Uma pesquisa da Universidade de Sussex mostrou que ler ajuda a reduzir em até 68% os níveis de estresse. / Foto: Pexels

Quem nunca estipulou como meta ler mais? Uma atividade com múltiplas funções, ler pode ser uma forma de entretenimento, um meio de informação ou um caminho simples e acessível para adquirir conhecimento. Independente da motivação, o processo de leitura também é capaz de auxiliar no desenvolvimento de habilidades, contribuindo, inclusive, para a saúde mental. De acordo com pesquisador do Instituto do Cérebro (InsCer) e professor da Escola de Ciências da Saúde e da Vida Augusto Buchweitz, ler pode atuar como um exercício que estimula o cérebro.  

O hábito de leitura tem relação comprovada com uma melhor qualidade de saúde mental. A leitura, por envolver imaginação, mentalização, antecipação e aprendizagem (sempre aprendemos, ao menos, palavras novas), funciona como um ‘exercício’ para o cérebro humano. Apesar de não ser um músculo, o nosso cérebro precisa ser estimulado, destaca o pesquisador. 

Outro fator que enfatiza a relação entre a leitura e a qualidade de saúde mental é ação da atividade na redução do estresse. A professora Aline Fay, coordenadora do curso de licenciatura em Letras com ênfase na Língua Inglesa, ressalta que pesquisas já demonstraram resultados positivos sobre essa contribuição. “Uma pesquisa realizada pela Universidade de Sussex mostrou que ler ajuda a reduzir em até 68% os níveis de estresse. Durante o estudo, os sujeitos analisados diminuíram a frequência cardíaca e aliviaram a tensão dos músculos”, salienta a professora. 

Ler protege a mente hoje e no futuro 

Os benefícios da leitura não atuam no nosso cérebro apenas no presente. Estudos apontam que ler pode ser uma forma de proteger a mente contra o surgimento de doenças neurodegenerativas. Segundo a professora Aline, quando lemos melhoramos o funcionamento cerebral, o que ajuda a “atrasar” sintomas de doenças como demência e Alzheimer. Ela destaca que inúmeras pesquisas comprovam o aumento das conexões neurais durante a leitura. Um destes estudos, realizado pela Universidade Emory, descobriu que ler afeta nosso cérebro da mesma forma como se realmente tivéssemos vivenciado os eventos sobre os quais estamos lendo. Diante disso, a professora ainda aponta que, ao lermos, podemos aumentar nossa empatia, ou seja, a capacidade de compreender e se solidarizar emocionalmente com o outro. 

Mas nem todos os gêneros literários agem da mesma forma. O professor Augusto afirma que, de acordo com o conteúdo de cada história, outras regiões cerebrais são ativadas, resultando em comportamentos, emoções e experiências distintas.  

Durante a leitura de histórias de suspense, por exemplo, a ativação do cérebro tem relação direta com a experiência do leitor. Os leitores que relataram ter ficado mais envolvidos com a narrativa foram os mesmos que tiveram maior ativação de uma circuitaria do cérebro, que envolve tentar antecipar o que vai acontecer (inferências futuras) explica. 
É importante entender que nem todos os gêneros literários agem da mesma forma no cérebro. / Foto: Pexels

Ele também frisa que especialistas no estudo da memória reforçam a importância do aprendizado constante e do hábito de leitura. “O ilustre professor Ivan Izquierdo [falecido em 2021], um dos maiores especialistas em memória do mundo, frequentemente ressaltava em suas entrevistas que profissões como a de professor e artista de teatro, entre outras, por envolverem a leitura e aprendizagem constante, são profissões que ajudam a ‘proteger’ o cérebro de quem as desempenha”, comenta o pesquisador do InsCer. 

Para além das páginas lidas 

Além de ser uma atividade benéfica para o funcionamento e para a saúde da mente, a leitura participa do desenvolvimento de habilidades específicas. Para a professora Aline, ler é uma forma de ampliar competências. “A leitura favorece a melhora da escrita, expande o vocabulário, trabalha a criatividade e auxilia na formação do senso crítico (capacidade de reflexão sobre algo)”, afirma. Segundo ela, não há um tempo diário específico a ser dedicado à leitura para que as habilidades sejam desenvolvidas.  

“O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, por exemplo, diz ler um livro a cada duas semanas, já Bill Gates diz ler todos os dias durante uma hora. Tudo varia em função do tempo e disponibilidade de cada um. O importante é desenvolvermos o hábito da leitura diária e criar estratégias, tais como reservar um momento do dia somente para a leitura, selecionar livros/temas que achamos interessantes, ter sempre um livro na cabeceira e, acima de tudo, ter paciência e resiliência”, recomenda a professora. 

