Pressão estética e mídias sociais
Com as mídias sociais, as mulheres passaram a se analisar mais/Foto: Pexels

Que mulher nunca quis ter o corpo dos sonhos? A pressão estética afeta mulheres desde a infância, fazendo com que passem a viver relações complexas com seus próprios corpos. As redes sociais estampam a vida perfeita: imagens editadas semelham a vida real e é cada vez mais difícil ver pessoas sem filtros. De que forma isso impacta na percepção do gênero feminino sobre si mesma? Tentando encontrar essas respostas, estudantes do curso de Publicidade e Propaganda elaboraram a pesquisa Mídias Sociais e a Relação das Mulheres com a sua Aparência 

Instagram: a nova capa de revista 

Se anteriormente o ideal de corpo era de modelos que estampavam as capas de revista, hoje em dia os influenciadores das redes sociais ocupam esse papel. “Recebo pacientes que chegam com fotos de si mesmos com filtro e falam ‘eu quero ficar com a boca assim’. Em muitos casos, são bocas impossíveis de serem feitas”, comenta a cirurgiã plástica Renata Vidal, em entrevista à revista Elle. 

“Antes, as formas de comunicação eram muito mais tranquilas. Era uma revista, a televisão… Eram itens que faziam parte do entretenimento das pessoas, mas existia um certo afastamento, você sabia que eram celebridades. Era algo inalcançável. Hoje em dia, com acesso facilitado para a comunicação em rede, a gente percebe que a Natália, de Porto Alegre, se compara com a Kylie Jenner, que tem idade semelhante, mesmo que as realidades sejam muito diferentes, e começa a querer ser como ela”, explica Natália Manquevick, uma das responsáveis pelo estudo.  

O grupo percebeu que o Instagram é a rede social mais utilizada pelas mulheres que participaram do estudo e três pontos induzem a busca por procedimentos estéticos:  

  1. A distorção da própria imagem, potencializada por filtros e efeitos das mídias; 
  2. A facilidade e a motivação vindas de influências próximas às pessoas para a realização de procedimentos; 
  3. O período de isolamento social, em razão da pandemia.  

Embora as mulheres sigam celebridades que falam abertamente sobre os procedimentos realizados por elas, são pessoas do seu próprio ciclo social que têm a maior influência sobre as decisões. Nesse caso, pessoas famosas servem como inspiração e conhecidos que já ocuparam o posto de pacientes atuam como “especialistas por experiência”. 

A pressão estética surge em casa 

Tainá, de 34 anos, mesmo sem cirurgia, já pensou em fazer uma rinoplastia. Sua insatisfação com o nariz surgiu ainda durante a infância:  

“Minha mãe brincava de apertar o meu nariz, ela vinha ‘deixa eu apertar para afinar ele’, eu achava engraçadinho, porque era criança. Hoje em dia, percebo que desde lá já era uma negação ao aspecto da pele, da genética, das nossas origens”, conta. 

Acredita-se que as insatisfações das mulheres com a aparência e o corpo são mais expressivas pela influência e o impacto de vivências passadas na infância e na adolescência. Nessa fase, em que a pessoa ainda está desenvolvendo sua personalidade, críticas e apontamentos feitos pela família têm impactos permanentes na autoestima.  

As mídias sociais são responsáveis por expandir essas inseguranças e ampliar essa pressão estética, pois os filtros possibilitam corrigir aspectos físicos que causam incômodo e, a partir da satisfação com a imagem alterada, a possibilidade de corrigir verdadeiramente essas imperfeições se torna mais real. 

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Diferenças geracionais  

Respondentes da pesquisa acreditam que o mercado de procedimentos estéticos crescerá/Foto: Pexels

Tanto na fase qualitativa quanto na quantitativa da pesquisa participaram mulheres de 18 a 34 anos divididas em dois grupos geracionais: as mais novas, entre 18 e 24 anos, e as mais velhas, entre 25 e 34. Algumas diferenças entre ambas as faixas etárias ficaram em evidência, como:  

Alguns aspectos, no entanto, se mostraram um consenso entre a maioria das entrevistadas ou respondentes da etapa quantitativa, independentemente da idade: 

A pandemia e o futuro do mercado 

Com a pandemia, as pessoas passaram a se enxergar mais pelas telas, intermediadas por filtros, o que impactou muito na percepção das mulheres sobre si mesmas. Pesquisadores dos EUA já identificaram o que foi denominado dismorfia do Zoom, ou seja, uma ansiedade sobre a aparência individual causada pelas chamadas de vídeo.  

