Institucional

Inovação e tradição nas universidades

quinta-feira, 15 de setembro | 2016

Sir Rick Trainor

Sir Rick Trainor, Reitor do Exeter College, Universidade de Oxford
Foto: Bruno Todeschini – Ascom/PUCRS

O 11º Seminário Internacional Universidade, Inovação e Sustentabilidade Ambiental teve início na tarde do dia 14 de setembro com um auditório lotado de alunos, professores e membros da Administração Superior. Na abertura, tanto o Reitor, Joaquim Clotet, quanto o Pró-Reitor de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento, Jorge Audy, destacaram que os temas escolhidos e abordados no evento, além de serem mais um importante passo da PUCRS na busca constante pela excelência e pela internacionalização, ambos aspectos centrais das Universidade, estão sintonizados com as preocupações do futuro que se deseja para o mundo nos próximos anos.

A professora Marília Morosini, coordenadora do Centro de Estudos em Educação Superior, que está à frente da organização do Seminário há muitos anos, fez um breve histórico do evento e introduziu o tema do primeiro palestrante com a reflexão: “Uma universidade que se pensa frente aos caminhos de modelos que se direcionam exclusivamente ao mercado ou frente a modelos mais paternalistas, pode construir o seu caminhar na direção de uma universidade inovadora, mas no bojo das humanidades”.

O primeiro palestrante do Seminário foi Sir Rick Trainor, Reitor do Exeter College, Universidade de Oxford (Reino Unido), falando sobre Inovação e Tradição nas Universidades do início do século 21: quão relevante são as origens humanísticas das universidades em uma era de globalização e de tecnologias disruptivas?

Para Trainor, o futuro das universidades aponta para a inovação, tendo em vista que o mundo dependerá cada vez mais delas para a promoção de mudanças e novas soluções. O professor mostrou um histórico das universidades, principalmente das europeias, da Idade Média até os dias de hoje, apontando as preocupações e características de cada época, como estavam interligadas com as necessidades do seu tempo, e destacou a importância da 2ª Guerra Mundial e do pós-guerra para as universidades de todo o mundo. Segundo ele, além de importantes transformações no sistema de Ensino Superior, naquele momento já se podia observar tensão entre tradição e inovação na universidade. A partir daquele período houve importantes mudanças em instituições de educação, principalmente das Américas, o que também se refletiu gradualmente no Reino Unido, como o grande aumento do número de estudantes universitários nacionais e estrangeiros, o  uso da tecnologia no ensino, a ampliação do número de Instituições de Ensino Superior, mudanças de perfil dos alunos, sociais, étnicas e de gênero (com a participação cada vez maior de mulheres), crescimento da oferta de cursos de pós-graduação, entre outros exemplos.  Desde então, as mudanças não pararam de ampliar.

No que diz respeito ao aumento de cursos aplicados, Trainor acredita que todos os aspectos do conhecimento podem ser sistematicamente estudados, ensinados e pesquisados de maneira tão rigorosa como cursos mais tradicionais, História, Física e Biologia. “O ponto fundamental é que o ensino universitário, em qualquer nível, em qualquer área, deve abrir a mente dos estudantes. Eles devem ter a capacidade de fazer uma análise independente, resolver problemas e de comunicar de maneira eficiente, academicamente ou profissionalmente”.

O professor ressalta que as universidades passaram nos últimos anos pelos mesmos processos que outros setores passaram: globalização, expansão, ampliação de cursos oferecidos, crescimento do número de alunos, diversificação dos cursos oferecidos, influência das novas tecnologias. “Elas também tiveram suas atividades e aspirações ampliadas, há mais demandas da sociedade, governo, as expectativas aumentam. Mas como reconciliar inovação e tradição?”, questionou o professor. “Acredito que é possível combinar humanismo, ciência e profissionalismo desde que as inovações sejam consistentes com as funções principais das universidades de ensino e pesquisa, que possam melhorar a relevância das instituições sem comprometer a sua essência. Equilíbrio é importante porque quando se pende para o lado comercial corre-se o risco de não entregar ensino e pesquisa de alta qualidade. É importante que as universidades se sustentem, mas seus objetivos principais e primários não devem ser esquecidos”, observa.