Para Augusto, a leitura pode estimular desde habilidades e conhecimentos mais fundamentais até aprendizagens que abrangem outros domínios, como o desenvolvimento de raciocínio e do pensamento científico. “Se pensarmos que aprendemos a ler e, por fim, podemos ler para aprender, o que estiver ao alcance da aprendizagem pela leitura está ao alcance do leitor”, conclui. 

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Na semana de 16 a 22 de março, ocorrerá a 9º Semana Nacional do Cérebro, uma ação coordenada pela Dana Alliance for Brain Initiatives e pela European Dana Alliance for the Brain. Esta ação tem por objetivo divulgar os benefícios dos estudos do cérebro. Dentro desta proposta, o Instituto de Geriatria e Gerontologia (IGG) e a Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati), juntamente com o Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer) e o Centro de Memória (CEM) da PUCRS, desenvolverão diversas atividades com o intuito de compartilhar e divulgar os principais avanços científicos e tecnológicos na área da neurociência, bem como refletir e discutir sobre a importância de se realizar pesquisas nessa área. A programação ocorre no auditório do Prédio 40 do Campus. Não há necessidade de inscrição prévia.

Neste ano, a programação está repleta de novidades. Através de uma linguagem simples e descontraída, pretende-se promover palestras, oficinas e rodas de conversa sobre temas atuais que demonstram como a neurociência está inserida em nosso cotidiano, além de abordar curiosidades sobre o cérebro.

Confira a programação:

16 de março (segunda-feira)

10h Como a percepção musical pode ajudar no envelhecimento saudável: Marcio Bittencourt – músico, mestre em Gerontologia Biomédica (PUCRS)

10h45min Como manter o cérebro saudável: Clarissa Penha Farias – educadora física, doutoranda em Neurociências (UFRJ-PUCRS)

17 de março (terça-feira)

10h Neurociências e Meditação: Isadora Ghilardi – bióloga, mestranda em Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS)

10h45min Envelhecimento cerebral: Allan Alcara – biólogo, mestrando em Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS)

10h45min Neurociências e novas tecnologias: Felipe Rodrigues – biomédico, doutorando em Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS)

13h30min Neurociência e novas tecnologias: Felipe Rodrigues – biomédico, doutorando em Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS)

14h10min Células-tronco e epilepsia: do laboratório a clínica: Gabriele Zanirati – bióloga, doutora em Neurociências e pós-doutoranda em Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS)

14h50min Intervalo

15h05min O cérebro em desenvolvimento: Pamella Azevedo – bióloga, doutora em Neurociências e pós-doutoranda em Medicina e Ciências da Saúde (PUCRS)

15h45min Redes Neurais: Guilherme Brito – médico, doutorando em Medicina e Ciências da Saúde (PUCRS)

16h25min Tomada de decisão e uso de substâncias: Bruno Kluwe Schiavon – psicólogo, doutor em Psicologia (UZH)

17h05min Encerramento

18 de março (quarta-feira)

9h Dor, funcionalidade e qualidade de vida: Josemara de Paula Rocha – fisioterapeuta, doutora em Gerontologia Biomédica (PUCRS); Anelise Ineu Figueiredo – fisioterapeuta, doutoranda em Gerontologia Biomédica (PUCRS)

10h Imunidade e envelhecimento: Ana Paula Bornes da Silva – bióloga, doutoranda em Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS)

13h30min Neurociência da meditação: Isadora Ghilardi – bióloga, mestranda em Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS)

14h10min Filosofia e prática da meditação: Malone Silva – filósofo e teólogo, professor de meditação (PUCRS)

15h Intervalo

15h15min Saúde Mental no ambiente acadêmico: Renata Klein Zancan – psicóloga, doutoranda em Psicologia (PUCRS); Antônio Bonfada – psicólogo, mestrando em psicologia (UFRGS-PUCRS)

16h15min Impacto da vida social no cérebro: Clarissa Penha – educadora física, doutoranda em Neurociência (UFRJ-PUCRS)

17h05min Encerramento

19 de março (quinta-feira)

10h Como o sono influencia a memória: Lucas Aschidamini Marcondes – médico, mestrando em Gerontologia Biomédica (PUCRS)

