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Agricultura familiar no Campus

segunda-feira, 11 de abril | 2016

Desde 2009, o Brasil é o campeão mundial no consumo de agrotóxicos. Esse dado é de um relatório divulgado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) no ano de 2015. No último Guia Alimentar para a população brasileira, o Ministério da Saúde sugeriu que as pessoas comprassem alimentos orgânicos diretamente dos produtores. Uma das opções para essa mudança de hábito é a Feira Agroecológica da PUCRS, que ocorre todas as terças-feiras no Campus, ao lado da Biblioteca Central. Para a professora do curso de Nutrição da PUCRS Maria Rita Macedo Cuervo, comprar direto de quem produz é uma forma de ter a melhor certificação. “O próprio grupo de agricultores faz o controle, e esta é a melhor garantia, pois ela é legítima”, afirma.

A professora esclarece que a alimentação orgânica favorece questões sociais, ambientais e de saúde. O fortalecimento da agricultura familiar ajuda também no desenvolvimento social e enriquece a cultura de alimentos orgânicos. Ainda, a valorização desse trabalho faz com que os filhos dos agricultores vislumbrem um futuro na terra. “Quanto mais consumirmos, mais teremos produtores seguindo o caminho da agroecologia”, explica.

Feira Agroecológica Foto: Bruno Todeschini - Ascom/PUCRS

Feira Agroecológica
Foto: Bruno Todeschini – Ascom/PUCRS

O meio ambiente também é beneficiado. Segundo Maria Rita, todo o agrotóxico utilizado no alimento não fica somente na planta, mas também contamina o solo e a água, e a população acaba ingerindo veneno novamente, afetando ainda mais a saúde. Portanto, inserir alimentos orgânicos na rotina é uma maneira de preservar o meio ambiente e cuidar da saúde. “Temos o hábito de não planejar a alimentação, mas devemos nos perguntar: será que a nossa saúde e o meio ambiente não merecem esse cuidado?”

O agricultor Volmir Forlin, da banca Orgânicos Pérola da Terra, conta que, além de levar um produto extremamente saudável, o consumidor colabora diretamente com a família de quem produz. “É o campo e a cidade juntos”, afirma, sorrindo. Para a professora, a relação entre produtor e consumidor é o diferencial das Feiras Agroecológicas. Ela acredita que o supermercado pode ser um lugar muito solitário. Na Feira, são criados vínculos de confiança. “O que é muito importante nos dias de hoje, pois desconfiamos de tudo o tempo todo”, completa.

Luis Ernesto Dable, que possui uma banca de ovos, explica que os produtos têm cuidados especiais e respeitam a natureza, por isso não podem ser comparados a alimentos não orgânicos. Quanto ao preço, brinca: “No final, o que vai custar caro é o remédio”.