Além disso, a possibilidade de trabalhar de casa durante o pós-operatório foi um dos impulsionadores para que mulheres realizassem intervenções cirúrgicas para modificar o rosto ou o corpo. 

A maior parte das respondentes da etapa quantitativa da pesquisa acredita que esse mercado se expandirá no futuro, com um aumento na busca e na realização desses procedimentos. No entanto, apesar da pressão estética ser sentida pela maioria delas, a minoria das participantes do estudo realizou algum procedimento, embora as mais novas tenham pretensão de fazê-lo. A falta de desejo não é o principal agente desmotivador para essas intervenções, mas, sim, os altos valores das cirurgias e o medo de erros médicos e dos riscos.  

Mapeando comportamentos 

O estudo Mídias Sociais e a Relação das Mulheres com a sua Aparência foi elaborado no primeiro semestre de 2021 dentro na disciplina de Projeto de Pesquisa de Mercado em Publicidade e Propaganda, sob orientação do professor Ilton Teitelbaum, pelas estudantes Ana Aguiar, Gabriela Machado, Maria Bitencourt e Natália Manquevick. 

Para Natália, foi importante realizar essa pesquisa para compreender que o público não é homogêneo e que cada pessoa possui sua individualidade. Ainda, complementa que um dos motivos para a escolha do tema foi que as pesquisadoras não desejavam ser coniventes com a pressão estética, tornando importante compreender de que forma ela ocorre e quais são suas consequências na sociedade. 

Após um mapeamento inicial da problemática, as estudantes realizaram a etapa qualitativa da pesquisa, que contou com entrevistas em profundidade com jovens de 18 a 34 anos com e sem procedimentos estéticos, a psicóloga Susana Gib, a cirurgiã plástica Gabrielle Adames e a “especialista por experiência” Jeane Pereira. Por fim, a etapa quantitativa teve 253 mulheres respondentes, moradoras de Porto Alegre e Região Metropolitana e pertencentes à faixa etária analisada. 

Leia também: Quando olho no espelho: a influência da pandemia no mercado de beleza 

Como cuidar da saúde da pele em meio à rotina da pandemia

Foto: Pexels

Após mais de um ano de pandemia da Covid-19, máscaras, protetores faciais e álcool em gel se tornaram alguns dos acessórios mais comuns na rotina de quem precisa sair de casa. Porém, ao utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) por longos períodos, a superfície da pele pode ficar com marcas e até mesmo machucados. 

Profissionais da linha de frente do combate ao coronavírus têm apresentado peles extremamente avermelhadas, muitas vezes com irritações, feridas e até manchas”, conta  Roberta Palazzo, professora do curso de Biomedicina da Escola de Ciências da Saúde e da Vida e coordenadora da pós-graduação em Estética e Cosmética: Gestão, Negócios e Procedimentos da PUCRS. Já para o público geral, os casos mais relatados são o de surgimento de acne, coceira, descamação, ressecamento, oleosidade, poros dilatados e flacidez. 

Por que o uso da máscara promove alterações na pele? 

Uma das causas é o aumento da temperatura dentro da máscara, por causa da respiração. Isso faz com que a transpiração seja maior e, consequentemente, a desidratação da pele também. Uma reação natural de defesa do corpo para isso é produzir oleosidade, cerca de 10% a mais a cada elevação de 1°C. 

Outra modificação é a do pH cutâneo, que costuma ser levemente ácido pela presença ácidos graxos e ácido lático no sebo e no suor, respectivamente. Com a maior produção desses fluidos o resultado é uma maior acidificação,  causando o desequilíbrio da microbiota cutânea, surgimento de infecções e agravamento de condições pré-existentes como rosácea e psoríase. 

O uso prolongado de máscara também foi associado a alterações na elasticidade da pele, por causa do calor e da umidade. O microambiente criado promove uma série de estímulos repetitivos e desconectados das condições atmosféricas reais, gerando as alterações e fatiga cutânea. 

Como minimizar o impacto dessa nova rotina na pele? 

Confira algumas orientações de Roberta que podem ajudar na saúde e na recuperação da sua pele: 

Aprenda com uma estrutura de ensino completa 

Como cuidar da saúde da pele em meio à rotina da pandemia

Foto: Charlotte May/Pexels

Se o seu sonho é atuar na área da saúde, conheça as diferentes opções de cursos oferecidos pela PUCRS, como a Biomedicina, por exemplo. O curso forma profissionais capacitados/as para as atividades de biomedicina estética, diagnóstico por imagem e terapia, análises clínico-laboratoriais e toxicológicas, reprodução humana, ciências forenses, genética, entre outros campos de atuação. 

