Pesquisa

Edith Stein: por uma existência humana autêntica e com propósitos

quinta-feira, 28 de maio | 2020

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Estudos na área podem contribuir no enfrentamento de situações de crise / Foto: Pexels

“A pesquisa, antes de ser um exercício de desenvolvimento de exigências acadêmicas, é um campo de estímulo à qualificação do humano em si e, consequentemente, da sociedade”. Assim, a doutoranda do Programa de Pós Graduação em Teologia, da Escola de HumanidadesIr. Elis Machado defende a relevância de pesquisas nas mais diferentes áreas – sobretudo em períodos de crise. Religiosa e vinda das áreas da Pedagogia e da Filosofia, estuda, desde 2017 Edith Stein, filósofa canonizada como Santa Teresa Benedita da Cruz.

No começo do século 19, Edith Stein transitou pelas ciências em busca de respostas plausíveis para questões que ainda nos instigam: quem é o humano e qual a finalidade de seu existir? Segundo Ir. Elis, foi uma mulher determinada, cujo pensamento esteve sempre a serviço da verdade. E foi justamente esse o motivo pelo qual decidiu estudá-la.

A doutoranda conta que começou a estudar a trajetória de Edith Stein ao retornar de uma missão pastoral nos Estados Unidos com brasileiros indocumentados. “Para algumas pessoas, nós, mulheres religiosas, parecemos mulheres ingênuas, submissas e distantes do mundo real. Ledo engano. Devido às muitas circunstâncias de dor, sofrimento e limites éticos morais que testemunhei no tempo em que vivi fora, retornei endurecida em relação ao ser humano e a sua capacidade de Deus”, relata. E foi nesse momento que a história da filósofa cristã entrou em sua vida, resultando em um “encontro de irmãs”, como define Ir. Elis.

Edith Stein: de agnóstica a santa 

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Edith Stein teve o primeiro contato com o catolicismo durante seu curso de Filosofia / Foto: Vatican News

Antes de ser canonizada como santa em 1998, pelo então Papa João Paulo II, Edith Stein teve uma vida em busca pela verdade e humanização. Nascida em 1891, na Polônia, em uma família judia, tornou-se agnóstica na adolescência. Seus primeiros contatos com o catolicismo aconteceram durante seu curso de Filosofia, decidindo ser batizada em 1922.

Vinte anos depois, encontrava-se exilada na Holanda, em função do avanço do nazismo alemão. Entretanto, não escapou das tropas de extermínio e, no mês de agosto, foi morta em Auschwitz. Conforme Ir. Elis, entender essa jornada de vida é importante para a construção de novas formas de pensar o antropológico e da teologia enquanto caminhos para compreensão e experiência de uma mística contemporânea.

“Há em Edith Stein intensas possibilidades de reaver o propósito último de nossa existência finita, da vida que marcha para um fim, mas que acredita e vislumbra um fim dotado de propósito, finalidade, meta, vocação”, aponta a doutoranda.

Pesquisa contribui para o enfrentamento de situações de crise

Edith Stein acreditava que não há crescimento ou progresso humano sem adversidades – que acontecem somente na relação do ser com o outro e com o mundo. Para Ir. Elis, pesquisas na área são relevantes em momentos de crise porque auxiliam a perceber se estamos enfrentando as situações com autenticidade, realização e plenitude. “Stein nos provoca a repensarmos a nossa existência, não meramente animal, mas dotada de sentido. Um sentido capaz de contribuir no acolhimento, no discernimento e na aceitação de tudo o que vida nos oportuniza: dilemas, adversidades, privações e constrangimentos”, explica.

A doutoranda observa que, neste período de distanciamento social, muitas pessoas se sentem incapazes de estar consigo mesmas, pois sentem falta do seu lugar no mundo, de uma meta, de um sentido de vida. Também nesse aspecto, percebe a contribuição da pesquisa: “O estudo sobre a jornada da mulher excepcional que foi Edith Stein tem preenchido grande parte dos meus dias de confinamento, sendo fonte de esperança propulsora e de suporte inspiracional”.

Para o coordenador do PPG em Teologia e orientador de Ir. Elis, Leomar Antônio Brustolin, fazer Teologia, diante da experiência do limite e da finitude, significa se interessar pelas alegrias, esperanças, tristezas e angústias das pessoas – sobretudo das que sofrem. Ele acredita que a fé remete a um horizonte último, que dá sentido à vida. “Contudo, há também um engajamento essencial de todo crente em denunciar idolatrias, fortalecer a empatia e promover a solidariedade como meios indispensáveis para chegar a Deus”, pontua.

O professor ainda reforça a relevância das pesquisas na área em tempos de crise: “A Teologia deve colaborar para que o ser humano rejeite tanto o desespero quanto a presunção. Só assim, será capaz de interpretar o tempo presente com realismo e confiança”.

Uma atividade humanizadora

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Para Ir. Elis, pesquisar desenvolve o pensar / Foto: Pexels

Ir. Elis considera a pesquisa uma atividade que humaniza, pois desenvolve o pensar de um modo não apenas interpretativo, mas contemplativo e transformador – algo que considera essencial para uma nação saudável, plena e edificadora. Ela aponta que é um desafio na elaboração de propósitos, especialmente quando temos dificuldade em encontrá-los.

Enfrentar desafios faz parte de todas as trajetórias de vida – e quem se dedica à pesquisa sabe muito bem disso. Porém, Elis não considera um problema. “São esses desafios, tempestades propícias que atingem o mar em que navegamos, que irão revelar para que viemos”, conclui.

PPG em Teologia recebe inscrições

O Programa de Pós-Graduação em Teologia está com inscrições abertas para mestrado e doutorado. Com área de concentração em Teologia Sistemática, abrange as linhas de pesquisa Teologia, experiência religiosa e pastoral e Teologia e pensamento contemporâneo. Interessados em ingressar ainda neste ano podem se inscrever até o dia 19 de junho. Neste edital, a entrega da documentação será feita online.

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