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Denise Fraga fala dos encontros do poético e da cultura com a vida cotidiana

sexta-feira, 06 de setembro | 2019

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Bate-papo foi mediado por Charles Dall’Agnol (à esquerda) e Ricardo Barberena

Entre reflexões e risadas, a atriz Denise Fraga alegrou a noite de terça-feira, 3 de setembro, no bate-papo realizado no auditório da Escola de Humanidades. Em uma parceria entre o Theatro São Pedro e o Instituto de Cultura da PUCRS, o evento contou com mediação do diretor do Instituto e professor Ricardo Barberena e o ator e diretor do Grupo de Teatro Universitário da PUCRS (GTU) Charles Dall’Agnol. Também serviu como um aquecimento para sua mais nova peça, Eu de Você, que estreia nesta sexta-feira, 6 de setembro, com sessões também no sábado e no domingo.

“A gente viveria melhor acompanhado da arte. A arte ajuda você a se reconhecer” foi uma das frases que Denise Fraga argumentou sobre a importância de ler, de ir ao teatro ou ao cinema, assuntos que passaram pelas suas falas. A atriz também lembrou do tema que mais gosta de trabalhar: os encontros do poético e da cultura com a vida cotidiana, em que citou as obras do dramaturgo Bertolt Brecht, uma das suas maiores inspirações.

A vida cotidiana, o humor e a alteridade são tópicos que percorrem grande parte de sua carreira, como o quadro Retrato Falado no Fantástico, em que interpretava relatos inusitados de telespectadores. Em Eu de Você, Denise retoma essa temática com histórias que coletou nas redes sociais traçadas com poetas e referências artísticas.

O limite entre o ético e o cômico

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Denise Fraga / Foto: Camila Cunha

Por mais de uma vez, Denise defendeu o poder do humor como um artifício importante de inteligência e eficácia. “O humor requer de você, faz você pensar. Você ri daquilo que você entende, então a risada é como se fosse uma certeza de que a pessoa entendeu. E o legal é a possibilidade de divertir, comunicar, emocionar e ao mesmo tempo rir”, explicou. A atriz garantiu que existe uma linha que separa o humor da ética, pois o conteúdo das comédias não pode ser avaliado a partir de quantas risadas tiveram ou de como foram essas risadas, mas sim, do tipo de ideia que o comediante quer despertar. Esse limite garante que o cômico ajude a construir o tipo de mundo em que se vive, filtrando o que pode ser aceitado ou não socialmente.

O principal elemento da atuação

Quando questionada pelo ator Charles Dall’Agnol sobre qual seria a principal qualidade da atuação, Denise falou sobre a verdade. Ela comentou sobre a técnica de pegar emprestado a história e a vida de quem está se interpretando e colocar nos palcos, que reforça a autenticidade do papel.

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Público lotou o auditório da Escola de Humanidades / Foto: Camila Cunha

A atriz ainda lembrou da época em que fazia a peça A Vida de Galileu, originalmente escrita por Bertolt Brecht e Hanns Eisler, em que interpretava um Galileu gordo e que adorava comer, mesmo sendo pequena e cheia de enchimentos. “Quando eu estava atuando como Galileu, sempre torcia para que acreditassem no que eu estava fazendo, porque fisicamente o papel não tinha nada a ver comigo”, acrescentou em meio a muitas risadas.

Empatia

Denise Fraga falou diversas vezes sobre a importância de se praticar a empatia. “A gente só é aquilo que a gente é quando reverbera no outro”, comentou. Para a atriz é valoroso refletir sobre a ressignificação da nossa comunicação, não apenas falar sobre suas angústias e vida, mas aprender a escutar o outro com atenção “um exercício de escuta para voltar a conversa e acabar com o discurso unilateral”. Além da relação com o próximo, Denise deixou um grande ensinamento sobre olhar para a vida de outras maneiras, revisitar de outros modos os mesmos lugares. Para a atriz, a alegria se cria.

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