz e passar o máximo de tempo com a família é a minha prioridade”, celebra. Essa é a mensagem que pretende levar adiante, principalmente para aqueles que se encontrarem na mesma situação. “Você tem uma montanha pela frente, então faça a escalada devagar. Na volta, respeite o tempo e esteja aberto a contar com a ajuda dos outros”, conclui.

Veja o momento que o paciente recebe alta no HSL: