Ensino

Fronteiras Educação propõe reflexão sobre cidades para pessoas

sexta-feira, 14 de outubro | 2016

Fronteiras Educação

Foto: Bruno Todeschini – Ascom/PUCRS

Qual é o tipo de cidade que queremos? Com este questionamento, o escritor Fabrício Carpinejar iniciou o debate do Fronteiras Educação, módulo educacional do Fronteiras do Pensamento, que ocorreu na última quinta-feira, 13 de outubro. Participaram do bate-papo no teatro do prédio 40 do Campus (avenida Ipiranga, 6681 – Porto Alegre) a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da PUCRS Cibele Figueira e a professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Joana Bosak. O evento foi gratuito e direcionado a alunos do Ensino Médio.

Joana explicou que para começar o raciocínio sobre as cidades de hoje é necessário considerar que os primeiros centros urbanos surgiram há mais ou menos seis mil anos, um número muito pequeno perto dos mais de um milhão de anos de existência da espécie humana. Ela lembrou os alunos de que até duzentos anos atrás apenas 20% da população vivia no meio urbano. O crescimento, de acordo com a professora da UFRGS, foi desordenado e gerou transtornos como a falta de saneamento básico, que pode causar doenças. “Problemas ambientais se transformam em problemas de ordem social”, disse ela. Joana foi incisiva ao mostrar aos estudantes que essa situação só tende a piorar: “Existe uma projeção de que até 2050 cerca de uma São Paulo vai surgir no mundo a cada dois meses”. A professora é otimista, e acredita que mesmo que as cidades tragam problemas, elas podem oferecer soluções.

A professora Cibele esclareceu que os centros urbanos revelam os conflitos e as diferenças da sociedade, e a pior coisa que a população pode fazer é não enxergar isso. Ela salientou que deixar a sociedade ocupar o território de forma incontrolável torna a situação insustentável. Uma solução considerada simples por Cibele é a construção de viadutos. Para ilustrar, expôs um dado do Observatório da cidade de Porto Alegre (ObservaPoa), que revela que cada viaduto perde sua efetividade em torno de 10 anos. A arquiteta alertou os estudantes em relação ao dinheiro gasto nessas grandes obras. “Temos que pensar em como estamos investindo o dinheiro público e em como isso está nos causando estresse”, analisou.

Segundo Cibele, entre as soluções possíveis está o investimento em formas de mobilidade alternativas e em locais de permanência, que são aqueles considerados agradáveis para a população observar, passear e praticar esportes. Ela acredita que não é preciso grandes parques para que um município seja direcionado para as pessoas, mas que é necessário manter espaços em bairros, por exemplo. “Temos que ocupar a rua. Ela é o espaço público por excelência”, finalizou.

A próxima edição do Fronteiras Educação ocorre no dia 8 de novembro com o tema A Biblioteca que Transformou o Mundo, e terá como palestrante o professor da Faculdade de Letras da PUCRS Altair Martins.