10h45min Como nos tornamos o que somos? A evolução das nossas emoções: Rodrigo Furini Narvaes – biólogo, doutorando em Gerontologia Biomédica (PUCRS)

13h30min Eixo intestino/cérebro e demência: Mateus Grahl – biomédico, doutorando em Medicina e Ciências da Saúde (PUCRS)

14h10min Inflamação em doenças neurodegenerativas – Augusto Uberti – biólogo, doutor em Biologia Celular e Molecular e pós-doutorando em Medicina e Ciências da Saúde (PUCRS)

14h50min Intervalo

15h05min A ambivalência do medo: Rodrigo Narvaes – biólogo, doutorando em Gerontologia Biomédica (PUCRS)

15h45min Desvendando as patologias neuroimunes: Ana Paula Bornes da Silva – bióloga, doutoranda em Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS)

16h25min Mecanismos epigenéticos associados ao estresse: Thiago Viola – psicólogo, doutor em Pediatria e Saúde da Criança (PUCRS)

17h05min Encerramento

20 de março (sexta-feira)

10h Como a atividade física ajuda na memória: Ana Karla Oliveira – educadora física, doutoranda em Neurociências (UFRJ-PUCRS)

10h45min Gerontomotricidade: prática de exercício cognitivo-motor: Clarissa Biehl Printes – educadora física, doutora em Gerontologia Biomédica (PUCRS)

Nora Volkow, Nida, EUA

Foto: Divulgação

No dia 2 de outubro, às 16h, a PUCRS promove uma videoconferência a diretora do Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos EUA (Nida, na sigla em inglês), Nora Volkow. A atividade ocorre no auditório térreo do prédio 50, com o tema Addiction as a brain disorder, em inglês, sem tradução. Inscrições gratuitas pelo site do evento.

A neurocientista e psiquiatra nascida no México e naturalizada norte-americana é pioneira no uso da tomografia para investigar o efeito das drogas. Seus estudos documentaram mudanças no sistema de dopamina, afetando, entre outras, as funções das regiões frontais do cérebro envolvidas com a motivação e o prazer. Também fez contribuições para a neurobiologia da obesidade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade e envelhecimento.

Nora Volkow participa da videoconferência a convite do professor Rodrigo Grassi de Oliveira, da Escola de Medicina e do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul. Nos últimos 30 anos, Nora Volkow publicou mais de 770 artigos revisados por especialistas, além de 95 capítulos de livros, editou quatro livros sobre imagens cerebrais e dependência química e coeditou uma enciclopédia sobre Neurociência. Ela recebeu vários prêmios, incluindo a participação na Academia Nacional de Medicina, em 2000, e o Prêmio Internacional de Ciência do Instituto Francês de Saúde e Pesquisa Médica, em 2009. Foi nomeada uma das Top 100 Pessoas que moldam o nosso mundo, da revista Time, em 2007.

Parceria internacional

No mesmo dia, mais de 20 especialistas brasileiros em estresse precoce e drogadição participam de um simpósio pela manhã. Uma comitiva vem dos EUA como parte do acordo de cooperação internacional entre a PUCRS e a Universidade do Texas para um estudo inédito sobre dependência à cocaína tipo crack, liderado por Grassi e pelas professoras Joy Schmitz e Consuelo Walss Bass e com recursos do Instituto Nacional de Saúde dos EUA (2,6 milhões de dólares). Além delas, estarão na Universidade Nicholas Gilpin (Universidade de Louisiana) e Gabriel Fries (Universidade do Texas).

Acompanhado de Grassi, o grupo irá a São Paulo conhecer a cracolândia e presenciar o uso coletivo de drogas, a convite da professora Clarice Madruga, da Universidade Federal de São Paulo. Da PUCRS, também irão o professor Thiago Viola e a aluna Aline Zaparte. 

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Foto: SCHUTTERSTOCK

Um dos projetos que faz parte do PUCRS PrInt, proposta da Universidade contemplada em edital do Programa Institucional de Internacionalização da Capes, Aspectos biopsicossociais associados à saúde do indivíduo na vida adulta envolve estudos de professores de diversas áreas e associados com pesquisadores de 22 instituições, dos seguintes países: África do Sul, Bélgica, Canadá, China, Espanha, EUA, Finlândia, Itália, Reino Unido e Suíça. Uma delas é com a Mayo Clinic, líder mundial em assistência médica sem fins lucrativos, dos EUA.