E para você continuar se qualificando, conheça a pós-graduação em Estética e Cosmética: Gestão, Negócios e Procedimentos do PUCRS Online e amplie seus horizontes em um dos mercados mais promissores do Brasil e do mundo: a indústria da beleza e do bem-estar. 

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Fotos: Luiz Munhoz

Reconhecido e aclamado mundialmente por ser uma referência em ideias políticas conservadoras e polêmicas, o pensador e escritor britânico Roger Scruton foi moderado ao falar para uma plateia lotada na terceira noite de conferências do Fronteiras do Pensamento, em 1º de julho. Deu pinceladas em alguns temas controversos contemporâneos, mas se ateve em refletir de forma profunda sobre os sentidos da vida, o tema de sua palestra e também do ciclo de eventos deste ano.

“Somos criaturas ávidas por sentido. Sem sentido é quase impossível aceitar viver. Buscamos significados até onde ninguém os implantou, como nas flores”, refletiu. Tendo como fio condutor a história de sua mãe, Scruton, 75 anos, um dos mais importantes filósofos da atualidade, membro da Royal Society of Literature, condecorado com a medalha da Ordem do Império Britânico e professor da Universidade de Buckingham, relatou um convívio familiar difícil na infância e juventude.

Em busca de sentido

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O filósofo respondeu a perguntas da plateia

Afeto e acolhimento não eram demonstrados por seus pais, o que o levou a fugir de casa aos 16 anos. A mãe, tímida e reclusa, submissa ao marido, um operário sindicalista de personalidade opressora, sofria calada. Vítima de câncer de mama, no fim da vida, no leito, confidenciou aos filhos: “Minha vida foi um fracasso, nunca admiti isso. Mas agora eu sei. Olho para trás e vejo que nunca disse o que queria: que eu amava vocês”. Scruton revelou que carregou as palavras e o desespero da mãe por 50 anos. “Ela buscou o sentido da vida e não encontrou nenhum”, avaliou.

Autor de best-sellers sobre filosofia, política e estética, além de produções acadêmicas e um documentário para a BBC sobre Por que a beleza importa?, escreveu A alma do mundo e A natureza humana, onde diz que o sentido da vida não é o significado que cada um atribui a ela. “É o significado que os outros lhe conferem, através do reconhecimento da minha vontade, da compaixão pelo meu sofrimento e do perdão pelos meus defeitos.”

A redenção, na análise de Scruton, é uma solução para as falhas do passado. Ele questionou por que as pessoas agem, sentem e reagem de certa forma. Segundo o filósofo, a redenção não vem do ego, vem do outro. “Reconhecemos, em nosso ser, que não estamos sozinhos. Que o que importa para nós, a nossa salvação, é o amor, a compaixão e o perdão que os outros nos concedem.” E foi além: “Mais promissor é buscar o sentido da vida não nos acontecimentos que a compõem, mas na visão que a redime”. Acrescentou que o fundamental para uma vida de relações pessoais é o sacrifício. “O pensamento de que os outros poderiam se sacrificar por mim é um pensamento que muda o mundo”, vaticinou.

Em busca da beleza

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“A beleza está desaparecendo do mundo porque vivemos como se ela não importasse”

Diante da relação somente instrumental com o mundo, Roger Scruton defende o papel da beleza. Diz que ela está intimamente ligada ao sagrado, ao contrário da sociedade materialista, que vê todas as coisas como algo que pode ser comercializado e consumido. O estético, enraizado nas comunidades desde tempos ancestrais, em sua percepção, foi construído “no espírito do amor, voltado para os outros”.

Citou que o principal exemplo quando se fala em estética são as cidades, decoradas e ornamentadas, em cada detalhe, para se oferecerem aos olhares e julgamentos. “A vida já me apresentou vários exemplos, mas nenhum como Veneza e a Basílica de São Marcos, com sua cúpula dourada e ordem estética meticulosa”, observou.

Por que a beleza importa? O escritor diz que contemplar o belo é compreender a alma do mundo, tocar o sentido profundo das coisas através do olhar. “Por meio da beleza, implantamos em nosso entorno o sentido de pertencimento que nos vem dos outros; quando a relação eu-você floresce, o outro é trazido para nossas vidas.”

O papel da beleza e do amor nos sentidos da vida leva em conta, de acordo com Scruton, que a condição humana, como a conhecemos, é cheia de tragédias e mistérios. Uma das tarefas da arte seria reconciliar os seres humanos com isso. “É mostrar que, na profundeza do desespero, existe uma beleza que nos liberta”, concluiu.