Projeto Rosoma,Ciência e Inovação em Alimentos

Foto: rosomaprojects.de

Em todo o mundo, a indústria pesqueira enfrenta desafios relacionados à segurança alimentar, ao emprego e ao desenvolvimento econômico. Enquanto Brasil e Peru são dois dos maiores países pesqueiros do mundo, a Alemanha é uma das principais fornecedoras de tecnologia de processamento de peixes e frutos do mar. Pensando nisso, o Projeto Rosoma uniu o conhecimento acadêmico brasileiro, peruano e alemão com o intuito de financiar boas práticas internacionais no processamento cuidadoso do pescado.

Desde 2017, a PUCRS atua como parceira científica no projeto, idealizado pela empresa alemã de engenharia mecânica e automação industrial Rosoma, da cidade Rostock. O projeto intitulado Uso responsável e eficiente de peixes e frutos do mar e seu processamento seguro na indústria de alimentos também recebe apoio por parte do governo alemão pelo DEG/KfW Banco de Desenvolvimento e ocorre igualmente em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Peru, em Lima.

Uso sustentável e inovação no processamento de pescado

A iniciativa do Projeto Rosoma envolve o curso de graduação em Ciência e Inovação em Alimentos, da Escola de Ciências, propondo o uso de tecnologias e estratégias de inovação no processamento de pescado. De acordo com o professor Marcus Seferin, coordenador do projeto na PUCRS, a ideia é que a Universidade conheça, junto à empresa alemã, os desafios de sustentabilidade, gerando inovação em alimentos para o mercado consumidor final e transferindo os conhecimentos referentes a padrões de higiene e segurança de local de trabalho na indústria.

Projeto Rosoma,Ciência e Inovação em Alimentos

Foto: Nick Jack (pixabay.com)

Segundo Seferin, além da área ser de potencial desenvolvimento no País, o projeto permite aos estudantes relacionar a teoria aprendida em sala de aula à prática da indústria brasileira. “Além de avaliarmos toda a cadeia produtiva do setor, identificamos pontos onde existe carência de tecnologia para que tenhamos um uso sustentável e, assim, melhorarmos nossos índices de sustentabilidade”, comenta o professor. Estudantes do curso têm apresentado diferentes propostas para qualificar ainda mais o trabalho no setor.

O projeto prevê, ainda, workshops com os alunos, troca de conhecimento com a empresa alemã e com as empresas no Brasil, viabilizando mobilidade acadêmica e uma parceria para futuros projetos internacionais, envolvendo também a Universidade de Rostock.

Contribuição com produtores locais

Em abril, a PUCRS recepcionou autoridades da prefeitura do Rio Grande (RS) para discutir possibilidades de sinergia com o Projeto Rosoma. De acordo com a especialista em Prospecção e Inovação da Assessoria de Cooperação Internacional da Universidade, Maria Elisabete Haase-Möllmann, o objetivo da reunião foi encontrar estratégias para o fomento da inovação da cadeia produtiva do pescado na região, bem como à profissionalização de atividades de pesca tradicional.

A ideia é que haja uma contribuição, com o curso de Ciência e Inovação em Alimentos, para que produtores de Rio Grande e região tenham acesso a um tutorial desenvolvido no sentido de profissionalizar a elaboração e submissão da rotulagem feita junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “Esta expertise levou à ideia de um projeto inédito com a Prefeitura de Rio Grande, que solicitou minutas de acordos de cooperação e um orçamento para viabilizar a contribuição da PUCRS”, comenta Maria Elisabete.

Há uma preocupação de levar ao mercado produtos regionais e de produção orgânica, capacitando o produtor para ofertar seus produtos, de forma profissional e com maior apelo comercial. “Isto aumenta a segurança alimentar dos produtos ofertados, em especial na comercialização de produtos sazonais”, adiciona a especialista em inovação.

Em um telão, mãos ágeis e experientes preparam um risoto. Dezenas de jovens observam encantados a produção do alimento, que perfuma todo o ambiente. Sucesso de público nos dois dias do evento, a oficina do curso de Gastronomia foi comandada pela coordenadora da graduação, Rochele Quadros. Ela salientou que as aulas terão especial atenção à culinária do Rio Grande do Sul. “A ideia é valorizar os nossos ingredientes”, afirmou. Um dos participantes, João Victor de Jesus, de 17 anos, aluno do Instituto de Educação São Francisco, esteve também na oficina do curso de Nutrição: “Gosto muito dessa área. As palestras foram bem explicativas”.

Já na oficina de Ciência e Inovação em Alimentos, uma das atrações foi uma máquina de extração de óleo de linhaça. Após, a casca do grão foi moída e transformada em farinha. Tudo para mostrar que o profissional estará apto para trabalhar na concepção de novos alimentos, seja em seu próprio negócio ou na indústria. “As possibilidades de trabalho são muito amplas”, sinalizou o coordenador do curso, Tiziano Dalla Rosa. As explicações dadas pelos professores tiraram as dúvidas da aluna do Colégio Unificado Anne Faversani:  “Fiquei muito feliz porque iam abrir esse curso na PUCRS. Eu queria Nutrição, mas com uma base mais química, mais científica, não tão ligada à saúde. Eu fiquei curiosa e vim saber o que era o curso”, ressaltou.

Dispostos em uma sala estilo arena, os participantes da oficina do curso de Escrita Criativa tiraram dúvidas com os professores Charles Kiefer e Bernardo Bueno, em um bate-papo descontraído sobre as aulas, mercado de trabalho e literatura. Júlia Amaral, aluna da Escola Estadual Piratini, de Porto Alegre, adora a área da comunicação: “Gosto muito de escrever, por isso vim conhecer o curso e ver as dicas que vão dar”, contou. Com apenas 16 anos, João Cardoso, do Colégio Ipanema, já tem certeza do que quer fazer: roteiro de cinema e séries: “Me falaram que este curso tem a ver com a área, por isso resolvi participar da oficina”, afirmou. Já o colega dele, João Vitor Nunes, de 15 anos, gosta muito da produção de documentários: “Adoro escrever e pesquisar”, disse o estudante.