Os estudos avaliam aspectos da saúde através de duas grandes ênfases: clínica e experimental. Na primeira, visam a investigar a saúde de uma forma abrangente. Os experimentais buscam compreender impactos de ambientes estressores precoces no comportamento do adulto, rotas de neurotoxicidade e o seu possível envolvimento em transtornos neurológicos e psiquiátricos e mecanismos de resistência bacteriana. Como resultado, o projeto prevê a elaboração de práticas interventivas e de prevenção.

Leia mais na reportagem Saúde do adulto em foco, na edição 190 da Revista PUCRS.

 

Imagem adolescente triste

Foto: Piaxabay / sasint

Os impactos da violência no aprendizado e no desenvolvimento do cérebro de jovens brasileiros. Este é o conteúdo da pesquisa conduzida por Augusto Buchweitz, professor da Escola de Ciências da Saúde da PUCRS e pesquisador Instituto do Cérebro do RS (InsCer), e equipe, que faz parte do projeto VIVA – Vida e Violência na Adolescência. É a primeira vez que um estudo de neuroimagem analisa como a violência afeta o cérebro de adolescentes latino-americanos. Essa pesquisa foi publicada na revista científica internacional Developmental Science.

Para entender os impactos associados com a violência no funcionamento do cérebro de adolescentes, foram feitos convites e triagens em escolas em Porto Alegre, algumas das quais se situam em bairros com os maiores índices de violência e vulnerabilidade. Aplicou-se o Questionário de Vitimização de Adolescentes (JVQ – Juvenile Victimization Questionnaire, na sigla em inglês) e selecionaram-se estudantes para participarem das etapas seguintes do projeto no InsCer. Na Instituição, obtiveram-se amostras de cabelo, para medir o nível de cortisol (hormônio do estresse). Também foram realizados exames de ressonância magnética funcional em uma tarefa que investiga a percepção social: pares de olhos são mostrados durante o exame, e os adolescentes tinham de decidir o estado mental daquela pessoa na foto (feliz, triste e cansada).  Os resultados obtidos indicam que:

A adolescência é um período da vida em que se está extremamente suscetível ao meio. O estudo sugere que a violência pode estar afetando a cognição social dos adolescentes. “Cognição social envolve várias sub-habilidades importantes para a convivência, como a empatia. O que o estudo sugere é que as redes neurais que fazem esta percepção social estão menos ativadas nos adolescentes mais expostos à violência”, afirma Buchweitz.

“Não se pode dizer se isso vai ter efeitos futuros, mas estudos mostram que este tipo de funcionamento atípico pode aumentar o risco para transtornos de humor, por exemplo”, complementa o pesquisador.

Maximiliano Wilson

Fotos: Camila Cunha

A PUCRS recebeu na última semana o psicólogo Maximiliano Wilson, professor da Faculdade de Medicina da Université Laval, em Quebec, no Canadá, e pesquisador do CERVO Brain Research Center, na mesma instituição. Sua principal área de pesquisa é a relação, durante o envelhecimento, entre as habilidades de leitura e o conhecimento que as pessoas têm dos conceitos e objetos do mundo que as rodeia. Chamado de memória semântica, este conhecimento se refere aos significados, compreensão e a todas as formas baseadas em conceitos. Para alunos de Letras e Psicologia, da Escola de Humanidades, ministrou o curso Como desenvolver uma tarefa em Psicolinguística e Psicologia Cognitiva? Desde o desenho experimental até a análise estatística. Acompanhe, a seguir, a entrevista em que Maximiliano Wilson explica que envelhecer nem sempre é sinônimo de prejuízo cognitivo.

O envelhecimento pode afetar de forma prejudicial a leitura e a linguagem?

As pessoas têm a ideia de que, com o envelhecimento, a cognição piora sistematicamente. No entanto, vários estudos experimentais mostram que a memória e a leitura semântica são duas habilidades cognitivas que melhoram com o passar do tempo. O interessante é que a melhora nessas habilidades cognitivas também implica mudanças na rede cerebral que suporta a leitura e a semântica. Em outras palavras, nosso cérebro é plástico e é constantemente reorganizado de acordo com a experiência das pessoas com seu ambiente e isso também é verdadeiro durante o envelhecimento para certas habilidades cognitivas, como a leitura e a semântica. Então, durante o envelhecimento chamado “normal” – em oposição ao patológico – a leitura e a semântica melhoram.

O que ocorre no envelhecimento patológico?

