Símon; medicina reprodutivaNesta quinta-feira, 25 de maio, a Escola de Medicina da PUCRS recebe o médico espanhol Carlos Simón Vallés para conferência sobre células-tronco em medicina reprodutiva. Simón é professor titular de Obstetrícia e Ginecologia na Universidade de Valência (Espanha), professor adjunto da Universidade de Stanford e do Baylor College of Medicine (EUA) e diretor científico da empresa de biotecnologia Igenomix. Ele foi o primeiro a trabalhar com células-tronco na Espanha e desenvolveu várias linhagens celulares, criando um banco de dados de livre acesso, gerenciado pela Universidade de Valência.

A palestra, realizada em parceria com a Fertilitat – Centro de Medicina Reprodutiva, é aberta ao público e voltada para estudantes, médicos, pesquisadores e cientistas da área da saúde. O evento ocorre às 11h, no anfiteatro Irmão José Otão, localizado no 2º andar do Hospital São Lucas da PUCRS (Av. Ipiranga, 6.690). Não há necessidade de inscrições. No entanto, alunos da Escola de Medicina que desejam receber certificado de participação podem enviar e-mail para [email protected], informando nome completo.

 

Avanços e desafios

Autor de 408 artigos científicos e detentor de diversos prêmios, Simón recebeu em 2016 o Distinguished Researcher Award, o mais alto reconhecimento da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM). Para o especialista, os principais avanços alcançados na área de medicina reprodutiva aprimoraram a eficiência e segurança no processo reprodutivo e em testes genéticos de casais e embriões, assegurando o nascimento de bebês saudáveis, sem problemas cromossômicos ou doenças genéticas.

Sobre os desafios na medicina reprodutiva, Simón destaca a abertura de campo não apenas para pacientes com infertilidades, bem como para todas as pessoas que querem planejar a família, tendo filhos sem doenças congenitais. “Eu não vejo dilemas éticos nesse tipo de tratamento. Casais querem ter sua própria família, eles têm algum problema médico e nós os ajudamos com isso”, afirma Simón.

 

– Muitas mulheres têm adiado a maternidade para depois dos 40 anos. Quais as possibilidades mais recentes da medicina reprodutiva para mulheres nessa idade?

As possibilidades para mulheres em seus 40 estão basicamente na existência de uma boa reserva ovariana para obter óvulos. Passado esse obstáculo, a análise de anormalidades cromossômicas, usando a triagem genética pré-implantação, é fundamental para assegurar a saúde do bebê.

 

– Qual o papel das células-tronco em tratamentos para fertilidade?

As células-tronco são usadas no tratamento de células que não podem ser tratadas com fármacos, como por exemplo, na síndrome de Asherman, resultante de curetagens e raspagem repetitivas. Células autólogas, derivadas da medula óssea, são utilizadas na tentativa de criar gametas quando estas não existem pela reprogramação de células da pele.

 

– Há contraindicações?

A única contraindicação são os pacientes que não podem conceber devido a condições médicas que colocariam em risco a sua vida durante uma gravidez.

 

– Qual a importância desse tema ser abordado nas universidades, ainda na formação de novos médicos?

A medicina reprodutiva é um campo que está se expandindo rapidamente, que está sendo ensinando nas universidades mundo afora. É crucial para médicos em treinamento ir além do escopo das ciências clínicas.

 

– Como o senhor vê o Brasil nessa área frente ao cenário internacional?

O Brasil está indo muito bem na área das ciências. Os cientistas são excelentes e com o suporte econômico dos tomadores de decisões e da sociedade, terão sucesso.

 

– Quais são seus principais projetos de investigação no momento?

Nossa principal pesquisa é o diagnóstico de anormalidades cromossômicas no embrião, analisando as condições do meio no qual ele está crescendo. O teste não invasivo de receptividade endometrial (ERA) busca entender o microbioma do útero. Também estamos trabalhando em um projeto de célula-tronco para o tratamento da síndrome de Asherman.