Institucional

Seminário debate Psicologia da Religião

terça-feira, 21 de novembro | 2017

XI Seminário Internacional Psicologia e Senso Religioso

Farias destaca papel dos psicólogos brasileiros
Fotos: Bruno Todeschini

Com o teatro do prédio 40 lotado, começou o XI Seminário Internacional Psicologia & Senso Religioso: Experiências Religiosas, Espirituais e Anômalas – Desafios para a Saúde Mental, que ocorre até o dia 23. O professor Miguel Farias, da Universidade de Coventry (Reino Unido), destacou o boom do tema nos dias atuais, citando que há 17 anos teve de deixar Portugal porque não teria quem o orientasse no seu doutorado. Projetou ainda o papel dos psicólogos brasileiros em nível mundial na reemergência da Psicologia da Religião.

Na conferência de abertura, a professora Marta Helena de Freitas, da Universidade Católica de Brasília, fez um panorama da área, começando por sua efervescência inicial, de 1890 a 1920, antes de cair em declínio em nome da “cientificidade”. Os fenômenos religiosos então passaram a ser abordados pelo “avesso”, como ilusão, alienação e loucura. Somente no final do século 20 e início do século 21 houve o crescimento das pesquisas, publicações e eventos. Manuais de diagnóstico em saúde mental hoje diferenciam experiências religiosas e patológicas. Como desafio, Marta lembrou que é preciso inserir o tema na graduação em Psicologia. Só 20% das universidades o abordam como uma disciplina específica.

 

A religião dos cientistas e a ciência dos religiosos

XI Seminário Internacional Psicologia e Senso Religioso

O primeiro debate do evento foi em torno do tema: a religião dos cientistas e a ciência dos religiosos. Marta apresentou estudo com 102 profissionais que atuam em hospitais de Palmas (TO), Distrito Federal, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Todos admitem a presença constante da religião nesse ambiente, representada por rituais indígenas, orações ou objetos sagrados. Notam que a fé melhora a adesão ao tratamento e traz bem-estar, mas também perturba a rotina. Para 95%, o tema não foi abordado durante sua formação, e metade o considera marginalizado. “Alguns psicólogos chegaram ao choro compulsivo quando falaram sobre os conflitos entre suas crenças e os protocolos que herdaram na sua formação”, cita a professora.

Fátima Machado, da PUC/SP, comentou pesquisa com 308 participantes de oito grupos religiosos. O resultado demonstrou baixa crença na ciência, embora a considerem importante em alguma medida. Quanto maior a escolaridade, menor a confiança nesse aspecto, o que surpreendeu os autores do estudo. Quando perguntados sobre o uso para lidar com o mal, 41,7% dos entrevistados consideraram exclusivamente a religião e 52,8%, a religião e a ciência. Quanto ao sofrimento, 33,7% recorrerem somente à religião e 59,5%, a ambas. “A religião hoje interfere até nas políticas públicas. É importante saber como esses grupos pensam porque isso se reflete nas práticas sociais, não só da Psicologia”, afirma Fátima.

Em vídeo, o professor Geraldo Paiva, da Universidade de São Paulo (USP), um dos pioneiros da área, citou estudo com 26 pesquisadores de Física, Biologia e Ciências Humanas, revelando que não há conflito consciente ou incompatibilidade entre fé e ciência.

Revista PUCRS

Wellington Zangari

Sangari concedeu entrevista
Foto: Divulgação/USP

Um dos participantes do evento concedeu entrevista à Revista PUCRS. Wellington Zangari, da USP, destaca o crescimento da área e o desafio de formar profissionais preparados para lidar com fenômenos anômalos ou religiosos. Lembra que mais de 80% dos brasileiros dizem ter experiências mediúnicas ou premonição.

“Nem tudo é fraude, coincidência, loucura ou desenvolvimento da consciência. Do ponto de vista científico, precisamos oferecer explicações mais simples para os fenômenos. Até que sejam suficientes”, destaca o professor.

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