Essas mesmas habilidades cognitivas podem piorar. Na doença neurodegenerativa de Alzheimer, por exemplo, as pessoas podem desenvolver dificuldade em ler certo tipo de palavras irregulares, ou seja, que não respeitam as regras de uma língua. Em português, táxi é irregular porque a pronúncia do “x” não segue a regra, como em abacaxi. Assim, um paciente de Alzheimer com dificuldades de leitura leria táxi como lê abacaxi. Essas dificuldades de leitura são chamadas de dislexia superficial. Pessoas com afasia progressiva primária também tendem à dislexia superficial. Eles têm uma alteração progressiva da memória semântica. Nossos estudos de neuroimagem mostram que as áreas cerebrais que se atrofiam no início desta doença são as mesmas envolvidas na leitura e na semântica. Isso destaca a estreita relação entre leitura e conhecimento do mundo ou semântica.

Qual a importância da leitura para idosos saudáveis?

Existem duas maneiras de ler as palavras. Uma é transformar letras em sons e depois acessar o significado (ou semântica) dessas palavras para entender o que está sendo lido. A outra maneira de ler é processar toda a palavra e ativar a semântica e sua pronúncia. Esta segunda é muito mais eficaz do que a primeira e se desenvolve com a experiência. Quanto mais uma pessoa lê, quanto mais conhece as palavras, seu significado e pronúncia, ela se torna um leitor melhor. Nossos estudos mostram que as pessoas mais velhas leem melhor do que os jovens e usam uma estratégia de palavras inteiras para ler todas as palavras, enquanto os adultos jovens só a usam para ler as palavras mais frequentes ou com pronúncia irregular (como táxi). Esta mudança, que torna os leitores mais velhos mais eficazes do que os jovens, tem correlação no cérebro: as estruturas cerebrais ativadas durante o conhecimento semântico são ativadas nos idosos para todos os tipos de palavras.

Maximiliano Wilson“Quanto mais uma pessoa lê, quanto mais conhece as palavras, seu significado e pronúncia, ela se torna um leitor melhor. Nossos estudos mostram que as pessoas mais velhas leem melhor do que os jovens e usam uma estratégia de palavras inteiras para ler todas as palavras.”

O hábito de ler pode prevenir problemas de linguagem e de memória?

Estudos em envelhecimento normal e patológico mostram que os hábitos de leitura aumentam a capacidade cerebral conhecida como reserva cognitiva. Quanto maior a reserva cognitiva, mais tempo demorará para manifestar as dificuldades cognitivas do envelhecimento. Assim, quanto mais uma pessoa lê, mais ela exerce essa habilidade e se torna um leitor melhor. Isto, mais o prazer da leitura, poderiam funcionar como uma espécie de estimulação cognitiva que mantém o cérebro ativo e estimula os idosos, aumentando a sua reserva cognitiva para fazer frente às mudanças associadas ao envelhecimento.

A leitura pode ser um recurso terapêutico para idosos com Alzheimer? Beneficia a memória?

A leitura e a semântica, um dos tipos de memória, estão intimamente ligadas e ambas melhoram durante o envelhecimento normal. Doenças como Alzheimer e afasia progressiva primária afetam a leitura e a semântica. Existem recursos de reabilitação, utilizados na fonoaudiologia, que permitem melhorar essas habilidades, embora de forma limitada e temporariamente. Atualmente, estuda-se o efeito combinado de terapia da fala, com a aplicação de técnicas de estimulação do cérebro, tais como a estimulação transcraniana por corrente contínua (ETCC) ou a estimulação transcraniana magnética (TMS em Inglês). Embora ainda seja cedo para assegurar, a administração conjunta de terapia fonoaudiológica e estimulação cerebral é uma possibilidade promissora de retardar (ou mesmo melhorar) a progressão das dificuldades de pacientes com envelhecimento patológico.

Foto: Bruno Todeschini

Foto: Bruno Todeschini

Memória, atenção e emoção são três fatores fundamentais para aprender novos conhecimentos. Crianças com histórico de violência têm essas funções prejudicadas. A conclusão preliminar faz parte do Projeto Viva – Vida e Violência na Adolescência, conduzido pelo Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer), com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). “Quando submetido a situações de estresse, o cérebro entra em constante estado de sobrevivência. Se o jovem está sentado na sala de aula preocupado com o que os pais ficam fazendo, se terá comida, se alguém vai pegá-lo, não sobra energia para aprender. Por outro lado, caso se desligue, pode deixar de perceber pistas importantes no ambiente”, explica o professor Augusto Buchweitz, coordenador do estudo.

