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Pesquisa aponta preocupações dos espectadores para próximas edições dos Jogos Olímpicos

segunda-feira, 22 de agosto | 2016

Grupo de Pesquisa em Estudos Olímpicos da PUCRS e o grupo Olympia da Universidade Técnica de Kaiserslautern

Grupo de Pesquisa em Estudos Olímpicos da PUCRS e o grupo Olympia da Universidade Técnica de Kaiserslautern
Foto: facebook.com/gpeopucrs

As ameaças para a realização dos Jogos Olímpicos nos próximos 20 anos pela óptica dos espectadores foram observadas por estudo realizado no evento, no Rio de Janeiro, pelo Grupo de Pesquisa em Estudos Olímpicos da PUCRS e o grupo Olympia da Universidade Técnica de Kaiserslautern, da Alemanha. A primeira análise da pesquisa alcançou mais de 500 pessoas dentre os 8,5 mil espectadores da final feminina do Pentatlo Moderno, no dia 19 de agosto, e sinalizou que as principais preocupações estão relacionadas ao doping (72%), à corrupção (66%), ao terrorismo (59%) e ao nacionalismo exacerbado (23%).

Em relação à corrupção, há diferenças entre as percepções dos participantes, pois 67% teme a corrupção no país sede dos Jogos, enquanto 56% pensa nos casos do exterior. Para o grupo, esse resultado já era esperado devido às situações expostas no Brasil pouco antes do evento. Quanto aos impactos ao meio ambiente, tema representado na cerimônia de abertura, de acordo as opções existentes, os questionários revelam que 39% dos espectadores locais estão preocupados com o tema. O índice é superior quando comparado aos visitantes do país, que somam 18%.

A violência e a criminalidade no país sede também foram vistas como pontos preocupantes, principalmente para os brasileiros – 37% assinalou essa alternativa. Já para os espectadores estrangeiros essa opção foi mencionada por apenas 9% das pessoas. Em relação ao nacionalismo exacerbado e ao aumento da comercialização, 31% dos brasileiros identificaram estas opções como as principais ameaças para os Jogos Olímpicos futuramente e os estrangeiros 15% e 27%, respectivamente.

A pesquisa também procurou identificar o que poderia influenciar no não comparecimento aos Jogos Olímpicos de 2020, em Tóquio. A maioria dos participantes, 52%, não destacou nenhuma razão para a ausência no evento. Por outro lado, 48% mencionou o terrorismo como uma possível motivação. Desse número, dois terços foram brasileiros e o restante foi estrangeiro. Apesar das discussões sem precedentes antes dos Jogos Rio 2016 acerca de doping, apenas 15% citou esse aspecto como uma razão para a rejeição.

O professor Nelson Todt liderou o grupo da PUCRS durante o estudo no Rio de Janeiro e o professor Norbert Müller esteve à frente pela Universidade de Kaiserslautern. Para eles, os primeiros resultados mostraram o interesse dos espectadores no resgate dos valores olímpicos. A pesquisa tem a chancela da União Internacional de Pentatlo Moderno desde os Jogos Olímpicos de Sydney de 2000.

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