Ensino

PUCRS cria modelo de internacionalização do currículo

sexta-feira, 01 de dezembro | 2017

Marilia Morosini

Marilia Morosini durante capacitação do British Council
Fotos: Bruno Todeschini

Como trabalhar a internacionalização em casa? Como enriquecer o ambiente universitário com diferentes experiências culturais sem se restringir à mobilidade acadêmica de uma parcela de estudantes e professores? Como promover uma experiência internacional a quem não tem a oportunidade de viajar e fazer cursos fora do país? Esse é o desafio da PUCRS, que trabalha na internacionalização dos currículos. Um projeto, encabeçado pelo British Council e coordenado pela professora Marilia Morosini, pretende transformar a Universidade em referência brasileira nessa área.

Uma das etapas do processo ocorreu de 29 de novembro a 1º de dezembro, na Universidade. Promovido pelo Centro de Estudos em Educação Superior, do Programa de Pós-Graduação em Educação, e pela Newcastle University, do Reino Unido, e com apoio da Pró-Reitoria Acadêmica, foi realizado o British Council Capacity Building & Internationalisation for Higher Education. Professores participaram de palestras e workshops para elaborar o modelo dentro do contexto da PUCRS e do Brasil. Segundo o professor Alexandre Guilherme, que integra a iniciativa, a partir de 2018, deverão começar a funcionar projetos pilotos nos cursos de graduação em Educação e Letras, da Escola de Humanidades, e Economia e Administração, da Escola de Negócios.

 

O que é uma universidade internacional?

Sue Robson

Sue Robson destacou que a internacionalização deve envolver a todos na instituição

Durante a capacitação, a professora Sue Robson, da Newcastle University, destacou que a internacionalização deve envolver a todos na instituição e não estar restrita à promoção de intercâmbios, como ocorre no Brasil, ou à geração de renda, o caso mais comum de países europeus, da Austrália e Nova Zelândia. “Apenas ter um número elevado de alunos estrangeiros é suficiente para considerar uma universidade internacional? E manter publicações e pesquisas com o exterior?”, questiona a professora. Segundo ela, se faz necessário mudar a cultura, explorar diferentes línguas, conhecimentos e literaturas.

Sue defende que o propósito da internacionalização é a preparação para a vida em uma sociedade democrática. Ligada à reputação das instituições, deve ser pensada muito além e trabalhada em uma perspectiva intercultural, com foco nos objetivos éticos, sociais e acadêmicos do ensino superior.

Para a professora Joana Almeida, também da Newcastle, o processo deve levar em conta os cenários nacional, regional, local e institucional. Disse que o grupo da PUCRS é o mais indicado para avaliar o que funcionará na tentativa de internacionalizar o currículo, a partir de elementos – e não fórmulas mágicas – trazidos pelos especialistas da universidade do Reino Unido. “Os grandes beneficiados serão os estudantes. As adaptações devem se basear nas necessidades de aprendizagem e nos diferentes backgrounds culturais.”

O evento também contou com a participação do professor Steve Walsh, da mesma instituição. Estiveram presentes representantes da Universidade Federal do Pampa e da Universidade Federal de Santa Maria, parceiros do projeto.

Parceria

Em maio, a Universidade discutiu o tema internacionalização em casa no Seminário Internationalisation of Higher Education in the UK and Brazil: A partnership between Newcastle University and PUCRS, consolidando a parceria entre as instituições. Desde 2016, um grupo de pesquisadores da PUCRS mantém contatos e trabalhos sistemáticos com a Newcastle.

O acordo tem como objetivos discutir a perspectiva da internacionalização a partir de redes de pesquisa nos contextos do Reino Unido e Brasil; incentivar maior reflexão sobre as pesquisas e práticas docentes e institucionais por meio de trocas de experiências; e reforçar o diálogo, a produção e a circulação do conhecimento acerca da internacionalização na Educação Superior.