Dos 70 alunos de escolas públicas investigados, mais de 90% relatam algum tipo de vitimização (presenciaram ou viveram acontecimentos como roubos, maus-tratos e/ou abuso sexual). Vinte deles vieram para outras etapas do estudo no InsCer. A meta é investigar 60 jovens de 10 a 12 anos.

Leia a reportagem completa na Revista PUCRS nº 184.

Cérebro, Raios, Brain

Foto: PeteLinforth / pixabay.com

A PUCRS estará presente no World Congress on Brain, Behavior and Emotions que ocorre a partir desta quarta-feira, 14 de junho, até sábado, 17 de junho, na FIERGS, em Porto Alegre. Os cursos da área da saúde, o Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul e o Hospital São Lucas estarão no estande 27 do evento. No local será possível obter informações e conhecer melhor a área de saúde da Universidade. Além disso, pesquisadores do Inscer vão ministrar palestras no evento, que tem como um dos presidentes desta edição o Vice-Reitor da PUCRS e diretor do InsCer, Jaderson Costa da Costa.

O evento contará com debates multidisciplinares, abordando temas da neurociência do cotidiano, com questões comportamentais como amor, paixão, traição, escolha, ética, moral e suas motivações. As doenças neuropsiquiátricas e neurodegenerativas – como o Alzheimer, as epilepsias e o mal de Parkinson – também estarão em pauta. Confira a programação completa clicando aqui.

Cérebro, Raios, Brain

Foto: PeteLinforth / pixabay.com

O Programa de Cirurgia da Epilepsia do Hospital São Lucas da PUCRS (PCE-HSL) receberá a partir desta sexta-feira, 17 de março, até o dia 24, a visita do grupo de matemática e física aplicada da Universidade de Exeter, na Inglaterra. O encontro visa ao alinhamento e à construção de projetos colaborativos entre o PCE e a instituição inglesa. O objetivo desse trabalho é aplicar o conhecimento de redes neurais, desenvolvido a partir de modelos matemáticos, no diagnóstico e tratamento de pacientes com epilepsia. Se o resultado esperado se confirmar, vão aumentar as chances de controle das crises epiléticas em pacientes operados.

Além de acompanhar o trabalho da equipe do HSL nesse período, os profissionais participarão do seminário Epileptogenic Neural Networks: From Computer to Patient. O evento é aberto ao público e será realizado nesta sexta-feira, 17 de março, às 10h45min, no Anfiteatro Ir. José Otão, 2º andar do Hospital São Lucas (avenida Ipiranga, 6690 – Porto Alegre).

 

O que é uma rede neural?

Rede neural é um conjunto de regiões cerebrais que se interconectam. A atividade de uma rede neural associa-se a alguma função ou disfunção cerebral, como a fala ou a ocorrência de crises epilépticas. “Antigamente, acreditava-se que cada área do cérebro era responsável por executar uma ação específica. Hoje já se sabe que cada função é realizada através da conexão de várias áreas, interligadas em uma rede neural”, explica o chefe do Serviço de Neurologia do HSL, André Palmini.

Drogas, Cocaína

Foto: stevepb / pixabay.com

A próxima palestra do Fórum de Interdisciplinaridade ocorre nesta quinta-feira, 15 de dezembro, e terá como tema O Funcionamento do Cérebro em Usuárias de Cocaína – Crack. Os palestrantes serão o professor do curso de Psicologia da Escola de Humanidades Rodrigo Grassi de Oliveira e o docente da Faculdade de Engenharia Alexandre Rosa Franco. O propósito da atividade é expor como as drogas afetam a vida das usuárias, os fatores de vulnerabilidade associados ao uso e quais seriam os mecanismos psicobiológicos envolvidos. Além disso, o objetivo é abordar técnicas de como medir o funcionamento do cérebro, especificamente com ressonância magnética funcional. Interessados em participar do evento podem realizar gratuitamente a inscrição no site bit.ly/2g502r8.

Os palestrantes, ao lado de uma equipe transdisciplinar, estão desenvolvendo um projeto que irá mensurar a eficiência dos tratamentos contra o vício, não só clinicamente, mas também medindo sua eficácia nas alterações do funcionamento do cérebro. O evento, que é aberto ao público, ocorre entre 17h30min e 19h, no auditório do prédio 40 do Campus (avenida Ipiranga, 6681 – Porto Alegre). Será fornecido atestado de participação aos que solicitarem no momento da assinatura da lista de presença. A promoção é da Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento da PUCRS.